#CG120: Sobá e capivaras estão entre as saudades de quem deixou a cidade para morar fora do país

Cada um tem uma saudade para contar

Deixar a cidade natal, seja por trabalho, para aprender um novo idioma, estudar, ou por questões familiares, os motivos são muitos e a saudade de casa, dos amigos, da comida típica e da alegria do povo brasileiro é o que mais deixa saudade de quem deixou Campo Grande para se aventurar em outro país.

Norberto Arakaki Junior, 35 anos, vendedor foi ao Japão pela primeira vez com 15 anos, entre idas e vindas ele já está fora do país há 11 anos. “Quando eu era pequeno meus pais iam para o Japão e não tinha com quem ficar e aí foi todo mundo, depois que fiquei adulto eu fui porque gosto de lá”, conta.

Foto cedida por Norberto

Ele visita Campo Grande em um período de 3 a 5 anos para “não perder o hábito”, segundo ele. O que ele faz assim que chega por aqui é tomar tereré nos altos da Avenida Afonso Pena, ir ao Parque das Nações Indígenas e também ao Shopping Campo Grande. “Vou a esses lugares porque meus amigos sempre marcam”.

Mas sua saudade mesmo está na chácara da família. “Sinto saudades da chácara que temos próximo ao Shopping Norte Sul, que é nosso canto e é difícil não sentir saudades dali, tem uma história muito bonita, foi ali que eu e meus primos crescemos”, lembra.

Saímos do Japão e vamos para Buenos Aires, na Argentina, onde há pouco mais de 2 anos vive Hadassa Nathaly Kiselar Aguilera, 28 anos. Ela terminou a faculdade de jornalismo na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em 2012 e foi para o Chile porque queria aprender espanhol.

“Lá eu conheci um argentino, que hoje é meu marido, a gente voltou para o Brasil e juntos fomos morar em São Paulo por questões de trabalho, depois de morar lá 3 anos decidimos ir para Buenos Aires”, conta.

Hadassa mora a quase 3 anos em Buenos Aires.

Ela vem a Campo Grande menos do que gostaria, já que em Buenos Aires as férias são duas semanas por ano, mas quando chega aqui o primeiro lugar que visita é a casa da amiga Bia. “É meu ponto em Campo Grande”. Além da casa da amiga, ela não deixa de ir na Feira Central para comer sobá e em apresentações de sarau na Praça da Bolívia. “Sempre que eu vou termino indo em rolês mais culturais já que tenho muitos amigos nesse meio”.

E sobre o que mais tem saudades, Hadassa conta que sente falta da comida. “Em especial do sobá e do churrasco com mandioca de Campo Grande, são as coisas que mais sinto falta”. Sobre sua adaptação, ela agora já está acostumada. “Gosto de morar aqui, o argentino é mais frio e mais distante que o brasileiro, mas quando faz amigos eles são bastante calorosos, por sorte tinha os amigos do meu marido. Foi bastante difícil a questão do frio que dura muitos meses”.

Sobá com gostinho de casa

Outra que tem saudade de casa é Daiane Tamanaha de Quadros, jornalista que trabalha como professora de português nos EUA. Ela se mudou em 2010 quando o marido foi fazer pós-doutorado e o acompanhou. A sua adaptação foi super tranquila, já que as pessoas são muito amigáveis. “Fiz amigos rapidamente. E o segredo de se adaptar num novo lugar é se sentir aceito e querido. O que foi o que aconteceu comigo”, comemora.

Vindo para Campo Grande todo ano durante as férias, ela sente saudades não só da família e amigos. “Sinto falta do sobá da feira e do pastel. Sinto falta também de ver capivaras por todo lado, do céu maravilhoso do Centro-Oeste, das araras”, relembra.

Nas férias Daiane sempre vem para Campo Grande matar a saudade. Foto: Alexandre Tsuchiya

Quando vem a Campo Grande ela encontra com os amigos. “Geralmente, fico uma semana inteira com a minha mãe e depois disso passo o resto dos meus dias reencontrando os amigos. Vou na casa de alguns amigos ou eles vêm na minha. Mas, basicamente, passo o tempo reencontrando as pessoas. Quase nunca faço ‘turismo’ na cidade, o que é uma pena. Na última vez que fui a Campo Grande, visitei o Mercadão. Delícia de lugar!”.

O chefe e a saudade

Na França vive o chefe de cozinha Jonas Rosa, 33 anos. Já são 10 anos que ele foi embora de Campo Grande, e no início não foi nada fácil. “Sofri muito por conta da língua. Mas aprendi muito mais. Lembro que eu chorava quase todos os dias e as vezes minha mãe me falava para procurar outra coisa e eu dizia que não, que agora iria até o fim”.

Ele sempre teve vontade de sair do país, principalmente por ser cozinheiro ele acreditou que a Europa abre muitas portas. “O maior sentimento de liberdade que eu tive, foi quando cheguei sozinho em Portugal. Era uma conexão para ir pra Lisboa. Fiquei 3 anos em Lisboa, comecei lavando louças e fazendo as entradas (saladas) e sobremesa no restaurante chamado ‘Fora de Casa’, coincidência pois estava mesmo muito longe de casa. Depois tive a oportunidade de ir embora para França para trabalhar em um restaurante mais uma vez”, conta.

Jonas sempre teve vontade de morar fora do país. Foto Arquivo

“Nesta longa caminhada tive muitas pessoas importantes que me apoiaram, minha família, minha amiga Kel, e muitos dos meus amigos no Brasil”. Jonas consegue vir para Campo Grande a cada 3 anos. “Tenho minha família e meus amigos que vem me visitar de vez em quando” Ele diz ainda que agora está mais difícil ir embora, já que há quatro anos ele se apaixonou e não pretende deixar a França tão cedo.

Sobre suas saudades ele conta que sente falta da alegria do povo brasileiro. “Das pessoas nas ruas, as crianças brincando. Tem vida no Brasil, aqui ás vezes parece cidade fantasma. Tenho saudades de terminar meu trabalho e ainda passar na casa de amigos e jogar conversa”, finaliza.

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