Surto em MS: coronavírus pode se espalhar por mais de 8 metros em frigoríficos, aponta estudo

Frigoríficos estão entre os principais focos de coronavírus em MS; frio, baixa umidade e proximidade de trabalhadores favorecem espalhamento

Pesquisas sobre a contaminação de trabalhadores de frigoríficos pelo novo coronavírus () sugerem o porquê de essa indústria se consolidar entre os principais focos da doença pelo mundo –inclusive em Mato Grosso do Sul, onde cidades vivenciaram surtos a partir de funcionários contaminados em indústrias frigoríficas. Ambientes fechados e refrigerados seriam capazes de permitir que partículas de vírus se desloquem por mais de 8 metros.

É o que indica estudo realizado por um grupo de pesquisas do Heinrich Pette Institute, que integra o Leibniz Institute for Experimental Virology (Instituto Leibniz para Virologia Experimental, em tradução livre), localizado na de Hamburgo (). O ensaio foi baseado no surto ocorrido em um frigorífico da cidade de Rheda-Wiedenbrueck, onde 1,5 mil trabalhadores foram contaminados pela .

Conforme o N.com, os pesquisadores reconstruíram o surto no frigorífico Toennis Group, integrante de uma cadeia produtiva que, em geral, manteve-se ativa durante a quarentena em vários países (incluindo o Brasil, como forma de evitar desabastecimento). As indústrias de carnes acabaram registrando rápida contaminação de seus trabalhadores das linhas de produção, que trabalham próximos uns dos outros e em locais apertados.

Os especialistas destacaram que os ambientes são propícios à disseminação da por serem fechados e com baixa renovação de ar. Além disso, as baixas temperatura e umidade e o distanciamento insuficiente entre os trabalhadores favorecem a transmissão. No Toennis, todo o surto começou com apenas um trabalhador –depois de um mês, a unidade reabriu na semana passada de forma gradual, prometendo testagens duas vezes por semana nos funcionários.

“Com temperatura média de 10°C e pouca circulação de ar, o ambiente ajudou que as partículas pudessem se mover por grandes distâncias”, explicou o coordenador do grupo de pesquisas, Adam Grundhoff. “Em condições como essas, de 1,5 a 3 metros de distância entre os trabalhadores não são suficientes para prevenir a transmissão”, prosseguiu.

Fatores como a moradia dos funcionários, que chegou a ser apontada como um desencadeador de surtos, não foram relevantes na disseminação da doença, conforme o estudo. Agora, com tais dados, os pesquisadores buscarão entender em que condições, mesmo a longas distâncias, é possível ocorrer a transmissão do coronavírus.

Alguns dos principais focos de coronavírus no Estado se deram a partir de frigoríficos. Foi o caso do surto em Guia Lopes da Laguna, que colocou o município entre aqueles com maior taxa de incidência de no Brasil. Situação semelhante foi registrada em Bonito, Juti, São Gabriel do Oeste e, também, em Dourados –onde trabalhadores da indústria da carne que vivem nas aldeias Jaguapiru e Bororó foram infectados.

Na semana passada, o Ministério Público do Trabalho solicitou à Vigilância Sanitária de Juti e São Gabriel que inspecionasse unidades frigoríficas da cidade para constatar se as medidas sanitárias para evitar a contaminação pela foram tomadas. Em Juti, a unidade do Frizelo suspendeu os abates por 7 dias após a confirmação de infectados.

Surto em MS: coronavírus pode se espalhar por mais de 8 metros em frigoríficos, aponta estudo
Mais notícias