Falta de verba na Funai-MS faz servidores pagarem salário de estagiário em Aquidauana

Coordenador da Funai-MS de Campo Grande, responsável pela cidade, confirmou situação do interior

A falta de recursos na Funai-MS (Fundação Nacional do Índio de Mato Grosso do Sul) tem obrigado servidores da instituição em Aquidauana – a 140 km de Campo Grande –, porém, que funciona na cidade vizinha de Anastácio, a fazerem vaquinha para pagar o salário de um estagiário, devido à grande quantidade de trabalho e ao baixo número de funcionários.

A informação foi passada por um servidor da instituição, que preferiu não se identificar. Além do salário do estagiário, o funcionário conta que os servidores também arcam com as despesas de “internet, impressora e tudo mais”.

“É um abandono total. Muitos funcionários têm que tirar dinheiro do próprio bolso para trabalhar, para atender. Mas de modo geral é um atendimento muito ruim, por que não tem nenhuma estrutura”, declarou o servidor.

Situação semelhante vivem as unidades de Miranda, Sidrolândia, Bonito, Brasilândia e Corumbá, ainda segundo o funcionário. “São as unidades que estão mais próximas dos indígenas, mas não tem estrutura nenhuma para atender”, disse.

“Mas para mim a pior é Aquidauana, por que tem uma população muito grande, muita demanda e quase nenhuma estrutura. Eles trabalham num prédio emprestado de uma associação em Anastácio e num posto caindo aos pedaços na Funai”, completou.

Coordenadoria de Campo Grande

A Funai-MS de Aquidauana é uma sub-sede de Campo Grande, portando quem responde por ela é o coordenador da Capital, Henrique Dias, que assumiu o cargo há quatro meses. Em contato com o coordenador, ele confirmou as informações do servidor, mas declarou que já está tomando providências para que a situação seja resolvida.

De acordo com Dias, ele tem conversado com a Prefeitura de Aquidauana para formalizar uma parceria com a administração municipal no sentido de conseguir um espaço que seja na cidade e mais servidores.

“Estive na semana passada conversando com o prefeito [Odilon Ferraz Alves Ribeiro – PSDB] para que a prefeitura ceda uma estrutura física em Aquidauana, que é onde estão a maior parte dos índios. Porque hoje funcionamos em Anastácio. Também estamos trabalhando no sentido de que dois servidores sejam cedidos da administração para atuar na Funai-MS e nós entramos com a estrutura de computadores e carros”, alegou o coordenador.

Sobre o estagiário pago com o salário dos próprios funcionários, Dias afirmou que com o incremento dos dois servidores municipais isso deverá ser resolvido. “É fora de lógica o servidor pagar para trabalhar e não quero que isso aconteça na minha gestão”, garantiu.

O acordo com a Prefeitura de Aquidauana, porém, ainda não está fechado, mas segundo o coordenador já está “bem encaminhada”.

Questionado sobre a falta de recursos para a Funai-MS, o coordenador alegou que isso acontece porque o Governo Federal estaria fazendo um “processo de reajustamento” em todos os órgãos da União para “saber onde está vazando”. “Não é que não tem, é que eles estão segurando”, disse.

“Era necessário fazer isso porque a gente já percebe o descaso que vinha acontecendo com a Funai, descobrindo essas falcatruas de aviões, gastando horror de dinheiro em algo que era improdutivo, então precisa fazer alguma coisa e aí então, feito isto, eu acho que a gente vai ter uma nova fase e estou muito confiante disso, que teremos uma fase boa nos próximos anos”, finalizou o coordenador.

Aviões

Um relatório interno da Funai (Fundação Nacional do Índio) identificou nove aeronaves sucateadas que deveriam garantir atendimento médico para a população indígena de todo o país. Das aeronaves sob a responsabilidade da Funai, três estão em estado irrecuperável, uma acidentada e o restante inoperante. As aeronaves estão estacionadas em gramado no aeroporto internacional de Brasília (DF).

De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, só o aluguel atrasado com o estacionamento das aeronaves em Brasília já chega a R$ 3 milhões, o triplo do valor que estimado com o leilão dos aviões, que seria de R$ 1 milhão, conforme o presidente da Funai, Fernando Melo.

Os equipamentos eram utilizados para levar vacinas e medicamentos a regiões indígenas, além de transportar equipe médica e técnicos para visitar as regiões. Entretanto, em 2010, um decreto do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferiu a responsabilidade pelas ações de atenção à saúde dos indígenas para o Ministério da Saúde, mas as aeronaves que atendiam as comunidades a serviço da Funai não foram cedidas para essa finalidade e estão se deteriorando.

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