Prefeito diz que fará seleção para contratar novos professores da educação especial

Prefeitura informou que havia 'indicados' entre dispensados, que rebateram a afirmação

Após os pais de alunos protestarem contra o desligamento de professores que atuavam como APE (Auxiliar Educacional Especializado), o prefeito Marquinhos Trad (PSD) afirmou em agenda nesta quinta-feira (18) que os professores dispensados eram ‘indicações políticas’ e que novos profissionais seriam contratados através de processo seletivo. Os professores rebatem afirmação.

A reportagem do Jornal Midiamax entrou em contato com a assessoria de imprensa da Semed (Secretaria Municipal de Saúde) e foi informada que ainda não há um balanço sobre quantos professores serão dispensados. Conforme a secretaria, profissionais serão substituídos por assistentes da educação inclusiva.

Trad afirmou que logo os profissionais serão repostos e questionou a qualificação dos professores dispensados.

“Os professores que vão entrar agora fizeram um processo seletivo juntamente com aqueles que já estavam. Aqueles que foram qualificados vão entrar por mérito. Aqueles que estavam, estavam por indicação política. Você prefere que o seu filho fosse atendido por um professor indicado por um vereador, por uma mãe de um candidato ou por ter ajudado político, ou por ter passado no processo seletivo? Mas os apoiadores, inclusive, são mais qualificados que eles”, respondeu o prefeito.

Confira a nota na íntegra da Semed:

A Semed informa que ainda não há o balanço do número de Assistentes Pedagógicos Especializados dispensados. Ressaltamos que eles serão substituídos pelos Assistentes de Educação Inclusiva, devidamente aprovados em processo seletivo, amparado pela Lei de Diretrizes e Bases. Nesse processo seletivo participaram mais de dez mil candidatos para 200 vagas. Tais profissionais têm formação de Normal Médio ou Magistério, porém , muitos contam com graduações e pós-graduação, mesmo não sendo uma exigência do concurso. É importante destacar que todos passarão por capacitações e formações aplicadas por técnicos da Divisão de Educação Especial da Reme, que irá acompanhar o trabalho dos selecionados junto aos alunos. Devem ser convocados, em um primeiro momento, 150 candidatos e os demais, podem ser chamados até o final do ano“, disse.

Professores rebatem

No entanto, os professores que foram dispensados rebatem a afirmação e relatam que, diferente do que o prefeito justifica, todos os profissionais APE foram contratados através de um processo seletivo. Um desses editais teria acontecido em 2018.

“Trabalho com alunos autistas, passamos por processo seletivo. Levamos o nosso diploma, cursos, tudo relacionado com alunos especiais. Houve uma classificação, não houve indicação de ninguém”, afirmou profissional ao Midiamax.

O processo seletivo, com edital n° 36/2018, tem uma classificação com 600 profissionais e detalha, além da classificação, horários e locais em que os educadores se apresentariam. “Eu não fui indicada por ninguém, eu estudei e passei por um processo seletivo”, reivindicou outra professora.

Atualmente, 820 APEs atuam na Reme (Rede Municipal de Ensino). São mais de 2,5 mil alunos atendidos por profissionais APE, cada um atende 6 alunos, e de acordo com os professores, até sexta-feira (19), 342 serão dispensados.

Mães preocupadas

Janaína Freitas é mãe de um menino autista de 11 anos. Ela acredita que sem o auxílio de um APE, o filho irá regredir pedagogicamente.

“Sem o profissional, com certeza meu filho vai regredir. Antes do APE, ele ia para a casa com o caderno branco e só tirava nota zero, o rendimento dele era baixíssimo. Após o acompanhamento deste profissional ele passou a ter notas boas, evoluiu muito no aprendizado pedagógico e só tem crescido.”

Elenice Duarte, mãe de um garoto autista de 9 anos, lembra que em 2017 fizeram essa ruptura no meio do ano. “Foi extremamente prejudicial ao meu filho, pois existe um período para estabelecer um vínculo e essa ruptura prejudicará o rendimento das crianças”, aponta.

Conforme os pais, os APEs serão substituídos por outros profissionais, porém, sem especialização. “A gente não precisa de babá, respeito muito o pessoal do Ensino Médio, mas sei que os APEs são capazes de garantir aos meus netos, um futuro melhor”, afirmou Solange Viana, de 62 anos, avó de dois netos autistas.

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