Não importa a idade, inscritos veem no Encceja 2ª chance para estudar

Em Mato Grosso do Sul são 101.359 inscritos no exame

Buscando o certificado de conclusão do ensino fundamental, foram 101.359 inscritos em Mato Grosso do Sul realizam as provas do Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos) aplicadas em 611 municípios de todo o Brasil, neste domingo (25). Entre eles estão Maria Lúcia da Silva, de 45 anos, que parou de estudar porque o marido foi diagnosticado com câncer.

Vinda de Terenos, a 28 quilômetros de Campo Grande, Maria Lúcia saiu da escola ainda na sétima série. Ela não lembra qual a idade tinha, mas já era casada e servidora no município. “Sai da escola porque meu marido teve câncer, eu já era velhinha”, contou.

Pela terceira vez realizando o exame, ela já tentou voltar para a escola, mas perdeu o ânimo por conta do cansaço. “Eu era uma das mais velhas da turma e a gurizada não queria nada com nada. Eu não conseguia estudar, chegava cansada por conta do trabalho, decidi parar”, explicou.

Mãe de duas filhas que já estão na faculdade, Maria Lúcia conta que o maior incentivo vem das suas meninas. “Minhas filhas são as que me incentivam mais. Eu quero conseguir porque tenho vontade de dizer quando as pessoas perguntarem que pelo menos tenho o fundamental completo” afirma.

Questionada sobre ser a terceira vez realizando, Maria Lúcia declara confiante “Já tentei outras vezes, mas hoje eu consigo”.

Fernando Alves. (Henrique Arakaki, Midiamax)

Dezesseis anos mais jovem que Maria Lúcia, Fernando Alves, 26 anos, também parou de estudar na sétima série, mas no caso dele a interrupção veio para trabalhar. “Eu optei pelo trabalho, parei de estudar ainda aos 13 anos, fiquei metade de minha vida fora da escola. Acho importante terminar o fundamental e depois continuar estudando”, disse.

Fernando realiza a prova pela primeira vez, e sobre tentar em uma turma regular na escola, ele desabafa que o cansaço do dia corrido no trabalho não ajuda na hora de estudar, mas pretende ainda entrar em uma faculdade. “Eu dei prioridade pro trabalho, mas quando a gente volta pra escola o primeiro pensamento é tentar uma faculdade. É difícil minha situação, mas não custa tentar. Se você não toma a iniciativa faz nada hoje em dia”, conclui.

Incentivo de mãe

Rosa Josiane incentivando o filho de 17 anos a terminar os estudos. (Henrique Arakaki, Midiamax)

Por outro lado, Rosa Josiane, 36 anos, veio de Terenos trazer o filho de 17 anos para realizar a prova. “Ele mora comigo na fazenda. A gente trabalha lá. Ele reprovou a terceira série e aí atrasou tudo, mas ele tá na escola. Quero ver se a gente consegue colocar em dia com o exame”, explica.

Mãe de cinco filhos, Rosa conta que deseja que o mais velho seja o exemplo para os irmãos. “Ele é o exemplo para os irmãos. Vai ser o primeiro da família a concluir os estudos. Eu incentivo todos eles a estudarem. Quero que eles alcancem coisas melhores”, diz orgulhosa e cheia de esperança.

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