Repelente, vitamina B e incenso: o que de fato ajuda a espantar o Aedes?

Além de acabar com os criadouros do mosquito, outras ações podem ser eficazes

Mato Grosso do Sul está em 3º lugar no ranking de Estados Brasileiros com maior incidência de dengue, ficando atrás do Acre e Tocantins, conforme divulgado pelo Ministério da Saúde na manhã desta segunda-feira (25). No Estado os dados mostram que são 368,1 casos/100 mil habitantes. Diante dessas informações, será que estamos tomando os cuidados necessários para prevenção contra o mosquito , transmissor da doença? Quais deles de fato são eficazes?

De acordo com o Ministério da Saúde, a melhor ação contra o mosquito continua sendo a atuação consciente e permanente da população. Não se deve esperar a epidemia para prevenir. “A principal ação que a população tem é se informar, conscientizar e evitar água parada em qualquer local em que ela possa se acumular, em qualquer época do ano”.

Manter os terrenos, quintais limpos é dever de casa para todos os dias, inclusive, não basta esperar que o mosquito comece a aparecer para se preocupar com aquele vasinho de planta acumulando água ou com a piscina que está parada em desuso e aberta, pronta para a proliferação do Aedes.

Já em época de epidemia, além dos cuidados com a casa, é importante se preocupar com os cuidados pessoais. Repelentes e inseticidas podem e devem ser adotados na prevenção a doenças transmitidas pelo Aedes – vale lembrar que além da dengue, vírus zika e febre chikungunya também são transmitidas pelo mosquito.

Quais os repelentes são eficazes no combate ao Aedes?

De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) os repelentes de pele classificados como cosméticos, devem conter as seguintes substâncias sintéticas registradas, todas permitidas para uso em gestantes.

– IR3535: o uso tópico de repelentes a base de EBAAP (Ethyl butylacetylaminopropionate) a duração da ação dos repelentes que usam esse princípio ativo, como a loção antimosquito Johnson’s, entretanto, é curta e precisa ser reaplicado a cada duas horas. Permitido para crianças entre 6 meses e 2 anos, sob orientação do pediatra.

– DEET: apesar do uso tópico de repelentes a base de dietiltoluamida ser considerado seguro em gestantes, o produto não deve ser utilizado em crianças menores de 2 anos. Já para crianças entre 2 e 12 anos, a concentração do princípio ativo deve ser de no máximo 10% e a aplicação deve ser feita, no máximo, três vezes por dia. O tempo de ação desses repelentes recomendado para adultos (concentração de 15% do ativo), como os produtos OFF, Autan, Repelex, é de cerca de 6h. Já a versão infantil dura apenas duas horas.

– Icaridin: por oferecer o período de ação mais prolongado, os repelentes a base de dietiltoluamida, como o produto Exposis, estão sendo os mais procurados por adultos e gestantes. Com duração de proteção de até 10 horas. O uso só deve ser feito em crianças a partir de 2 anos.

Os inseticidas, ou repelentes de ambientes, contém dezenas de substâncias ativas, em sua maioria piretroides. Mas todos os produtos registrados pela Anvisa, tiveram sua eficácia comprovada para a ação contra o mosquito .

Vale lembrar

– Repelentes de uso tópico devem ser aplicados nas áreas expostas do corpo e por cima da roupa. A reaplicação deve ser realizada de acordo com indicação de cada fabricante.

– Para aplicação de spray no rosto ou em crianças, o ideal é aplicar primeiro na mão e depois espalhar no corpo, sempre de lavando as mãos com água e sabão depois da aplicação. Em caso de contato com os olhos, lavar imediatamente a área com água corrente.

Como eu sei que o produto é registrado pela Anvisa?

No rótulo do produto deve conter o número de registro da agência ou do processo do produto. Cosméticos ou repelentes de pele o número aparece, normalmente como Reg.MS – X.XXXX.XXXX.  Começando com o algarismo 2 e contendo nove dígitos.  Já os repelentes de ambiente, ou inseticidas, o registro começa com o número 3 e também possui nove dígitos.

Ingerir vitamina B ajuda a se proteger contra o mosquito?  

Não, segundo a Anvisa, não há nenhuma comprovação de que a ingestão de qualquer medicamento seja eficaz na proteção contra o mosquito , então cuidado.

E as receitas que a gente encontra na internet?

Os famosos inseticidas naturais, que a gente faz em casa, com citronela, andiroba, óleo de cravo, entre outras substâncias, não tem comprovação cientifica de eficácia, menos ainda aprovação da Anvisa.

Portanto aquela vela, odorizante de ambiente, incenso com propriedades que indicam ser repelentes de inseto não estão aprovados pela agência. Portanto o uso não é eficaz no combate ao Aedes.

Denúncias

Denunciar situações de possível proliferação do mosquito também é uma forma de prevenção.
Caso na sua vizinhança existam residências fechadas, ou até mesmo aquela casa onde o vizinho não tem o hábito de limpeza, a prefeitura de Campo Grande orienta a formalizar a denúncia através da ouvidoria do SUS – 3314-9955. Uma equipe será encaminhada para o local e analisar a situação, bem como a remoção de materiais que possam acumular água.

Agora se o problema for em terreno baldio, a denúncia deve ser formalizada junto a Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) através do número 156.

 

 

Repelente, vitamina B e incenso: o que de fato ajuda a espantar o Aedes?
Mais notícias