China exige que governo americano pare de detonar Partido Comunista

Movimento acontece na esteira de atritos entre as duas maiores economias do planeta sobre a expulsão de jornalistas em ambos os países

O governo da China exigiu que autoridades americanas parem de manchar a imagem do Partido Comunista Chinês (PCC) e da imprensa do país asiático, na esteira da declaração de pandemia de coronavírus pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo a agência de notícias chinesa Xinhua News, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Geng Shuang, teria dito que seu país espera que o governo americano “reflita seriamente sobre si, e elimine seu vírus político de preconceito ideológico”.

Nesta semana, os governos das duas maiores economias do planeta entraram em atrito após a China retaliar os americanos por terem expulsado 60 jornalistas chineses dos Estados Unidos.

Ainda de acordo com a Xinhua, Geng teria dito que “a retórica dos americanos expôs completamente o preconceito ideológico profundamente enraizado dos EUA”, observando que os países são diferentes no que se refere a condições nacionais e na maneira de gerir a imprensa.

O chinês ainda teria se indagado sobre o que faz os EUA julgarem a imprensa de outros países com base nos seus próprios critérios e ideologias, e “rotularem, estigmatizarem e suprimirem irracionalmente a imprensa chinesa”.

Desde a eclosão do surto de coronavírus na China, o presidente americano, Donald Trump, tem usado a expressão “vírus chinês” para se referir ao Covid-19, causando indignação e sendo acusado, por americanos e chineses, de xenofobia.

No Brasil, autoridades chinesas ainda repreenderam o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após ele usar sua conta no Twitter para dizer que a pandemia do coronavírus é culpa dos chineses. Os chineses acusaram Eduardo de endossar a postura xenofóbica do governo americano.

“Aconselhamos que busque informações científicas e confiáveis nas fontes sérias como a OMS, úteis para ampliar sua visão”, disse a embaixada. “Os seus argumentos mostram que você não está arrependido pela sua atitude, tampouco ciente dos seus erros. Ao continuar a optar por ficar no lado oposto ao povo chinês, está indo cada vez mais longe no caminho errado”, continua a representação chinesa.

A embaixada ainda questiona a atitude de Eduardo Bolsonaro enquanto deputado federal, que “ao invés de contribuir devidamente para esse combate ao coronavírus, você tem gastado tempo e energia para atacar deliberadamente a China e espalhar boatos”. “Você afirma que foi eleito pelo povo, mas fica a pergunta: será que está cumprindo os seus deveres como deputado? Será que merece a confiança daqueles que votaram em si?”. Neste tuíte, a embaixada “marcou” a conta na rede social da Câmara dos Deputados, cujo presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ) pediu desculpas à China pelo que chamou de “palavras irrefletidas” do terceiro filho do presidente Jair Bolsonaro.

Vale lembrar que a China é o maior parceiro comercial do Brasil em todo o mundo, e esse fato foi ressaltado pela embaixada do gigante asiático ao responder as palavras de Eduardo.

 

 

 

 

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