DIU, implante, vasectomia? Confira os métodos gratuitos pelo SUS

São vários métodos contraceptivos oferecidos pelo SUS, todos rodeados de mitos e tabus

Se você é de Campo Grande, provavelmente viu recentemente que o HUMAP (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian) está facilitando a colocação do DIU (Dispositivo Intrauterino) de cobre. O método contraceptivo é apenas um dos disponíveis na rede pública que podem auxiliar no planejamento familiar dos campo-grandenses.

O Jornal Midiamax conversou com o ginecologista Ricardo Gomes, responsável pelo ambulatório de ginecologia do HU, e com Indianara Oliveira, técnica responsável pela Saúde da Mulher da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública), sobre os detalhes de todos os métodos contraceptivos oferecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) de forma totalmente gratuita.

Antes de tudo, é importante destacar que 55% das gestações não planejadas no Brasil são em mulheres que usam o anticoncepcional oral, que é, na maioria das vezes, usado por falta de conhecimento dos outros métodos. Em uma escala, de acordo com Ricardo, está no topo da lista de eficácia contra a gravidez a vasectomia, seguido pelo transplante subcutâneo (Implanon) e em terceiro o DIU Mirena (homônio).

Onde ir?

Inicialmente, a partir do início da vida sexual, a mulher pode buscar a unidade de saúde mais próxima da sua casa e dizer que quer buscar uma forma mais prolongada de contracepção. Não é, de maneira nenhuma, necessário ter um filho para conseguir o acesso a uma prevenção de longa duração.

A mulher vai passar por um ultrassom e preventivo, palestra para conhecer o que o SUS oferece, para então ser encaminhada para o centro de referência do procedimento na Capital, o CEAM (Centro de Especializado de Atendimento à Mulher), localizado no CEM (Centro de Especialidades Médicas), para a colocação. Essa colocação também pode acontecer logo após o parto.

“Foi feito um estudo onde mostrou que o DIU de cobre é o mais saldável para a mulher, por não conter hormônios. Só que há casos em que a melhor opção são os outros métodos. Por exemplo: mulheres em situação de rua são mais suscetíveis a doenças sexualmente transmissíveis, para ela optamos pelo Implanon. Já mulheres com endometriose, lupos entre outras, indicamos o Mirena”, afirmou Indianara.

Indianara diz que a divulgação do serviço vem aumentando. “Tem dois anos que o Ministério da Saúde entendeu, com os estudos, que o DIU e métodos de longa duração é a melhor para a mulher. Desde então começamos a melhorar e divulgar esses atendimentos. O Ceam é nosso centro de referência, com parceria do HR e Hospital Regional. Mas a Santa Casa e a Maternidade Cândido Mariano estão se preparando para atender as paciências e fazer as colocações logo após o parto”.

Para o Governo do Estado, que é o responsável pelo pagamento desses dispositivos, o DIU de cobre é de um custo-benefício excelente. “Para você ter uma ideia, um Implanon custa R$ 600 cada, olha que é o menor valor. Já o DIU de cobre sai no valor de R$ 17. Em termos de saúde pública é absurda as vantagens, principalmente por não ter contraindicação, mas claro que, paras que mulheres que têm, nós disponibilizados os outros”, ressalta Ricardo.

Tenho filhos, por que não insistir na laqueadura?

A Lei do Planejamento Familiar nº 9263, de 1996, assegura que a mulher tem direito a laqueadura quando se tem dois filhos vivos ou mais de 25 anos. Para ficar claro: se eu tenho dois filhos vivos aos 20 anos, posso dar entrada no processo para laqueadura por direito e se cheguei aos 25 anos e não quero passar por nenhuma gestação, tenho direito também do procedimento. Porém, a taxa de arrependimento é muito alta e quase que inevitável, segundo os especialistas.

“Há diversos casos, marcantes e tristes, de que a mulher decidiu não ter mais filho naquele momento. Dez anos depois ela já tem outro pensamento, outro parceiro, os primeiros filhos já estão grandes, e ela sente o forte desejo de ser mãe novamente para ter o fruto desse novo relacionamento. Feita a laqueadura, não tem o que se possa fazer, pois a chances de reversão são muito pequenas”, aponta Indianara, que vê histórias de arrependimentos há seis anos na área.

Existe uma condição, na Leia do Planejamento, de que coloca regras para esse procedimento cirúrgico. Como não fazer na hora do parto, só se o casal já passou pelo processo e a mãe já passará por uma terceira cesariana ou apresentar risco de vida à paciente.

“Aconteceu uma verdadeira epidemia de cesárias no país, em que o médico oferecia a cirurgia precocemente e a paciente aceitava. Outra coisa, que a Lei vem restringindo, é que o casal ali no momento do parto não tem condições de decidir isso, principalmente por ter o risco de uma negativa, ou seja, a criança vir a óbito logo depois”, disse o Ricardo.
Loucuras da falta de conhecimento

Das coisas ditas em consultório, Ricardo destaca as mais assustadoras, como a de que o DIU é abortivo, a ponto de um deputado sugerir a proibição do método. Mas, que que mais gera riscos, é a falta de conhecimento dos adolescentes.

“Um adolescente tem medo dos pais descobrirem que ele foi ao posto de saúde buscar orientação. A camisinha está na frente da farmacêutica, não em um lugar privativo como o banheiro. Sem auxilio, ele busca ajuda sozinho e em conversas de amigos, encontrando como alternativa a Pílula do Dia Seguinte, que é a com maior índice de falhas”, destaca.

Mutirão no HU

Tudo começou quando os estoques dos dispositivos começaram a chegar perto do vencimento de esterilidade. Ricardo então decidiu facilitar o acesso, eliminando a palestra e fazendo os exames na hora. “A palestra deveria ser apresentada para quem quer fazer laqueadura e a vasectomia, por ser irreversível. Os outros em uma consulta se resolve”.

A procura foi tanta, que os dias de colocação aumentou, só não possível um maior atendimento por falta de material. “Com o material de colocação que eu tenho, consigo colocar oito DIUs por dia, mas se tivemos mais material poderia ser 12 atendimentos por vez”.

Para colocar o DIU é preciso que a paciente apresente teste de gravidez (pode ser de urina, realizado em postos de saúde, ou de sangue) recente onde consta o nome da paciente no exame. O agendamento deve ser feito pelo telefone 3345-3138, das 9h30 às 11h, e das 14h às 16h.

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