Dengue passa de 56 mil casos e causa mais 2 mortes em MS

Mato Grosso do Sul é o segundo do país em casos por 100 mil pessoas, mas algumas cidades têm índice 21 vezes maior que o mínimo para ser considerado de alta incidência

Quarto em uma série histórica iniciada em 2013 relativa ao número de casos de dengue em Mato Grosso do Sul, o ano de 2020 registra até o momento 56.144 casos confirmados no Estado, conforme boletim divulgado nesta quarta-feira (13) pela SES (Secretaria de Estado de Saúde). O total de pacientes representa uma alta de 3,6% sobre os 54.191 registrados na semana passada.

O Estado é o segundo do Brasil em incidência da doença, com índice seis vezes maior do que o mínimo para ser considerado de alto risco. Em algumas cidades, porém, o percentual é até 21 vezes maior.

O total de mortes também aumentou: são 2 a mais, com a inclusão de um paciente de 38 anos de Ponta Porã sem histórico de comorbidades, que faleceu em 10 de maio (cinco dias depois do início dos sintomas); e de um homem de 72 anos, portador de doenças hematológicas e autoimunes, morador de Costa Rica, que apresentou sintomas em 15 de abril e foi a óbito em 1º de maio.

Em 2013, o Estado registrou 99.748 casos de dengue. No ano passado, em uma nova epidemia, foram 85.236. Também houve avanço nos casos em 2016, com 65.505 pacientes, o terceiro maior volume de doentes no período, à frente do registrado até aqui. Em 2015, foram 48.584.

Tudo vermelho

O estudo da SES também aponta que todo o Mato Grosso do Sul segue como área de alta incidência da dengue. O Estado ocupa a segunda posição nacional em notificações de dengue por 100 mil habitantes, com 2.020,3. Em alguns casos, porém, o número é ainda maior.

O Ministério da Saúde considera que, para ser considerado de alta incidência de dengue, uma região deve registrar 300 casos a cada grupo de 100 mil habitantes. Com 241 notificações entre seus 3,8 mil habitantes, Novo Horizonte do Sul tem incidência de 6.318,6 por 100 mil.

Em patamar semelhante estão São Gabriel do Oeste (6.144,7, ante 1.645 notificações) e Douradina (359 notificações e incidência de 6.060,1).

Campo Grande aparece na 53ª posição entre os 79 municípios do Estado, com incidência de 1.287,2 por 100 mil (4 vezes acima do limite nacional), ante 11.533 notificações entre os seus 895,9 mil moradores. A última colocada no ranking é Terenos, com 66 notificações (incidência de 302,7 por 100 mil entre seus 21,8 mil habitantes).

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Mapa aponta circulação de três tipos de vírus da dengue. (Imagem: Reprodução)

Perfil

Conforme a SES, três grupos etários representam mais da metade dos casos: de 20 a 29 anos (19,53% do total de casos notificados), 30 a 39 anos (17,7%) e 10 a 19 anos (16,59%).

Também há contágio significativo entre as pessoas de 40 a 49 anos (14,34%), de 50 a 59 (11,37%) e de 1 a 9 anos (8,33%). Os pacientes de 60 a 69 anos representam 6,72% do universo de notificações, e os de 70 a 79, 3,11%.

Já os casos em bebês com menos de 1 ano perfizeram 1,28% das notificações, acima dos 1,02% entre as pessoas com mais de 80 anos.

A dengue afetou mais mulheres (56,2%) do que homens (43,8%), ao menos entre as notificações. Dos óbitos, 6 foram registrados na Capital, 4 em Corumbá, 3 em Naviraí e 2 em Chapadão do Sul, Caarapõ e Mundo Novo. Aquidauana, Bodoquena, Costa Rica, Cassilãndia, Paranaíba, Sidrolândia, Nova Andradina, Dourados, Itaporã, Ponta Porã, Laguna Carapã, Itaquiraí, Sete Quedas e Pedro Gomes tiveram um óbito cada.

Sorotipo

Campo Grande é a única cidade do Estado onde foi identificada circulação de três tipos de sorotipo de dengue (Denv-1, Denv-2 e Denv-4) neste ano.

Em 10 deles, há dois tipos ativos (em 6 o Denv-1 e o Denv-2 e em 4 o Denv-2 e o Denv-4); e na maioria (49) apenas o Denv-2 está ativo. Em 19 cidades não houve resultado da sorotipagem até aqui.

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