Cotidiano

Além de enfrentar surto de coronavírus, Guia Lopes anuncia briga contra as ‘fake news’

Na tarde deste sábado (9), o prefeito Jair Scapini, de Guia Lopes da Laguna –a 233 km de Campo Grande–, foi às ruas para verificar se a população cumpria a determinação de fechamento geral da cidade. O “lockdown” foi decretado em meio à expansão repentina de casos de coronavírus (Covid-19) no município e, embora para […]

Humberto Marques Publicado em 09/05/2020, às 16h34 - Atualizado em 10/05/2020, às 11h13

Praça central de Guia Lopes da Laguna, cidade que enfrenta surto de Covid-19 | Foto: Reprodução
Praça central de Guia Lopes da Laguna, cidade que enfrenta surto de Covid-19 | Foto: Reprodução - Praça central de Guia Lopes da Laguna, cidade que enfrenta surto de Covid-19 | Foto: Reprodução

Na tarde deste sábado (9), o prefeito Jair Scapini, de Guia Lopes da Laguna –a 233 km de Campo Grande–, foi às ruas para verificar se a população cumpria a determinação de fechamento geral da cidade. O “lockdown” foi decretado em meio à expansão repentina de casos de coronavírus (Covid-19) no município e, embora para o chefe do Executivo a população finalmente entendeu a gravidade da situação, algumas manifestações dão a entender que o trabalho de conscientização poderá ser penoso, graças às famigeradas “fake news”.

Em vídeo que começou a ser distribuído em redes sociais –e que virou “caso de polícia”–, dois moradores de Guia Lopes afirmam estar entre os 20 casos confirmados, até o momento, da doença na cidade. Em um sofá na calçada, aparentam não cumprir as determinações de quarentena –que cobram isolamento total dos doentes por prazo suficiente para o organismo suprimir o vírus.

Em um misto de reclamações sobre o que a doença estaria lhes causando (como o impedimento de visitas no Dia das Mães ou sintomas como febre e disenteria), comentários direcionados a autoridades como o prefeito e piadas, falam da situação e de suas suspeitas sobre o motivo de a doença não ter chegado forte ao município –algo atribuído ao calor de dias atrás, mas que, com o frio, haveria aumento de casos (a questão climática como facilitador da circulação do coronavírus ainda não é consenso entre autoridades de saúde). “Eu acho que as pessoas no mês passado tinham de ter se isolado para não passar para a gente”, conta um dos personagens.

A reportagem optou por não divulgar a gravação ou identificar seus responsáveis, que foram visitados pelas autoridades, segundo informou o secretário municipal de Saúde, Marcelo Gonçalves de Almeida: a Promotoria de Justiça e a Polícia Militar foram acionadas para, com a equipe da pasta, irem à casa dos responsáveis pela gravação.

“Fizemos orientação de que, na próxima vez que algo assim ocorrer, eles serão autuados e presos. Os dois estão cientes”, afirmou o secretário, apontando que uma das pessoas da gravação sequer foi testada para o coronavírus.

Conscientização

Almeida afirma que uma das preocupações no momento é, justamente, alertar a população sobre o que as notícias falsas acerca do coronavírus podem provocar. “Explicamos a eles o que essa brincadeira pode acarretar e estamos acompanhando tudo, buscando quebrar todo o tipo de fake news. Fazemos lives praticamente diárias e vamos na rádio local falar sobre isso a fim de trazer tranquilidade à população”, declarou.

Questionado sobre a situação, Scapini lamentou. “É muito triste isso”, disse. “Em vez de levar a sério, cria outro problema”.

O vídeo começou a ser distribuído no mesmo dia em que o prefeito viu uma maior adesão da cidade ao lockdown. “A cidade parou. Hoje, véspera do Dia das Mães, era para estar tudo movimentado. Mas estou vendo que aderiram. Foi preciso um ‘choquezinho’”, afirmou, referindo-se à escalada da Covid-19 na cidade.

Neste sábado, Guia Lopes manteve a primeira posição em incidência do novo coronavírus no Estado, com índice de 202,1 a cada 100 mil pessoas –11 vezes o índice de Campo Grande, que tem 153 casos e incidência de 17 por 100 mil. Após já ter adotado medidas restritivas contra a doença, o prefeito decidiu apertar o cerco decretando o lockdown, no qual as pessoas podem sair duas vezes por semana de suas casas, a partir do mês de aniversário, e apenas para acessar serviços essenciais (como supermercados e farmácias).

“Hoje eu senti que a população começou a entender. De manhã havia gente na rua, mas depois das 10h começaram a voltar para casa. Antes ninguém acreditava na doença, mas agora estão vendo”, destacou Scapini.

Jornal Midiamax