Com atrasos e lentidão, usuários passam até 4h diárias nos ônibus na Capital

Pontualidade e frequência são reprovadas por 66% dos usuários do transporte

É evidente que a prestação de serviço pelo Consórcio Guaicurus desagrada muitos dos usuários, já que 61% dos passageiros reprova os ônibus em Campo Grande. Uma pesquisa do Ibrape (Instituto Brasileiro de Pesquisas de Opinião Pública) destrinchou os principais itens do transporte público e apontou os problemas enfrentados pelos usuários.

O quesito de pontualidade e frequência dos ônibus foi o principal motivo de reclamações dos usuários, já que 66% considera ruim. Entre os passageiros, 16% considera pontualidade e frequência regular e 15% considera boa. Os horários e intervalo da passagem dos ônibus no ponto também são reprovadas pela maioria dos usuários: 53% considera ruim ou péssimo, 28% acredita que é regular e 15% aponta que é bom.

Fonte: Ibrape
Márcia afirma que os ônibus demoram a passar no ponto. (Foto: Marcos Ermínio)

Como a pontualidade é uma caraterística que deixa muito a desejar no transporte público, a rotina de quem vai de ônibus para o trabalho ou faculdade é marcada pelos atrasos constantes. “Demora muito, quem depende sofre diariamente. Aí esperar no ponto é perigoso, as pessoas são assaltadas. Lá no meu bairro você fica esperando de longe, quando o ônibus chega é que corro até o ponto”, conta a funcionária pública Márcia Aparecida Ribeiro, de 44 anos.

A situação fica ainda mais complicada com quem pega mais de um ônibus por dia, já que quem pegou o primeiro ônibus atrasado, chega mais tarde no terminal e não consegue pegar o próximo. Esta é a realidade da operadora de caixa Maria Eduarda da Silva Rodrigues, de 18 anos, que sugere a criação de novas rotas ou mais ônibus nas ruas. “Atrasa e mesmo com a integração, quando você tem que descer em um lugar, você chega fora do horário”, conta.

Nos terminais, quem chega alguns minutos atrasado já não consegue pegar o próximo ônibus. (Foto: Marcos Ermínio)

O tempo de deslocamento do bairro do morador até o centro da cidade também é um problema no transporte público da Capital: 51% reclama da demora, 24% dos entrevistados considerou o tempo de trajeto regular e 22% considerou bom. A demora não é um problema isolado e é acentuada por outras complicações, como o atraso dos ônibus, poucos veículos nas ruas e a falta de rotas mais rápidas.

Fernando passa quatro horas por dia dentro do ônibus. (Foto: Marcos Ermínio)

Em bairros mais distantes do centro, o tempo de deslocamento até o centro da cidade pode chegar a duas horas. Vale lembrar que duas horas seria o tempo de deslocamento em uma viagem do Centro até a cidade de Aquidauana de carro, segundo o Google Maps. O vigilante Fernando Bogarim, de 30 anos, mora na região Norte da cidade e afirma que passa quatro horas por dia dentro do ônibus, no trajeto de ida e volta do trabalho.

A técnica de enfermagem Cleice Borges, de 41 anos, leva uma hora e meia no trajeto até o hospital em que trabalha, no centro da cidade. Segundo ela, o ônibus passa de hora em hora, o que complica ainda mais a rotina. Além disso, não há uma rota direto do bairro Campo Belo até a região central, logo ela tem que pegar dois ônibus ou mais.

Outro sufoco enfrentado por alguns passageiros é a distância entre a casa e o ponto de ônibus. Entre os entrevistados, 47% reprovou a distância até o ponto, 25% aponta que é regular e 24% acredita que é boa. “Tem uma distância de mais de quatro quadras para eu pegar o ônibus no bairro. Em dia de chuva ainda fica desprotegido, não tem onde se abrigar”, diz a estudante Júlia Gabriela, de 20 anos.

Entenda a pesquisa

A pesquisa desenvolvida pelo Ibrape foi realizada entre os dias 18 a 25 de março e ouviu mais de 500 usuários do transporte público. Foram ouvidas apenas pessoas que usam os ônibus com a frequência de todos os dias a uma vez por semana.

As entrevistas foram feitas pessoalmente nos terminais, pontos e paradas de ônibus, com a população que circulava pelo local ou na casa dos moradores do bairro. A margem de erro é de até 4 pontos percentuais para mais ou para menos. O intervalo de confiança estimado é de 94%.

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