‘É uma sucata’: passageiro reclama de ônibus sem partida no terminal Aero Rancho

Só depois de várias tentativas é que o ônibus funcionou

Um passageiro flagrou mais um ‘dia comum’ para os veículos do Consórcio Guaicurus nesta quarta-feira (18). O usuário registrou imagens de um motorista tentando, por várias vezes, dar partida em um ônibus que simplesmente não funciona.

O passageiro conta que o ônibus era da linha 315 (Aquarius) e que havia vários passageiros aguardando pelo veículo, que estava parado no terminal Aero Rancho. Ele conta que só após minutos de tentativas é que o veículo funcionou.

“O fiscal disse para o motorista continuar dando partida, que demora mas funciona. Por isso eu acho que já deve estar com este problema faz tempo”, diz o passageiro.

O usuário do transporte coletivo reclama das condições dos ônibus em Campo Grande. “Olha a qualidade do transporte público. Com uma das passagem mais caras do Brasil, [este ônibus] é uma sucata”, reclama. O Jornal Midiamax entrou em contato com o Consórcio Guaicurus e aguarda retorno.

Ônibus velhos

As denúncias de ônibus velhos, que não funcionam ou que quebram nas ruas não são de hoje. Em maio, o Consórcio Guaicurus foi noticiado pela Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos) a renovar a frota. Eram pelo menos 48 ônibus velhos rodando todos os dias em Campo Grande e haviam 80 ônibus prestes a vencer.

Após ganhar tempo com a multa contratual de R$ 2,6 milhões por manter ônibus vencidos nas ruas, o Consórcio Guaicurus, avisou que os 55 novos veículos comprados para repor os velhos só devem chegar em dezembro, bem depois do fim do prazo de 90 dias que ganharam da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos) para escapar de uma multa. E, ao contrário da expectativa, nenhum dos novos ônibus terá ar-condicionado. A informação é do presidente do Consórcio Guaicurus, João Rezende.

Multas perdoadas

O Consórcio Guaicurus ganhou o ‘perdão’ da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) em 80% das infrações flagradas por um fiscal entre os meses de fevereiro de julho de 2017. Os dados foram apurados em investigação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e que resultaram em recomendação do órgão.

Tais números fazem parte dos elementos que levaram a promotoria a dar um ‘puxão de orelha’ na Agetran e na Agereg, além de pedir a inclusão do Consórcio Guaicurus na Dívida Ativa do município. Segundo o MPMS, no período apurado, um único fiscal emitiu 1.969 autos de infração contra veículos do transporte coletivo urbano de Campo Grande. Contudo, desse total, 1.579 deles foram ‘perdoados’ pela Agetran, ou seja, 80%.

Acúmulo de problemas

Jornal Midiamax trouxe recentemente à público vários problemas causados pela má prestação de serviço do Consórcio Guaicurus. Posteriormente, também foi revelado pela reportagem a delação premiada do advogado Sacha Reck, que participou da licitação que definiu a Guaicurus como a responsável pelo transporte público da Capital.

Reck revelou ao MP do Paraná irregularidades em vários certames, incluindo o de Campo Grande, realizado em 2012, no fim da gestão do então prefeito Nelsinho Trad (PSD). Logo em seguida, o MPMS, com o mesmo Humberto Lapa Ferri à frente, abriu investigação para saber mais detalhes sobre a situação na esfera criminal.

Diante da situação, foi impetrada uma ação na Justiça pedindo uma devassa nos contratos e contas da concessionária. Contudo, ela tenta barrar a ação. Também houve proposição para abrir duas CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara Municipal para averiguar a situação, mas ambas não obtiveram o apoio necessários dos vereadores.

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