Morenão e Albano Franco poderão abrigar ações de combate ao novo coronavírus

Governo do Estado confirmou aval para uso dos espaços; equipe volta a negar falta de insumos no HR e desabastecimento e secretário confirma que crise levará a demissões

Em meio a medidas que visam a conter o avanço do novo coronavírus (Covid-19) em , que passam pela aquisição e confecção própria de EPIs (equipamentos de proteção individual) para os profissionais de saúde, a estrutura física de enfrentamento à pandemia ganhou dois novos locais físicos em Campo Grande: o estádio Morenão e o Centro de Convenções Albano Franco foram cedidos para que a SES (Secretaria de Estado de Saúde) conduza neles ações que julgar necessárias.

A informação foi divulgada pela secretária-ajunta de Saúde, Cristhinne Maymone, durante videoentrevista coletiva na tarde deste domingo (22). Segundo ela, o reitor Marcelo Turine, da (Universidade Federal de ), e a Federação das Indústrias do Estado garantiram a cessão dos espaços, caso seja necessário. Em paralelo, ela agradeceu à unidade da Refriko pelo envase de álcool 70% doado por produtores de cana-de-açúcar e que serão usados nas unidades públicas de saúde.

EPIs

Durante a coletiva, o secretário de Estado de Governo, Eduardo Riedel, e a diretora-presidente do Hospital Regional de , Rosana Leite de Melo, negaram mais uma vez a falta de EPIs no HR, conforme vem divulgado em redes sociais. “Nenhum funcionário não ficará sem usar, de acordo com diretrizes e normas. Hoje, o Hospital Regional tem todos os equipamentos”, afirmou Rosana, reiterando que o produto está em falta em vários países –contudo, ela afirma que o Estado teria se antecipado para garantir os estoques.

Rosana e Riedel também confirmaram a existência de campanhas de doação de materiais para a confecção dos EPIs. “Não sabemos o que vem pela frente, por isso, a movimentação de doações pela sociedade é muito bem-vinda”, destacou o secretário, reiterando que tais ações partem da sociedade civil e que elas podem ser entregues nas unidades do Corpo de Bombeiros, que cuidarão da “canalização”.

Ainda segundo Riedel, o Governo Federal centralizou as compras de EPIs para cuidar da distribuição pelo país, levando à falta dos itens até mesmo para compras futuras –uma nova remessa deve chegar ao Estado na terça-feira (24). De toda forma, o Governo do Estado optou por utilizar a mão de obra prisional para a fabricação de máscaras a partir de itens doados.

“É uma ação muito importante da Agepen [Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário] na confecção das máscaras e EPIs, de aventais, que vão auxiliar não só os que estão atendendo a população pela SES, mas os policiais e agentes penitenciários que lidam com as pessoas”, disse o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira.

“Queremos ampliar a fabricação de forma que disponibilize a todos os que diretamente estão envolvidos nas ações”, prosseguiu, agradecendo aos esforços da população que, até aqui, cumpriu o toque de recolher; e às famílias de detentos que entenderam os vetos à visitação.

Rosana advertiu, porém, que as doações são feitas apenas em materiais. “Diretamente, não recebemos dinheiro”, alertou.

O depois

Eduardo Riedel também confirmou a chegada de 5 mil novos kits para testagem de pacientes com coronavírus e garantiu que não faltam recursos para o enfrentamento ou planejamento. Christinene Maymone, por seu turno, ainda repetiu números de especialistas mundiais apontando que 80% dos casos de coronavírus serão leves, merecendo atendimento nas próprias unidades básicas de saúde, “com somente os casos graves nos hospitais”, recomendando a manutenção dos isolamentos como tática de enfrentamento à Covid-19 para evitar superlotação na rede de saúde.

Por fim, o secretário de Governo ainda disse que não há crise de desabastecimento, tornando desnecessária uma corrida aos supermercados. Ele ainda destacou a importância de as indústrias continuarem a funcionar para a economia, a fim de permitir que a população em geral tenha acesso à alimentação.

Riedel, porém, destacou que há perspectiva de a pandemia deixará cicatrizes na economia e, consequentemente, na sociedade. “Sabemos que o impacto é grande. Teremos desempregados e a Assistência Social terá de mover ações para assistir as pessoas em dificuldade. Mas há consciência de se manter o sistema produtivo em andamento para não ter uma crise de abastecimento”, complementou.

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