‘Dia Mundial Sem Carro’ leva shows e artesanato para a avenida Mato Grosso

Evento conta até com oficina para ensinar crianças e adultos a andar de bike

Celebrado neste domingo (22) em diversas cidades do país e do mundo, o Dia Mundial Sem Carro conta com shows, oficinas, brincadeiras infantis e feira de artesanato na avenida Mato Grosso com a 14 de Julho, em Campo Grande. O evento acontece até às 19 horas e quer incentivar pessoas a usarem outros meios de transporte, como a bicicleta.

A arquiteta diz que é preciso viver os espaços da cidade. (Foto: Marcos Ermínio)

A arquiteta Natália Guaripuna, de 22 anos, é uma das organizadoras do evento e explica que o objetivo da data vai além de incentivar que as pessoas deixem o carro de lado ao menos por um dia. A meta é estimular que as pessoas vivenciem as cidades.

“De uns tempos para cá, as pessoas deixaram de viver os espaços urbanos, de ir em uma praça, por exemplo. Queremos incentivar isso, principalmente entre os mais jovens, que eles não fiquem escondidos dentro do condomínio”, diz.

A professora Cinthia Possas, de 34 anos, participa do coletivo ‘Bike Anjo’ e afirma que o campo-grandense ainda é refém do carro e um dos principais fatores é a dificuldade em usar o transporte coletivo. “Uma vez eu bati o carro e tive que procurar outro transporte. Fui dois dias de ônibus e a demora dificulta muito, levava duas horas para chegar ao trabalho. No terceiro dia, fui de bike e levei quarenta minutos”, lembra.

Cinthia explica que a qualidade das ciclovias é boa, mas elas precisam ser conectadas e chegar até a periferia. “A ciclovia precisa ser pensada para quem usa a bicicleta como transporte, não só para quem a usa como lazer”.

Algumas pessoas aproveitam para andar de bicicleta no trecho interditado para carros. (Foto: Marcos Ermínio)

A primeira vez na bicicleta

Para quem ainda não sabe andar de bicicleta, há uma oportunidade neste domingo (22). O coletivo ‘Bike Anjo’ oferece uma oficina voltada para adultos e crianças. A professora Cinthia conta que há muitas crianças que ainda não sabem andar de bike porque hoje já não é mais tão comum brincar na rua. Além disso, os pais super protetores também dificultam o aprendizado.

Do coletivo ‘Bike Anjo’, a professora Cinthia ensina crianças e idosos a andar de bicicleta. (Foto: Marcos Ermínio)

“Alguns pais têm muito medo que a criança se machuque, então algumas chegam aqui traumatizadas. Mas, para aprender, a motivação da criança é importante. Se a gente percebe que a criança não quer, a gente pede para voltar outro dia”, relata.

Para quem topa o desafio, o aprendizado é rápido. Segundo a professora do coletivo ‘Bike Anjo’, algumas crianças chegam a aprender em meia hora. A oficina também atende adultos. Segundo Cinthia, é comum que idosas não saibam andar de bicicleta, que era um tabu entre mulheres. “Tinha um mito de que o banco da bicicleta ia fazer mal para a menina”.

Música, brincadeiras e feira de artesanato

O evento leva diversas atividades para a avenida Mato Grosso. Até as 19 horas, haverá brincadeiras para crianças, como pula corda, amarelinha, bets e bandeirinha. O evento também conta com a oficina sobre como andar de bicicleta e shows. As atrações musicais começam às 14 horas, com Guilé, Duo Vosmecê, Beca Rodrigues, Jimmy Andrews, Frank, Mafra e El Trio.

Marisa faz sucesso com a venda de faixas de cabelo. (Foto: Marcos Ermínio)

O evento conta, ainda, com uma feirinha de artesanato, no cruzamento da avenida Mato Grosso com a 14 de Julho. Entre os artesãos, Marisa Barbosa, de 66 anos, vende as requisitadas faixas de cabelo da personagem Maria da Paz, da novela ‘A Dona do Pedaço’. Apesar de o item ter ‘virado’ moda, ela conta que as faixas sempre foram um sucesso de vendas.

“Agora o pessoal está conhecendo mais, mas sempre foi uma boa venda. Faz dois anos que trabalho com as faixas de cabelo”, conta. Além das faixas, Marisa vende bolsas em tecido, porta pratos e outros artigos em tecido. Os produtos custam de R$ 15 a R$ 30.

Dafini vende, principalmente, artigos de decoração para quarto de bebê. (Foto: Marcos Ermínio)

Já Dafini Barbosa, de 31 anos, vende produtos para decoração de quartos infantis, principalmente. Com artigos em tricotin, tricô e amigurumi, há produtos a partir dos R$ 5. Ela tem uma loja online no Instagram e faz desenhos ou palavras com tricô.

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