Covid-19 avança e flexibilização no comércio de Campo Grande pode parar na Justiça

MPF, MPT e MPMS alertam para a baixa capacidade de leitos na Capital de MS

Em nota, o MPT (Ministério Público do Trabalho), (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul) e MPF (Procuradoria-Geral da República em MS) encaminhada nesta quarta-feira (1º), os poderes alertam a população e a Prefeitura de Campo Grande que  podem procurar a Justiça para que a administração realize medidas mais restritivas na Capital do Estado.

Com aumento considerável no número de casos e baixa na capacidade de internação, os Ministérios avisam que o sistema
público e privado de saúde local não tem condições de enfrentar surto elevado de covid-19, havendo, caso a disseminação continue nos moldes atuais, risco de insuficiência de leitos de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) para atender pacientes graves, não somente do novo coronavírus, mas também os acometidos de outras tantas sérias doenças que igualmente
necessitam de leitos.

“Esse alerta se faz necessário, vez que Mato Grosso do Sul tem se mantido com baixos índices de isolamento social, segundo o último boletim divulgado em 29/6/2020, com taxa de apenas 50,82%, ocupando a 10ª colocação entre os Estados, enquanto que, dentre as Capitais, Campo Grande aparece em 15ª posição no ranking, com reduzida taxa
de isolamento de 50,56%, bem abaixo da recomendada (acima de 60%)”, diz a nota.

Os Ministérios também pontuam a quantidade de internações em Campo Grande e um estudo da (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) que mostra que nas primeiras três semanas do mês de junho houve aumento de
251,71% de casos confirmados, passando de 1.489 casos em 31 de maio (dia 79 da ), para 5.237 casos no dia 22 de junho (100º dia da ), sendo que somente nas duas últimas semanas (14 dias), foram confirmados 2.984 casos no Estado. Mantido este cenário, o estudo indica que teremos no Mato Grosso do Sul 35.770 casos no dia 31 de julho.

O estudo estima que, se mantido esse aumento de casos, no dia 11 de agosto (dia 151 da ), 200 pacientes precisarão de atendimento em leitos de UTI, de modo que haverá “um possível colapso do sistema de saúde pública do Estado no mês de agosto.

Obesos e diabéticos

A nota frisa que grande parte da população campo-grandense possui fator de risco para agravamento da covid-19 e, consequentemente, eventual necessidade de internação em UTI. Cita-se como exemplo que, segundo estudo realizado pelo Ministério da Saúde em 20192, que Campo Grande está na quarta posição das capitais brasileiras com maior número de obesos, sendo 22,5% da população adulta com obesidade. Além disso, 24,9% da população adulta é hipertensa e 5,9% é diabética.

Cuidados

Os órgãos alertam que para não recorrerem à Justiça por medidas mais restritivas, a população precisa fazer a sua parte. “Entre os casos sintomáticos/pré-sintomáticos, parte dos infectados pode ter sintoma leve, o que facilita a livre circulação de contaminados e a propagação da covid-19, com elevado potencial de transmissão àqueles com maior risco de
desenvolver a forma mais grave da doença (idosos, cardíacos, obesos, diabéticos, hipertensos, fumantes etc.), o que também pode ocorrer com pessoas fora dessa faixa de risco”.

“Saiam somente para o necessário e permaneçam em suas residências durante o horário do toque de recolher. Mantenham os ambientes ventilados, a distância segura das pessoas (1,5 metro no mínimo), permaneçam atentos às medidas de higiene e etiqueta social recomendadas pelas autoridades sanitárias e façam uso de máscara de proteção facial sempre, em todos os estabelecimentos públicos ou privados, sejam comércio, shoppings, templos religiosos, bancos, repartições, bares, restaurantes, passeios públicos, dentre outros. É muito importante que as exigências feitas pelos Decretos Municipais sejam fielmente cumpridas por todos!”, alerta a nota.

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