Fiéis com surdez se sentem cada vez mais incluídos nas atividades de fé e espiritualidade

O trabalho de inclusão nas igrejas já tem 25 anos e, aos poucos, está chegando a mais pessoas

Andar pelas montagens do tapete em celebração ao Corpus Christi, confeccionado na rua 13 de Maio nesta quinta-feira (20), nos traz com clareza a alegria dos fiéis em estar expressando a devoção e adoração ao sacramento do sangue e corpo de Jesus Cristo. Porém, ver o símbolo para intérprete da língua de sinais, ao lado da Cruz, chama atenção.

Já são 25 anos as Comunidade Pastoral dos Surdos, onde a intérprete Jocimara Paiva Grillo, de 42 anos, casada com Ricardo José de Aguiar, 41, que é surdo vê o crescimento da acessibilidade para essas pessoas, que estão podendo ter experiências espirituais reais e marcantes.

Jocimara Paiva Grillo coordena, juntamente com o esposo, a Comunidade Patoral para Surdos. (Foto: Leonardo de França)

“Os surdos buscam incessantemente a espiritualidade, os estudos bíblicos, mas precisam de inclusão para isso. Isso faz com que eles participem de todos os momentos, das missas até acampamentos”, relata Jocimara. Ela e o esposo são, hoje, responsáveis pela formação de mais interpretes.

Na Capital existem sete paróquias com intérpretes. “O nosso trabalho é, juntos, trazer os surdos para igreja, incluir eles em todos os lugares”, disse Ricardo, com a tradução da esposa.

Das pessoas no entorno do espaço da paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, da Vila Planalto, ver a alegria no rosto de Fabiane de Aquino Pereira, 18 anos, é clara. De todos da família, avós, tios e pais, ela é a única que escuta e diz que isso é o maior milagre que Deus poderia fazer.

“O Senhor me proporcionou ser os ouvidos dos meus pais. Desde pequenininha eu sou a voz e ouvido deles, pois falo em sinais desde os 2 anos. De toda a independência que eles estão conquistando, saber que estão, finalmente, se entregando para Deus é muito emocionante”, relatou a jovem estudante.

É a primeira vez que os pais de Fabiane se sentem incluídos na confecção do tapete. (Foto: Leonardo de França)

É a primeira vez que os pais estrão frequentado a igreja de forma assídua, pois a filha se tornou uma das interpretes do local. “Está sendo muito importante participar da confecção, pois estou muito feliz de estar incluso na confecção”, disse Fábio Oliveira Pereira, 35, traduzido pela filha.

A família logo se ajeitou e foi para casa, pois às 14h pretendem estar de volta, no cruzamento da 13 de Maio com Antônio Maria Coelho, para a missa ministrada pelo arcebispo da Capital, dom Dimas Lara Barbosa. Haverá uma procissão com rezas e bênçãos por toda a via, até a Fernando Corrêa da Costa.

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