Comerciantes comemoram novas regras e dizem que problema da pandemia são aglomerações em casa

Presidente da CDL-CG apoia estratégia de mirar trânsito para frear ocupação de leitos e manter vagas para pacientes de coronavírus

As novas regras para funcionamento do comércio de Campo Grande, estabelecidas pelo prefeito Marquinhos Trad (PSD) para enfrentamento à pandemia de coronavírus e que incluem o recuo do início do toque de recolher para as 21h e autorização de funcionamento de comércios, promete atacar aglomerações domésticas e ajudar a reduzir a pressão no sistema de . É o que espera o presidente da CDL-CG (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campo Grande), Adelaido Vila, favorável às medidas.

As medidas foram anunciadas pelo prefeito em live nesta quinta-feira (30), com validade já partir deste sábado (1º) e alterando as regras adotadas nos últimos 15 dias. Entre elas, estão a liberação do funcionamento das lojas aos sábados, extensão do horário de atendimento até as 19h e aumento de 30% para 50% na capacidade de recepção de clientes.

As medidas haviam sido adotadas como forma de tentar frear o aumento no total de casos de em Campo Grande –que tem 9.291 infectados e 111 mortos desde o início da pandemia (frente aos mais de 24 mil no Estado todo), enfrentando neste momento a superlotação do sistema de , com 86% das vagas ocupadas.

Sem contar com apoio da população quanto ao isolamento social –que tem ficado com adesão abaixo de 40% dos moradores, quando o ideal seriam 70%–, a prefeitura decidiu mudar o foco e vai atacar as aglomerações por meio de blitze, para frear a circulação de pessoas e reduzir a ocupação hospitalar com pacientes de trânsito que, hoje, respondem por 40% das internações.

Vila argumenta que a medida foi tomada após se constatar que “vimos um mercado extremamente restrito pelo posicionamento adotado nas vezes anteriores, e ainda assim vimos crescer o número de contaminados”. O presidente da CDL-CG argumenta que, com o fechamento das lojas, as aglomerações migram dos comércios para as casas, onde a fiscalização é mais difícil.

“Quando você fecha o comércio, libera as equipes de trabalho para irem para casa. Lá, participam de festas, de reuniões familiares. Tratam o momento como um grande feriado. É quando as aglomerações acontecem, de forma até mais intensa que o convencional”, alegou.

Por outro lado, o dirigente alega que os comércios têm um “grau de comprometimento sanitário infinitamente maior que o trabalhador dentro de casa”. Ele também afirma que, com a redução do atendimento presencial, o serviço de delivery avançou consideravelmente, incluindo envolvendo pessoas sem habilitação. “E isso tem provocado aumento de ocupações nas UTIs com acidentes de moto”.

“Pedimos para a prefeitura intensificar as blitze. Entendemos que as pessoas tentam sobreviver, mas estão colocando em risco a própria vida e, por isso, pedimos para apertar a fiscalização. O consumo de alcoólica antes de dirigir tem trazido aumento na ocupação de leitos por fraturas. A prefeitura se comprometeu a apertar isso. Agora, apelamos ao Governo do Estado para que direcione a para também contribuir”, afirmou.

Mudança em horário visa a evitar aglomerações, afirma presidente da CDL-CG

A expectativa é de que os resultados a serem apresentados em 15 dias serão melhores que os do “lockdown” mas, para Adelaido Vila, o efeito passa também pela preservação de empregos –no primeiro semestre, Campo Grande perdeu 5,5 mil postos de trabalho em razão da pandemia. “Enquanto isso, um monte de empresas morre por não poderem produzir ou trabalhar”.

Vila também afirma que a permissão para abertura das lojas até as 19h às vésperas do Dia dos Pais “só tem um único objetivo: evitar aglomerações. Quando se restringe, diminui o horário de funcionamento, mais pessoas vão às lojas. Se estende o horário, com quantidade de horas maior, evita-se aglomeração”.

O dirigente reconhece que a medida não tem como agradar 100% das pessoas, haja vista que muitas defendem o isolamento social. Para estas, ele salienta que a atividade comercial tem se fiado em medidas de biossegurança que incluem o distanciamento físico. “As pessoas não precisam ficar isoladas, mas somos extremamente contrários à aproximação física que gera contaminação. E, onde ela acontece no varejo, o mesmo se coloca preparado para atender a demanda”.

Como exemplo, Adelaido Vila usa dados sobre a contaminação por em trabalhadores de shoppings-centers de Campo Grande. Segundo ele, acompanhamento da CDL-CG aponta que, entre os cerca de 10 mil trabalhadores, houve 12 relatos de contaminados “que foram identificados rapidamente e afastados, e alguns até já retornaram ao trabalho”.

O mesmo trabalho, explicou ele, deve ser feito com o comércio em geral. “É um levantamento complexo de ser feito porque temos aí em torno de 280 mil trabalhadores no varejo de Campo Grande. Fomos até os shoppings porque eles tem como regular melhor essas informações, e lá, de mais de 10 mil ter 12 contaminados, mostra que é um ambiente sadio”.

Por fim, Adelaido também pediu para que as pessoas evitem aglomerações e festas, inclusive fora de Campo Grande, mantendo o combate doméstico à . “Muitas famílias, para evitar o toque de recolher, foram para cidades vizinha, alugaram chácaras para fazerem festas. Há inúmeros casos”.

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