Cotidiano

Aposta de informais, venda de máscaras de proteção caiu pela metade e alerta é para material utilizado

A venda de máscaras de proteção caseiras foi um alento para obtenção de renda de muitos em Campo Grande, logo após o Ministério da Saúde passar a recomendar o uso, há pouco mais de um mês. Porém, as vendas – conduzidas principalmente por informais – já apresentam queda, de acordo com o apurado pelo Jornal […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 11/05/2020, às 11h51

Imprescindíveis para sair de casa, máscaras já apresentam queda nas vendas | Foto: Ranziel Oliveira | Midiamax
Imprescindíveis para sair de casa, máscaras já apresentam queda nas vendas | Foto: Ranziel Oliveira | Midiamax - Imprescindíveis para sair de casa, máscaras já apresentam queda nas vendas | Foto: Ranziel Oliveira | Midiamax

A venda de máscaras de proteção caseiras foi um alento para obtenção de renda de muitos em Campo Grande, logo após o Ministério da Saúde passar a recomendar o uso, há pouco mais de um mês. Porém, as vendas – conduzidas principalmente por informais – já apresentam queda, de acordo com o apurado pelo Jornal Midiamax.

Sites de vendas on-line como o OLX seguem cheio de anúncios, com máscaras variando de R$ 5 a R$ 15, em média, a depender do material e da quantia. Assim, para vencer a concorrência e a queda na procura, agora os vendedores apostam em diferenciais, como modelos mais anatômicos e materiais que oferecem mais proteção.

Aposta de informais, venda de máscaras de proteção caiu pela metade e alerta é para material utilizado
OLX, vendedores apelam para criatividade em meio a dezenas de anúncios de máscaras | Foto: Reprodução | OLX

“De início a gente estava fazendo com a camada dupla, mas agora temos o molde de uns modelos mais anatômicos, com camada tripla, de algodão 100% ou de tricoline, que é pro pessoal não ficar mexendo muito pra ajutar. A maioria compra duas ou quatro unidades. Mas, as vendas já caíram bastante”, conta a costureira Inês Vilela, de 48 anos, que vendeu mais de três mil unidades até agora. “Perdi a conta, mas agora as vendas caíram. Semana passada vendi umas 200, somente”, conta.

A preocupação com a qualidade da máscara é a nova fronteira na aquisição dos itens de proteção. Devido a ausência de estudos que afirmem a eficácia dos modelos confeccionados e, principalmente, a falta de critérios técnicos na confecção, há o risco na utilização de alguns modelos, simples e com tecidos com baixa capacidade de proteção. Ainda assim, mesmo os modelos mais simples são melhores que não usar nada.

“Nossas máscaras são de tricoline com camada dupla. Também fazemos com algodão. Esses foram os dois tecidos recomendados. Mas a gente vê muito modelo mais simples à venda, mais baratos”, diz a costureira. “Tive a preocupação de seguir o que o Ministério da Saúde já recomendou”, acrescenta.

Mudança de ramo

Aposta de informais, venda de máscaras de proteção caiu pela metade e alerta é para material utilizado
Foto: Ranziel Oliveira | Midiamax

O vendedor ambulante Nelson Gomes, de 51 anos, atuava como motorista de aplicativo antes da pandemia. Com a queda no número de passageiros, ele e a esposa apostaram na venda das máscaras para obter renda. Há cerca de um mês, o negócio deu fôlego nas finanças da família, mas a queda nas vendas já é percebida.

“Ela fabrica e eu vendo. Eu vendia cerca de 100 por dia, agora o número diminuiu, vendo umas 50”, revela Gomes, que opina: “E a gente ainda vê muitos sem máscara. Eu cobro R$ 5, é barato. Acho que as vendas caíram, em parte, porque muitos já compraram e também porque outros não se importam em se proteger”, comenta.

Aposta de informais, venda de máscaras de proteção caiu pela metade e alerta é para material utilizado
Foto: Ranziel Oliveira | Midiamax

Também ambulante, Steffany Fernandes atuava como atendente de telemarketing até ser demitida, em razão da pandemia. Para sustentar a filha de 5 meses e complementar a renda, Steffany passou a dedicar as noites à confecção das máscaras, que são vendidas por ela durante o dia na região central.

“Antes, no início, eu vendia até 80 máscaras. Hoje, são no máximo 20. Faço três modelos, uma de  algodão 100%, a R$ 7. Tenho de tricoline, custando R$ 5. E também de malha fria, a R$ 5. Eu fabrico usando luva e máscara e antes de embalar ainda passo álcool, que é para a pessoa que comprar já poder usar na hora, higienizada”, destaca.

Atenção na hora de comprar

De acordo com a cirurgiã vascular da Unimed Campo Grande, Marília Galhardo, a eficiência no uso das máscaras caseiras vai depender de alguns fatores, que levam em conta desde a confecção e materiais utilizados, como o manuseio.

“É importante lembrar que a máscara funciona como uma barreira física, ou seja, as nossas gotículas de saliva e secreções ao espirrar não vão sair da máscara, porém, a trama do tecido por ser muito aberta, pode fazer com que partículas virais acabem saindo”, destaca.

Aposta de informais, venda de máscaras de proteção caiu pela metade e alerta é para material utilizado
Confecção de máscaras | Foto: Divulgação | Governo de MS

Segundo a cirurgiã, também é importante higienizar muito bem as mãos com água e sabão e, na ausência deles, com álcool 70%, além de manter distância de pelo menos 1 metro e meio de outras pessoas ao sair nas ruas e evitar colocar a mão no rosto.

A máscara caseira deve ser confeccionada em dupla camada de tecido, que pode ser algodão, tricoline, malha, TNT ou algum outro que você tenha em casa. Ela deve cobrir o nariz, a boca e ficar bem acoplada à lateral do rosto. O item também não pode ser compartilhado e nem emprestado, nem mesmo a familiares. A utilização não deve ser superior a 2 horas e deve ser trocada imediatamente se estiver úmida.

Antes de retirá-la do rosto, porém, é importante higienizar as mãos e segurar pelo elástico, sem tocar o tecido, dobrá-la, e guardar em um saco plástico para ser higienizada em casa. A higienização das máscaras, por fim, deve ser feita com água e sabão e depois, deixada de molho por pelo menos 10 minutos em solução com 10 ml de água sanitária para 500 ml de água.

Jornal Midiamax