Mais carros parados e menos pedestres: o novo normal no centro de Campo Grande

Apesar da quarentena ainda ser recomendada, cidade ensaia para retomada gradual de movimentação com flexibilização de restrições

Campo Grande amanheceu com movimentação diferente pelas ruas do Centro na manhã desta quarta-feira (1º). O afrouxamento das restrições de funcionamento do comércio levou mais pessoas a locais de trabalho e o trânsito das primeiras horas da manhã era significativamente maior que na semana anterior, quando apenas farmácias, supermercados e afins tinham autorização municipal para funcionar.

Mais carros parados e menos pedestres: o novo normal no centro de Campo Grande
Trânsito na região central por volta das 8h da manhã em 1º de abril | Foto: Leonardo de França | Midiamax

Nas ruas, a reportagem constatou número bem maior de veículos tanto em trânsito como estacionados. Nas calçadas, porém, pedestres eram raros. Apenas em alguns pontos, como em bancos, havia certa aglomeração de pessoas – idosos, em maioria.

A flexibilização de abertura do comércio, que autorizou o funcionamento de bancos e casas lotéricas mediante medidas preventivas ao coronavírus, também coincide com as datas de pagamento de salários.

A recomendação ainda é para que as pessoas fiquem em casa. Porém, é clara a tendência de aumento do fluxo de pessoas no início deste mês. Além de bancos e casas lotéricas, restaurantes, indústrias e construção civil voltaram a atender na Capital – todos com recomendações rigorosas de prevenção.

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Aglomeração de pessoas no Centro em frente a uma instituição bancária | Foto: Leonardo de França | Midiamax

Os ônibus também passaram a transportar mais segmentos de trabalhadores além de quem trabalha na saúde, como ocorria até a última semana. Até a última terça-feira (31 de março), ao menos 9 municípios dos 79 de MS já haviam sinalizado a flexibilização.

As mudanças que caracterizam o “novo normal” em cidades de MS coincidem, porém, com a confirmação em MS do primeiro óbito por covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Segundo a SES (Secretaria de Estado de Saúde), já são 48 casos confirmados em MS, com aumento de quatro casos de um dia para o outro. Um total de 38 casos ainda seguem em investigação e há registro de 554 notificações de casos suspeitos, dos quais 457 foram descartados e outros 11 excluídos.

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Movimentação na Eduardo Elias Zahran | Foto: Leonardo de França | Midiamax

Riscos

O relaxamento das restrições e o iminente aumento do fluxo de pessoas, porém, é uma preocupação. Isso porque a subnotificação dos casos de coronavírus é uma realidade mundial que camufla os números reais da pandemia e porque, basicamente, assintomáticos – aqueles que não apresenta sintomas e que, em MS, não são testados – podem ser vetores do vírus. Em outras palavras, a quarentena ainda se faz necessária.

“Estamos falando de um vírus que vive por dias em superfícies mortas. A única forma realmente eficaz de combatê-lo é, portanto, pela busca ativa [testes feitos em toda a população]. Tem que testar, isolar e tratar o paciente. O exame, portanto, é parte essencial. Só que não há para todo mundo”, apontou ao Jornal Midiamax o médico Ronaldo Costa. “Uma pessoa pode permanecer assintomática e seguir transmitindo. Só o teste indicaria para ela o isolamento”, acrescenta.

A SES (Secretaria de Estado de Saúde) já havia destacado que testes para coronavírus na rede pública são realizados apenas em casos considerados suspeitos – quando houve contato confirmado com pacientes comprovadamente com a doença, ou nos quais os pacientes apresentam SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave). O mesmo critério é mantido para óbitos – apenas casos suspeitos ou que apresentem a condição clínica serão testados.

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