Coletivo realiza protesto antirracista na tarde de sábado em Campo Grande

Ato antirracista do coletivo Alanys Matheusa foca violência contra negros e índios; ações contra o racismo e ‘antifacistas’ acontecem no país

O Coletivo Alanys Matheusa realizará a partir das 13h30 de sábado (6) um ato antirracista na Praça do Radio Clube, no Centro de Campo Grande. O movimento “Vidas Negras Importam” visa a protestar contra agressões e negligência contra as populações negra e indígena.

O ato em Campo Grade ocorre na esteira de outros pelo país, desencadeados tanto pela morte do norte-americano George Floyd como em reação à gestão do presidente Jair Bolsonaro. A intenção, porém, é de realizar um ato com propósito, e não um ato de “enfrentamento a grupos bolsonaristas ou à polícia”, destacou a organização ao Jornal Midiamax.

“Desde o Brasil Colônia, esse país tem uma política de extermínio a essas duas populações. Seja através de doenças, violência policial, encarceramento em massa, falta de assistência médica, falta de empregos e oportunidade de ingressar no ensino superior e ter uma educação de qualidade”, afirma o texto da convocação para o ato.

“Utilizaremos esse ato para denunciar casos de violência policial e institucional, a total negligência dos governantes aos povos que mais sofrem na pandemia de Covid-19 em Mato Grosso do Sul, no Brasil e em outros países”, prossegue o texto.

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Convocação do ato ‘Vidas Negras Importam’ que acontece domingo em Campo Grande. (Imagem: Reprodução)

O coletivo emitiu algumas orientações para o ato: uso de roupas pretas para identidade visual durante o ato (com troca de camiseta ates e depois “por segurança”) e que se respeite o distanciamento social em virtude da pandemia de coroavírus.

Marcações no chão ajudarão nesse caso e, nas entradas da praça, haverá fornecimento de álcool em gel. Também é requisitado que todos os participantes usem máscara. Os materiais de proteção e higienização estão chegando por meio de doações e, aquilo que não for usado no ato, será doado.

Os organizadores também pedem que os participantes não levem itens que possam ser confundidos ou considerados armas brancas e que consumam água.

O coletivo leva o nome de Alanys Matheusa, a primeira advogada trans negra do MS e que morreu em abril deste ano por complicações respiratórias.

Protestos antirracistas e antifascistas pelo Brasil

Atos em ao racismo, contra e a favor de Bolsonaro devem ser realizados no domingo em diferentes cidades do país. Nesta sexta-feira (5), o presidente recomendou que seus apoiadores não saiam às ruas no domingo e insinuou que forças policiais poderão reprimir os atos contra seu governo, inclusive apontando a possibilidade de a Força Nacional atuar.

“O outro lado, que luta por democracia, que quer o governo funcionando, quer um Brasil melhor e preza por sua liberdade, que não compareçam às ruas nestes dias para que as forças de segurança, não só estaduais, bem como a nossa, federal, façam seu devido trabalho porventura estes marginais extrapolem os limites da lei”, afirmou Bolsonaro, conforme destacou a BBC Brasil.

  • Os s seriam desdobramento dos que ocorreram no último domingo (31) em São Paulo, quando torcidas organizadas puxaram ato alegando serem a favor da democracia e contra posições autoritárias de Bolsonaro –rapidamente, os s foram qualificados como “antifascistas”, em oposição ao governo. Manifestação neste sentido chegou a ser agendada também para domingo em Campo Grande, mas acabou desmarcada por seus organizados.

Contudo, o mote “Vidas Negras Importam”, o mesmo defendido na Capital, contra a morte de negros pela polícia nas periferias, também vai integrar a agenda.

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