Desmatamento no Parque dos Poderes ameaça fauna e flora, diz ambientalista

O Parque dos Poderes é um dos importantes hotspots de observação de aves existentes na cidade

Com a afirmação do governador Reinaldo Azambuja, do PSDB, de que vai prosseguir com o projeto de desmatar áreas de mata nativa no Parque dos Poderes, para construção de estacionamentos e prédios, ambientalistas de Campo Grande clamam por conscientização por parte dos administradores.

A principal preocupação, é que toda a área é um importante observatório do Cerrado brasileiro, que recebe visitas o ano inteiro e tem grande peso no equilíbrio natural. “Decisão equivocada, tomada sem pensar na qualidade de vida da comunidade e muito menos nas inúmeras espécies da fauna e da flora do Cerrado” aponta a bióloga e educadora ambiental, Simone Mamede, 46, ativa na causa de defesa ambiental há mais de 20 anos.

Para ela, os administradores públicos deveriam dar mais importância a causa, por termos o Cerrado como ecossistema nativo da região. “O Cerrado brasileiro é o segundo bioma mais ameaçado do país e necessita de um olhar especial dos gestores e tomadores de decisão. Desmatar áreas deste bioma implica na destruição de habitas de muitas espécies e na desestruturação redes de interações”, destaca.

Ave chorozinho-do-bico-comprido, endêmico do Cerrado e tem no Parque dos Poderes. Foto: Simone Mamede

Espécies endêmicas

Campo Grande é reconhecida como a Capital do Turismo de Observação de Aves, onde o Parque dos Poderes é um dos importantes hotspots (reserva de biodiversidade) de observação de aves existentes na cidade. Por aqui encontramos mais de 160 espécies de pássaros, em que há duas exclusivamente endêmicas, que só sobrevivem no Cerrado e com grande preservação.

“Tal interferência estará colocando em risco a sobrevivência destas e inúmeras outras espécies que vivem na área do Parque dos Poderes. Entre as espécies endêmicas estão soldadinho e pula-pula-de-sobrancelha que são espécies de aves exclusivas e exigente em ambientes conservados”, explica a bióloga Mamede.

Publicação para chamar as pessoas a participar do abaixo-assinado. Foto: Reprodução Facebook.

Sem deixar de levar em consideração que os humanos também irão perder com essa decisão. “Com a diminuição da vegetação também diminui o conforto térmico e outros serviços ambientais que a natureza proporciona. Todos perdem conforto, alegria, habitat, prazer do encontro com as espécies.

Movimentos

O instituto Mamade também estará na manifestação de domingo (14), contra o desmatamento do Parque dos Poderes, tudo para que o Governo volte atrás na ideia do desmatamento da região. “Almejamos que freiem essa barbárie, que reconheçam o valor das diversas formas de vida, que possam ao menos pensar em alternativas mais sustentáveis onde todos possam coexistirem. Sem destruição e morte em nome do concreto e do pseudodesenvolvimento”, concluiu a ambientalista. Para quem apoia a causa, o Coletivo Jovem de Meio Ambiente MS está fazendo um abaixo-assinado contra a iniciativa do Governo.

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