VÍDEO: Transformação de hotel em condomínio deve presentear Centro com mosaico de Manoel de Barros

Prefeitura anunciou nesta segunda (19) revitalização do Hotel Campo Grande, que deve se tornar o Condomínio Menino do Mato

A utilização de imóveis desocupados nas regiões centrais para habitação é uma tendência mundial. E é o que a Prefeitura de Campo Grande pretende fazer com as instalações do antigo Hotel Campo Grande, na Rua 13 de Maio – o Condomínio Menino do Mato, que vai ter até mosaico para dar cara nova ao Centro.

Gabriel Gonçalves detalha projeto anunciado nesta segunda e que causou frisson na cidade | Foto: Guilherme Cavalcante | Midiamax

“Estamos nos baseando em conceitos de sustentabilidade e de mobilidade urbana, atualizando as noções que a gente tem atualmente, para promover uma ocupação das regiões que se tornam menos frequentadas quando o comércio fecha”, explica o arquiteto Gabriel Gonçalves, diretor de Habitação e Programas Urbanos da Emha (Agência Municipal de Habitação).

É com base nestes conceitos que, a propósito, o projeto de destinação do edifício não contará com vagas de garagem e disporá de um recurso chamado de fachada ativa, que é quando os primeiros pavimentos tem utilização comercial ou institucional. A ideia é que no térreo haja uma base da Guarda Civil Metropolitana no primeiro pavimento, e possivelmente uma unidade da Emha no térreo.

Mas há outros grandes diferenciais. Por exemplo, a obra contará com recursos de vedação solar feitos com chapas de ferro e grafismos que devem presentear o Centro com um grande mosaico do poeta Manoel de Barros. “Menino do Mato”, a propósito, é uma obra do poeta. E cada andar trará referências a poemas de Barros.

Mosaico e habitação popular

A proposta, que ainda depende de recursos, prevê a reestruturação do antigo hotel para 117 unidades habitacionais, sendo 57 apartamentos de 30,98m² e 65 de 28,15m². Mas, para quem eles serão destinados?

Segundo Gonçalves, ainda é arriscado bater o martelo, até porque a viabilidade do projeto depende de alguns fatores, tais como liberação de pelo menos R$ 38 milhões, dos quais R$ 13 milhões são estimados para a desapropriação e R$ 25 milhões para reforma e adequações.

Mas o que já é fato é que as unidades serão voltadas para pessoas de baixa renda, ou seja, que ganham até 5 salários mínimos, sendo prioridade quem ganha até 3. “Ainda é complicado dizer que vai ser, por exemplo, faixa 1,5 ou 2 do Minha Casa Minha Vida, já que o programa está sendo reestruturado e essas faixas podem mudar. Inicialmente, mantemos nessa faixa de até 3 salários mínimos”, detalha o arquiteto.

Projeto prevê até uma praço acima dos primeiros pavimentos | Foto: Divulgação | Emha

Segundo o diretor, o projeto prevê a reforma dos antigos quartos de hotel em apartamentos de pequena dimensão. E isso tem um propósito: “Acreditamos que desta forma iremos atrair uma população mais jovem, que faz parte da equação de ocupação do Centro. A vida noturna, por exemplo, pode ser fomentada”, detalha. Confira abaixo galeria com croquis do projeto:

Para sair do papel

A ideia de transforma o hotel em habitação atende exigência de financiadores de projetos milionários, como o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que liberou os recursos do Reviva Campo Grande. O projeto foi apresentado em 2018 tenta recursos do programa federal “Pró-Moradia”, que destina dinheiro para desapropriação e reforma de prédios abandonados nos centros das cidades.

fachada atual do hotel Campo GRande
Fachada do Hotel Campo Grande poderá ser transformada e dar mais vida ao Centro de Campo Grande | Foto: Leonardo de França | Midiamax

O projeto, no caso, é encarado por Brasília como um projeto-piloto, muito embora iniciativas semelhantes devam emergir em outros locais, como próximo ao Horto Floresta – A Vila dos Idosos – e também no Belas Artes.

Ainda há muito para ocorrer até que a cidade confira o prédio como uma realidade. Mas o projeto é ousado. Se for desapropriado, teria o térreo destinado a um setor de atendimento do município e, no piso superior, a base da Guarda Municipal do Centro.

A mudança de governo em Brasília é ainda o maior entrave, já que fez com que financiamentos e diversos programas simplesmente parassem. Todavia, a notícia que se tem é que desde a última semana os projetos voltaram a ser analisados. Nesta segunda-feira (19), o prefeito Marquinhos Trad está em Brasília, onde articula a viabilidade do projeto.

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