Lixo em terrenos faz Noroeste ser o bairro campeão em focos de dengue

Moradores 'fazem o dever de casa', mas terrenos baldios são um problema

Os moradores do Noroeste, bairro campeão em focos de dengue neste ano em Campo Grande, afirmam que fazem a sua parte para deixar os quintais de casa limpos, mas que lixo e entulhos deixados em terrenos baldios acabam contribuindo para deixar bairro no topo dessa lista.

Moradora há poucos meses na região do Noroeste, Edineide Aldenora da Silva, de 47 anos, afirma que já viu bairros mais sujos e se espantou ao saber que o novo local que escolheu para morar, lidera com mais casos de focos do mosquito.

Lixo em terrenos faz Noroeste ser o bairro campeão em focos de dengue
Edineide da Silva | Foto: Leonardo de França/Jornal Midiamax

“Eu sempre procuro deixar meu terreno limpo, não deixo água parada, não deixo as plantas acumularem água, justamente para evitar que o mosquito se prolifere”, comentou a manicure com a reportagem.

Edineide tem duas netas e, por já ter sido infectada pelo mosquito, toma os devidos cuidados para não deixar que as crianças fiquem doentes.

Mesmo com todo o esforço e proteção, a família da moradora não está livre de contrair dengue, zika ou chikungunya. Isso porque a reportagem fotográfica do Jornal Midiamax flagrou focos do mosquito se proliferando na água acumulada em vaso sanitário jogado em terreno próximo a casa da moradora. Confira o vídeo:

O lixo jogado nos terrenos baldios também é apontado como maior problema pelo comerciante Ladislau Martinez, de 50 anos. Ele comenta que os moradores estão sendo constantemente visitados e notificados pelos agentes de endemias da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) desta forma, acaba que o problema pode não estar nas residências.

Assim como Edineide, Ladislau limpa o seu terreno e também orienta os inquilinos. “Os moradores aqui da região sempre cuidam do seu terreno. Eu tenho uma vila de casas aqui perto e sempre cobro os moradores para deixar tudo limpo e não deixar acumular água”, comentou o comerciante.

Morando no Noroeste há 9 anos, Ladislau diz que já contraiu dengue duas vezes, mas em outro bairro que morava. “Eu até não imaginava que aqui fosse o bairro com mais focos, mas se realmente isso acontece eu acho que é por conta desses lixos pequenos nos terrenos, como vasilhas vazias de manteiga, né, porque acumula água dentro e aí no meio no matagal ninguém vê para poder retirar”, afirmou.

Com dois filhos, a comerciante Janaína da Silva Ramos, de 27 anos, disse que também toma todos os cuidados em casa para não deixar que os filhos contraiam dengue. “Eu não deixo garrafa destampada para cima, não deixo acumular água, sempre limpo o quintal em casa. Nunca tive dengue, mas a gente sempre ouve que moradores daqui contraíram”, disse.

Oito bairros com maiores focos

Campo Grande enfrenta um número preocupante de infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Segundo os últimos dados do Levantamento Rápido do Índice de Infestações por Aedes aegypti (LIRaa), oito bairros estão com classificação de alto risco de incidência do mosquito.

O bairro que mais sofre com focos e casos de dengue é o Bairro Noroeste. Conforme o levantamento, são 1.645 incidências. Seguido do Noroeste, vem os seguintes bairros:

Centro Oeste, com 1.271 incidências; Chácara dos Poderes, com 1.247; Nova Campo Grande, com 1.190; Los Angeles, com 1.157; Moreninhas, com 1.156; Veraneio, com 945 e a região do bairro Maria Aparecida Pedrossian, com 902 casos.

Ainda conforme a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), além de ações com o fumacê, a prefeitura realizou mutirões nesses bairros, vistorias e recolhimentos de materiais inservíveis. Mais de 15 toneladas de materiais foram recolhidas dos bairros listados.

Nesta quinta-feira (2), a SES (Secretaria de Estado de Saúde), confirmou a 16ª morte por dengue em Mato Grosso do Sul, sendo uma vítima de Corumbá, um rapaz de 18 anos, e uma mulher de 35 anos de Campo Grande. Com a nova vítima, a Capital chegou a sua sétima morte pela doença. Os óbitos de uma criança de sete anos e um policial de 60 anos estão sendo investigados em Campo Grande.

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