Consórcio Guaicurus reclama de gratuidades: o que você acha do fim do passe livre?

Consórcio Guaicurus apontou gratuidades como motivo para preço alto na tarifa, mas leitores se dividem sobre mudanças na isenção para alunos, idosos e pessoas com deficiência

Opiniões divididas. Assim foi a repercussão da matéria publicada na tarde da quarta-feira (11) – na qual entidades estudantis rebateram o Consórcio sobre a gratuidade no transporte público – entre leitores do Jornal Midiamax.

Nas redes sociais, parte dos leitores que comentaram a publicação partiu em defesa da gratuidade da passagem de ônibus, apontada pelo presidente do Consórcio Guaicurus, João Rezende, como um dos motivos do preço alto das tarifas e até para a péssima qualidade do serviço.

Entre as argumentações, leitores apontam que há subsídio para as gratuidades e que um eventual fim de isenção no passe de estudante não resolveria efetivamente nem a questão dos custos e nem da qualidade do serviço. Por outro lado, não falta quem creia que isenção de apenas 50% nas tarifas a estudantes – a meia passagem – seria suficiente: entre as argumentações contrárias à gratuidade total, está a defesa, por exemplo, de que estudantes sejam matriculados em escolas próximas de casa, de forma que pudessem se locomover à pé.

“Papo furado… Se tirar gratuidade do estudante, vai ser igual bagagem de avião: estudantes pagam, cai uns 10 ou 15 centavos por uns meses e depois de meio ano fica mais caro do que esta hoje e aí aparece outra desculpa”, considera o leitor Guilherme Signorini Feldens. O mesmo tom está no comentário de Anderson Oliveira Cardoso: “Eu duvido que tirando a gratuidade do estudantes essa tarifa fique baixa, isso é só a desculpa da vez”, completa.

O leitor Julio Cesar Xavier é um dos que questiona porque somente agora o fim da gratuidade se torna alvo de debate. “Porque, depois de anos e anos, só agora o benefício do passe do estudante é o vilão? Isso q dá essas licitações a longo prazo. No começo, todos que participam têm conhecimento das gratuidades e agora vêm com desculpas esfarrapadas”, defende.

Outro comentário, de Regina Prezoto, é ainda mais assertivo: “A passagem já é um absurdo de cara (…). Cheio de ônibus quebrado, banco quebrado. Quando chove, molha tudo a gente atrás dos ônibus. A gente sai cedo do serviço, chega em casa à noite pelo tanto que demora, e eles escondem do ônibus. E ainda vêm falar que é culpa de gratuidade de estudante… Faça o favor, né?”, comenta Regina Prezoto.

Sem gratuidade

Parte dos comentários da publicação surpreende, já que não faltaram leitores que defendessem o fim da gratuidade na Capital. O argumento é de que o valor é custeado pelos demais usuários e de que a melhor solução seria reduzir a isenção em 50%, o que geraria uma tarifa de aproximadamente R$ 1,98.

Passageiros em terminal de ônibus em Campo Grande. (Foto: Arquivo/Jornal Midiamax)

“Concordo plenamente, fiz faculdade nó começo dos anos 80 e o estudante tinha direito a 50% no vale transporte. Isso que é correto, tudo que é de graça ninguém dá valor. O trabalhador que paga seu vale transporte vêm em pé, enquanto que os estudantes que não pagam nada vão todos sentados, na maior bagunça no ônibus. Sou a favor do 50% do vale-transporte para estudantes como era antes”, opina Marise Weiss Penteado.

A leitora Neide Pereira também defende a volta da isenção de apenas 50% da tarifa. “Antigamente os estudantes pagavam 50%. Hoje, não pagam nada por isso. Estão sobrando vagas nas escolas dos bairros, até fechando escola. Aí quem acaba pagando são os trabalhadoras”, diz.

Leitores que são contra a gratuidade também sugerem que a necessidade da gratuidade seria desnecessária se os estudantes estivessem matriculados em escolas no bairro em que moram.

Este é um ponto polêmico, já que o que se nota, na verdade, é o enxugamento das instituições públicas de ensino em função da centralização das mesmas. De fato, se existissem mais escolas nos bairros as gratuidades poderiam ser menos necessárias. Mas, o que fazer para chegar a esse resultado? “É só o governo construir escolas estaduais nos bairros que resolve o problema”, opina Gislaine Correa. “Eu acho que aluno tem que estudar nas escola do bairro e não sair do bairro para outra escola longe, fora que a super lotação dos ônibus afeta todos nós. Deveria se pensar melhor sobre o assunto”, pondera Patrícia Fernandes, outra leitora.

O debate alcança, também, a capacidade de estudantes arcarem com o preço das passagens. “Na minha opinião, quem paga faculdade particular não precisa de gratuidade, pois se paga um absurdo de faculdade, pode pagar o vale-trasporte. Muitas pessoas realmente precisam, mas muitos, não”, diz Maria Oliveira.

Confira toda a repercussão nos comentários da postagem abaixo:

Para o Consórcio Guaicurus, a gratuidade do transporte público para os alunos é o grande vilão para o alto valor da tarifa dos ônibus… E você, o que acha? 🧐

Publicado por Jornal Midiamax em Quarta-feira, 10 de julho de 2019

Garantido por lei

Estudantes, idosos e crianças têm garantido por lei o direito de circular gratuitamente, ou com tarifa reduzida, no transporte público das cidades. A gratuidade é assegurada desde a Constituição de 1988 e pelo Estatuto do Idoso de 2003, porém a extensão do benefício pode variar de acordo com a legislação do município. Em Campo Grande, as disposições sobre gratuidade constam no site da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). Clique AQUI para conferir.

Ônibus executivo parado (Foto: Leonardo de França | Midiamax)

Na reportagem publicada na quarta-feira, entidades estudantis foram ouvidas e rebateram a informação de que a gratuidade interfere no preço e na qualidade do serviço de transporte público. Ao Jornal Midiamax, a Usmes (União Sul-Mato-grossense de Estudantes Secundaristas) informou que discorda do posicionamento do Consórcio Guaicurus.

“Desde a criação da Lei do Passe, em 1993, a proposta inicial é de que a referida gratuidade não poderia entrar na planilha de custo do transporte coletivo, pois os valores referentes a esta gratuidade seriam bancados pela Prefeitura, através do Conselho Municipal de Transporte que foi criado, mas que, provavelmente, encontra-se desativado e não cumpre esse papel de subsidiar as gratuidades do passe”, traz nota enviada à reportagem.

Ainda de acordo com a Usmes, caberia ao Consórcio Guaicurus assumir uma postura transparente informando à população sobre quais as categorias que têm direito às gratuidades, e qual o quantitativo de utilização mensal de cada segmento. “Sugerimos que o consórcio traga a conhecimento público e transparente a Planilha de Custo do Transporte Coletivo para que assim possamos corrigir as distorções existentes e esclarecer as controvérsias”.

De olho no transporte

O Jornal Midiamax acompanha sistematicamente a questão da mobilidade urbana na Capital. Uma das perguntas frequentes é sobre a satisfação dos usuários com a qualidade do serviço e com o custo das tarifas de transporte coletivo – o bilhete custa, atualmente, R$ 3,95. Nesse contexto, o transporte de ônibus é campeão de reclamações e usuários questionam porque a qualidade é tão insatisfatória.

O Jornal Midiamax desafiou vereadores da Capital a enfrentarem a rotina de quem diariamente pega ônibus em Campo Grande, após uma série de reportagens que trazem denúncias de irregularidades e de baixa qualidade generalizada no transporte urbano. A intenção é evidenciar as dificuldades enfrentadas rotineiramente pelos campo-grandenses usuários dos ônibus. Acompanhe a cobertura ao longo desta semana.

* Matéria alterada às 10h23 para acréscimo de informações.

Mais notícias