Corretores e construtores protestam por recursos do Minha Casa Minha Vida

Categorias afirmam que desde julho a Caixa não libera recursos do programa e categorias estão "estagnadas"

Cerca de 50 profissionais da área de corretagem de imóveis e de construção civil realizaram na manhã desta terça-feira (10) manifestação contra a interrupção da liberação de recursos pelo governo federal no programa MCMV (Minha Casa Minha Vida).

De acordo com os manifestantes, que seguem em caminhada pela Avenida Afonso Pena, o bloqueio dos recursos gera estagnação no setor, pois os contratos de financiamento e, por consequência, a liberação de recursos impede o avanço de negociações. A situação estaria assim pelo menos desde julho.

Representando corretores de imóveis, Andreia Camargo participou do ato e destacou que a categoria a qual pertence está sendo particularmente afetada sem a liberação dos recursos.

“A gente começa o processo, mas ninguém recebe e as casas não terminam. A gente precisa que eles [o governo federal] assinem a liberação dos recursos para que a gente continue trabalhando. A economia do mercado não aqueceu, estamos estagnados”, detalha.

Janaína trabalha com venda de imóveis pelo MCMV e está desde julho sem renda | Foto: Henrique Arakaki | Midiamax

Também corretora de imóveis, Janaina Guimarães França trabalha exclusivamente com imóveis do MCMV que está sem renda desde que a liberação de recursos foi interrompida.

“Não só construtores e corretores saem prejudicados, mas também os cidadão, que precisam de um financiamento que caiba no bolso. Se esse programa acabar, a população é prejudicada”, comenta.

O construtor Damião de Souza também participa do ato. Segundo ele, a categoria sofre com casas encalhadas e não conseguem receber para investir na construção de novas moradias.

“Além disso, a gente fica sem ter como gerar emprego. Os trabalhadores da construção, por exemplo, dependem disso. O governo promete liberar, mas isso fica na promessa. Sem o subsídio é impossível construir. Há famílias dependendo desse trabalho”, afirma.

Desde julho contratos seguem pendentes | Foto: Henrique Arakaki | Midiamax

O grupo se desloca da Praça do Rádio até a agência da Caixa Econômica, na Avenida Afonso Pena. Após o ato, manifestantes retornarão à praça. Eles são acompanhados por agentes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito).

Em Brasília

Representantes da Acomasul (Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul) estão nesta terça-feira em Brasília para uma série de agendas com parlamentares a fim de denunciar a situação enfrentada pela categoria desde que a assinatura dos contratos foi interrompida.

Foto: Henrique Arakaki | Midiamax

Segundo a entidade, no mês de agosto de 2019, praticamente nenhum contrato com subsídio foi assinado no Brasil, ao mesmo tempo que tiveram notícia de que recursos destinados ao MCMV teriam sido realocados para outros fins, como os R$ 257 milhões para a transposição do Rio São Francisco.

Junto a outras associações, os representantes da Acomasul pretendem ficar em Brasília até a quinta-feira (12), quando deverá visitar o máximo de deputados federais e senadores.

“Queremos que os políticos sejam uma ponte entre a quase estagnação do Programa e a possibilidade de transformá-lo novamente em um Oásis de oportunidades para todos”, traz comunicação da entidade.

Sem dinheiro

Em entrevista publicado pelo Estadão nesta terça-feira (10), o diretor de departamento do FGTS do Ministério da Economia, Igor Villas Boas de Freitas destacou que os recursos não foram liberados porque basicamente o governo está sem dinheiro e que o governo estuda uma maneira de quebrar o monopólio da Caixa Econômica Federal em relação ao FGTS – de onde vem a maior parte dos recursos de financiamento.

Ainda segundo Villa Boas, o segmento de construtores que atua no financiamento para a faixa 1 do MCMV (renda de até R$ 1.800) teria sido alertado sobre a falta de dinheiro.

“Eu disse para eles o seguinte: faixa 1 vocês precisam entender que não é má vontade; é que realmente não tem dinheiro. Estamos fazendo um esforço para não paralisar mais obras. Mas iniciar obras novas no faixa 1 agora é de uma inconsequência enorme. O que o governo está dizendo é que no faixa 1 não tem condições de abrir contratação nova. Não façam isso” Eu deixei isso claro na reunião de comunicação”, finalizou.

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