Servidores do Hospital Regional param atendimento para denunciar caos com falta de pessoal

Funcionários pedem concurso público para preencher vagas

Trabalhadores do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) fizeram uma paralisação na manhã desta quinta-feira (21) para chamar a atenção para as condições desgastantes de trabalho. Segundo eles, há um déficit de 192 técnicos de enfermagem e de 40 enfermeiros. A reivindicação é de novo concurso público para a ocupação das vagas.

O presidente do Sintss-MS (Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social em Mato Grosso do Sul), Ricardo Bueno, explica que a paralisação foi convocada pelos próprios funcionários, por conta da sobrecarga de trabalho no hospital. Os funcionários pararam entre 7h e 8h e devem parar novamente entre 13h30 e 14h30. Segundo o sindicalista, a direção do hospital foi avisada sobre a paralisação.

Presidente do Sintss explica dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores. (Foto: Dândara Genelhú)

Bueno explica que ainda em 2017, o Governo publicou um decreto que autorizava a realização de concurso público para a Funsau (Fundação Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul). “O Regional deveria abrir concurso, os profissionais de saúde devem ser concursados, não contratados”. Segundo ele, a questão dos insumos já não é tão preocupante, já que o hospital está sendo reabastecido.

A técnica de enfermagem Mara de Oliveira explica que geralmente a escala, que deveria ter 26 funcionários, tem apenas 14. Com isso, quem sobre é a população. “Às vezes atendemos 10 pacientes, mas devia ser seis. Não temos condição de atender todo mundo, mas às vezes a pessoa está tão necessitada que a gente dá um jeito”, afirma.

Mara até já foi empurrada por um paciente. (Foto: Dândara Genelhú)

Mara diz que muitas vezes, a população não entende o que acontece e os funcionários acabam agredidos verbalmente ou até fisicamente. Ela explica que até já foi empurrada no corredor do hospital. Com isso, trabalhadores acabam pegando atestado médico pelo desgaste psicológico.

Segundo a técnica, às vezes alguns funcionários não querem atender pacientes para não negligenciar. “A gente acaba negligenciando, não tem como cuidar direito [de cada um] com tanta sobrecarga”.