Suicídios sobem 32% em três anos e Capital tem déficit de 244 leitos psiquiátricos

Números constam em recomendação feita pela 32ª Promotoria de Justiça de Campo Grande

De 2015 a 2018, Campo Grande registrou aumento de 32% nas mortes causadas por suicídio notificadas oficialmente à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública), enquanto que a quantidade de tentativas entre 2014 e o ano passado subiu 33%. Os números fizeram com que o Ministério Público cobrasse medidas para frear a situação.

Em recomendação feita no Diário Oficial do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a 32ª Promotoria de Justiça pediu que a Sesau implemente em 60 dias mais 244 leitos psiquiátricos em Campo Grande, visando atender pacientes com transtornos diversos e, especificamente, os relacionados a álcool e drogas.

Segundo os dados apresentados pela promotoria, comandada pela promotora Filomena Fluminhan, Mato Grosso do Sul foi apontado ao lado de outros cinco estados – RS, SC, AM, RR e PI – em nota técnica do Ministério da Saúde como um dos locais onde mais acontecem ocorrências do tipo no Brasil.

A nota ainda indica que são necessárias ações prioritárias de prevenção ao suicídios nesses estados. O MP revela que, em 2015, foram 49 suicídios consumados e notificados em Campo Grande, subindo para 51 em 2016, 70 em 2017 e 73 em 2018.

Já as tentativas, que em 2014 eram 750, aumentaram para 812 em 2015 e 868 em 2016. Em 2018, o número bateu a marca de 1.086 tentativas, chegando a 1.127 no ano passado, evidenciando um aumento gradativo e considerável de casos recentes.

A recomendação do Ministério da Saúde é que haja um leito hospitalar psiquiátrico por 2,2 mil habitantes nos municípios, sendo que Campo Grande deveria contar com 403 leitos do tipo atualmente, mas conta com apenas 159.

Destes, apenas 65 são do SUS (Sistema Único de Saúde), segundo o MPMS apresenta na recomendação. Os leitos estão em sua maioria no Hospital Nosso Lar, com 53 vagas enquanto os 12 restantes ficam no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul.

O prazo para que a Sesau e a prefeitura da Capital respondam a recomendação após serem notificado é de 10 dias. Caso ela a situação persista, a promotoria pode entrar com uma ação judicial, no intuito de obrigar juridicamente a implementação das medidas solicitadas. Essa recomendação faz parte de uma série de outras feitas pela 32ª Promotoria de Justiça na área da saúde de Campo Grande.