Grupo protesta contra desmatamento no Parque dos Poderes

Manifestantes querem criar ação popular para mudar lei

Desde o último sábado (26), um grupo se reúne no Parque dos Poderes, em Campo Grande, para informar à população sobre o desmatamento que pode acontecer na área.

O objetivo, conforme o engenheiro ambiental Caio Aspet, é chamar a atenção dos frequentadores para a questão. “Muita gente ainda não sabe o que está acontecendo e o risco de desmatamento que o parque corre. Nossa ação foi de conscientizar essas pessoas que não sabem e utilizam o local para lazer”, disse.

O grupo aproveitou que o local é interditado aos finais de semana para colocar faixas. Conforme Aspet, um laudo técnico ambiental já foi protocolado no MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) mostrando os reais impactos que poderão ser ocasionados pelo desmatamento.

“O laudo foi parar no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), que simplesmente o embargou. Não deram nenhuma resposta e foi a primeira área desmatada”, afirmou.

Ampliação do prédio do TJMS

No feriado de 12 de outubro, moradores da região do Parque dos Poderes ficaram revoltados com o desmatamento nas proximidades do prédio do Tribunal de Justiça, na esquina da Avenida Desembargador Neto do Carmo e Avenida Fadel Tajher Iunes.

Questionado sobre a ação, o TJMS informou que se trata de um procedimento regular devidamente autorizado pelo órgão competente de meio ambiente e amparado na Lei n° 5237 de 17 de julho de 2018. Na segunda-feira (14), a secretaria de comunicação do órgão afirmou que a área desmatada será destinada à ampliação do prédio do Tribunal.

Segundo TJMS, há autorização ambiental para supressão de vegetação na área, onde desmatamento é permitido | Foto: Reprodução | Facebook

Ainda conforme o TJMS, o setor desmatado é uma das áreas passíveis de supressão vegetal dentro do complexo do parque, definido pelo Programa de Preservação, Proteção e Recuperação Ambiental, e está amparado pela lei que estabeleceu a criação do Complexo dos Poderes.

Ação popular

Outro objetivo do grupo que vem realizando manifestações contra o desmatamento é alcançar 1% do eleitorado do Estado, para a criação de uma ação popular capaz de derrubar os 2 incisos da lei que permite o desmatamento do parque.

“Já existe uma petição online com mais de 11 mil assinaturas, só que essa petição não vale para a construção de uma ação popular, por isso, estamos mobilizando mais pessoas”, afirma Caio Aspet.

A próxima manifestação acontecerá na segunda-feira (28) em frente ao Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo. “O ministro do meio ambiente estará lá, também queremos chamar a atenção dele já que aquela área também pode ser desmatada. Vamos mobilizar uma campanha ali”, conta.

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