Profissões: veja as áreas que devem sumir ou estar em alta nas próximas décadas

De acordo com a pesquisa, o cargo de assistente administrativo e auxiliar de escritório tem 96% de risco de serem automatizados

A tecnologia está revolucionando o mercado de trabalho e também a forma como as pessoas vivem no dia a dia. Diversas pesquisas de universidades, como Coppe/UFRJ, FGV e da consultoria McKinsey, apontam que mais da metade dos postos de trabalho no Brasil correm alto risco de serem automatizados nas próximas décadas. Por isso, é importante se preparar para atravessar essas mudanças.

Depois da revolução tecnológica no trabalho agrícola e industrial, os especialistas apostam que a nova onda de automação afetará os trabalhos ligados a prestação de serviços, majoritário nas grandes cidades. Algoritmos e a inteligência artificial já conseguem realizar algumas tarefas simples, e assim, cargos administrativos, burocráticos e padronizados são os mais ameaçados.

Dados da pesquisa da Coppe/UFRJ mostram que o cargo de assistente administrativo e auxiliar de escritório, que empregam mais de 4 milhões de pessoas no país, tem 96% de risco de serem automatizados na próxima década, e o profissional de telemarketing, 99% de risco. Para as empresas, isso representa uma redução nos custos, para os trabalhadores, um enorme desafio de continuar útil. A análise dos dados apontam que os cargos mais afetados serão os com os menores salários e menor nível de escolaridade.

Esse processo está ocorrendo em todo o mundo. O estudo da consultoria McKinsey estima que entre 3% a 14% dos trabalhadores terão que mudar de área de atuação até 2030. No Brasil, a estimativa é de até 10%. “Em outros países, a automação está mais avançada, mas a diferença é que em países desenvolvidos, diferente do Brasil, a população está diminuindo e possui um alto grau de educação” afirma Björn Hagemann, sócio sênior da McKinsey.

Os especialistas em Recursos Humanos alertam que os trabalhadores devem ficar atentos se a sua área de atuação está ameaçada de automação. Além disso, desenvolver mais habilidades de relacionamento, como simpatia e convencimento. “Com o avanço tecnológico o risco é se tornar um inútil para o mercado. É preciso ficar atento as tendências e ver o que surge de oportunidade com essa transformação. Mas, o que se entende, é que as empresas vão valorizar mais do que nunca a relação humana e a capacidade de se adaptar e aprender” afirma Antonio linhares, Diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro.

Nos Estados Unidos, o Walmart e a Amazon, as duas maiores varejistas, estão implementando lojas que funcionam sem nenhum atendente. O comprador registra e paga sozinho pelos produtos. “O varejo será uma das áreas mais impactadas com a substituição do atendimento pelo autoatendimento, o crescimento do E-commerce e a própria digitalização dos processos”, afirma Yuri Lima, pesquisador da Coppe/UFRJ, cuja pesquisa aponta um alto risco de automação de cerca de três milhões de cargos da área no país.

No Brasil, não se espera o fim do atendimento humano tão cedo, mas que o consumidor tenha a escolha entre fazer o seu pedido em uma máquina ou com um atendente.

Entre as atividades econômicas que serão severamente atingidas pela substituição de humanos pelas máquinas estão os operadores de telemarketing. As transformações já começaram há mais de cinco anos, levando à demissão de milhares de trabalhadores.

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