Com medo de desabamento, moradores de condomínio sorteado por Emha e Agehab acionam Defesa Civil

Laudo da Defesa Civil já apontou fissuras e estalos vindos da estrutura do prédio

Rachaduras nas paredes e no teto, pisos que quebram ‘sozinhos’ e infiltrações são a realidade de quem mora no condomínio Zenóbio dos Santos no bairro Parque do Lageado, em Campo Grande. Há algum tempo, moradores começaram a perceber problemas na estrutura dos prédios e o medo de que o prédio ofereça risco de vida virou uma constante. O residencial é um empreendimento da Caixa e foi sorteado pela Emha (Agência Municipal de Habitação) e pela Agehab (Agência Municipal de Habitação).

Com medo de desabamento, moradores de condomínio sorteado por Emha e Agehab acionam Defesa Civil
Pisos quebrando ‘sozinhos’ deixou moradores em alerta. (Foto: Marcos Ermínio/Midiamax)

Há pouco mais de uma semana, um edifício desabou em Fortaleza (CE) e o fato fez com que os moradores do condomínio popular no Lageado ficassem com medo de que algo parecido acontecesse. Lá a situação era outra, mas as rachaduras presentes em quase todos os apartamentos do residencial fazem com que muitos moradores percam o sono.

“Eu morro de medo de que possa acontecer alguma coisa, algo parecido com o que aconteceu lá [em Fortaleza]. Eu não consigo dormir direito, imagina se acontece alguma coisa? Eu tenho criança dentro de casa”, comenta a confeiteira Fernanda Andrade, de 33 anos.

Com medo de desabamento, moradores de condomínio sorteado por Emha e Agehab acionam Defesa Civil
Fernanda e Daniela se preocupam com os danos na estrutura do prédio. (Foto: Marcos Ermínio/Midiamax)

Fernanda mora no condomínio desde que ele foi entregue, há cerca de cinco anos. Ela denuncia que o material é de má qualidade e que os problemas ficam mais visíveis com a chegada da temporada de chuvas. “Tem um caso que nos deixou ainda mais preocupados, que foi quando os pisos  quebraram sozinhos, você pisava e eles iam trincando. Eu gosto de chuva, mas agora quando ela vem, eu tenho medo”, diz.

O ajustador mecânico Celso Rios Ferreira, de 55 anos, também teme que algo possa acontecer. “Aqui quase todo apartamento tem rachaduras bem no meio do teto, parece que a laje vai ceder. Tem rachadura nas paredes também e os pisos começaram a soltar”, relata.

A dona de casa Marinalva Ângela da Silva, de 48 anos, foi quem chamou os profissionais da Defesa Civil para verificar a estrutura do prédio, no início do mês. Eles também foram até o condomínio nesta quinta-feira (24), quando analisaram as rachaduras e registraram em fotos, segundo moradores.

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Marinalva chamou Defesa Civil para fiscalizar apartamento. (Foto: Marcos Ermínio/Midiamax)

Marinalva mora no último andar de um dos blocos e conta que a laje começou a ceder, criando rachaduras no teto. Por estas rachaduras, a água da chuva entrou e molhou o quarto. “Não tem condições isso aqui, eu tenho medo porque moro sozinha, imagina se este teto desaba”.

Conforme o auto de constatação emitido pela Defesa Civil no atendimento feito na casa de Marinalva, os agentes de vistoria identificaram fissuras na estrutura dos apartamentos, presentes em todos os andares, de forma padrão em lajes e paredes. Eles ainda relatam que ouviram estalos no último andar, resultantes da estrutura do prédio.

De acordo com o laudo, a recomendação aos moradores que se sentirem ameaçados é de contratar um profissional habilitado para a emissão de um laudo conclusivo, para orientar a solução dos problemas estruturais.

Os moradores conseguiram os apartamentos em sorteio da Emha que, por sua vez, explica que fez a triagem e seleção das famílias, mas que o empreendimento pertence à Caixa. “Este condomínio pertence ao programa Minha Casa Minha Vida, o agente financeiro e detentor do empreendimento é a Caixa Econômica Federal”, informa.

O Jornal Midiamax entrou em contato com a Caixa e aguarda posicionamento.

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