Cotidiano

Em MS, mães já vivem o drama de mandar crianças para escolas com coronavírus circulando

A curvatura de coronavírus continua em alta em Mato Grosso do Sul. Após a REME (Rede Municipal de Educação), a SED (Secretaria Estadual de Educação) decidiu hoje (27) antecipar as férias escolares para evitar o avanço de Covid-19. Mães ainda sentem insegurança em deixar os filhos retornarem para a escola, mesmo após o recesso escolar. […]

Karina Campos Publicado em 27/04/2020, às 17h31 - Atualizado em 28/04/2020, às 12h31

(Foto: Marcos Ermínio)
(Foto: Marcos Ermínio) - (Foto: Marcos Ermínio)

A curvatura de coronavírus continua em alta em Mato Grosso do Sul. Após a REME (Rede Municipal de Educação), a SED (Secretaria Estadual de Educação) decidiu hoje (27) antecipar as férias escolares para evitar o avanço de Covid-19. Mães ainda sentem insegurança em deixar os filhos retornarem para a escola, mesmo após o recesso escolar.

A assistente de telemarketing, Fabiana Aguilar, tem dois filhos menores de 5 anos, que fazem parte do grupo de risco. As crianças estudam em Ceinfs (Centro de Educação Infantil), mas ela não cogita deixar os filhos voltarem a unidade se o índice da doença continuar alto.

“Escola e os Ceinfs são locais onde tem contato sempre, as crianças estão sempre juntas, aglomeradas. O isolamento social para as crianças está sendo bem difícil, eles tinham uma rotina de convívio com os amiguinhos. Eles estão fazendo atividades em casa, mas sentem falta do relacionamento. Eu tenho com quem eles fiquem quando estou trabalhando, mas penso nas mães que não tem com quem deixar. Se as aulas voltarem (presenciais), não vou levá-los, mas creio que os pais que não condições vão arriscar deixar os filhos na escola”, disse.

É o caso da operadora de caixa, Viviane Mendes. Nos últimos dias tem revezado deixar a filha de 6 anos com a sogra e a mãe, que são idosas. Ela lamenta a situação e diz que não tem condições de pagar alguma babá.
“Trabalhando em um mercado eu consigo comprar alimentos e deixar com elas, porque criança em casa é um misto de tédio e comer demais. Mas se não fosse elas (sogra e mãe), eu não saberia o que fazer, porque eu e o pai trabalhamos quase o dia todo. A gente fica preocupado também, ela está com as avós que são idosas, temos que ter muito cuidado com elas e com a gente”, explicou.

Em nota, as secretarias de educação do município e estadual informaram que ainda não sabem se os gestores irão prolongar o isolamento social mesmo após o recesso escolar. “O retorno dos estudantes às atividades será a partir do dia 19 do mesmo mês. Até lá, seguiremos em análise para determinar se retornaremos com as aulas presenciais ou se continuaremos com as atividades remotas, em execução desde o dia 23 de março”, informou a SED.

“Apenas após essa decisão é que será possível apontar os procedimentos adotados de acordo com as medidas de prevenção necessárias. A Semed informa que irá seguir todas as normas de segurança preconizadas pela OMS, no entanto os detalhes das ações que serão tomadas será possível apenas caso o retorno das aulas seja confirmado para o dia 22”, em nota municipal.

Jornal Midiamax