#CG120: Para o futuro, cidade mais ‘humana’ e transporte público melhor, desejam moradores

O Jornal Midiamax quis saber quais são os anseios da população para os próximos 10 anos

Pensar no que se espera do futuro abre espaço para sonhar, mas também apontar o que hoje ainda caminha a passos lentos. Campo-grandenses de nascença ou de coração aproveitaram a comemoração dos 120 anos para refletir sobre o que desejam para a cidade daqui 10 anos e têm uma lista de ponderações, elogios e expectativas.

“A cidade ainda está evoluindo. Mas, se ver os projetos, era para todas as ruas terem câmeras de segurança e não têm, só em alguns pontos e umas nem funcionam”, responde Adriano Echeverria, 21 anos, que trabalha com segurança eletrônica.

Ele confessa que é difícil imaginar o que esperar de Campo Grande daqui 10 anos, diante de promessas que vem de longo tempo, mas que não foram cumpridas. Mesmo com o pessimismo natural diante de alguns fatos, Adriano vê a cidade com bons olhos no que se refere ao turismo, mas cobra pontos que podem melhorar esse aspecto, como a conclusão do Aquário do Pantanal e reforma do centro da Capital.

Também apontado como uma das ‘fraquezas’, o transporte público precisa melhorar. As pessoas, tão estressadas hoje em dia em uma cidade que só cresce, devem também adotar um comportamento melhor e ajudar mais o próximo, reflete Adriano.

No mesmo aspecto, quem vem do interior também deseja para Campo Grande, mais do que desenvolvimento, pessoas melhores. Alexandrina Martins dos Santos, 38 anos, é gari e veio há nove anos de Nioaque para a Capital. Ama o movimento da cidade, mas esbarra no preconceito e discriminação ainda tão presente.

“Às vezes, eu estou trabalhando, uniformizada de gari, limpando a cidade, eu peço para ir ao banheiro ou tomar água em algum estabelecimento e recebo como resposta que o banheiro está estragado ou que vão ligar a torneira do quintal para poder beber água de lá”, conta. O relato que deveria causar vergonha para quem protagoniza a situação é, para ela, o pior da cidade que chega aos 120 anos. “Que as pessoas sejam mais humanas”.

Hoje, apesar das dificuldades que enfrenta, andar pela ‘cidade grande’, ainda mais comparada ao município de onde vem, é uma das coisas que ela mais ama fazer. A filha Alexia Sabrina dos Santos, 19 anos, que sonha cursar Moda ou Design de Interiores, gosta justamente das oportunidades que sua cidade não lhe dava, como curso de teatro. “Mas [as pessoas] têm de ter mais humanidade mesmo, serem mais acolhedoras. Que melhore neste aspecto”, deseja.

Como quase toda pessoa que vive em Campo Grande, a estudante de Biologia Natália Marques, 21 anos, quer que a infraestrutura melhore. “Todo mundo reclama, o asfalto é horrível”. Ela usa o transporte coletivo diariamente e também aponta demora dos ônibus como algo que precisa ser melhorado para ‘agora’, não só nos próximos 10 anos.

Deficitária em todo País, a educação, sua área, precisa urgente de melhorias. A estudante fala, especificamente, de salas de aulas lotadas na Capital, que prejudicam o aprendizado do aluno e também o ensino ministrado pelo professor.

“Acho bem melhor do que de onde vim”, afirma Getúlio Alves Batista, 20 anos, que é Barman, nascido no Rio de Janeiro e vive em Campo Grande há 13 anos. Claro, as praias cariocas vão quase sempre superar qualquer destino, mas quando o assunto é moradia e oportunidade de emprego, a capital sul-mato-grossense ganha. “As pessoas são mais gente boas também”.

Mas, pensando daqui 10 anos, Getúlio espera que a cidade que escolheu viver seja melhor em sinalizações de rua e transporte público. Ainda em comparação, o Rio de Janeiro, entre tantos questionamentos, possui um sistema de transporte coletivo melhor, com mais linhas e também mais meios, como trem e metrô, cita.

Só elogios ao município é José Doralino Gonçalves, 65 anos. “Vim para cá e gostei”, conta o carreteiro, hoje aposentado, que veio de Ribas do Rio Pardo em 1980. Ele cita o tereré, churrasco e a ‘cervejinha de vez em quando’ como coisas que, mesmo não tão exclusivas de Campo Grande, fazem parte da rotina dele por aqui.

“A cidade está evoluindo, fazendo calçadão, fazendo as melhorias, ficando dez. Eu acho que daqui dez anos vai estar muito melhor que hoje”, resume de forma simples e com um sorriso no rosto o morador.

Vivendo uma cidade bem melhor em praticamente toda a vida, os estudantes Gabriel Freire e Joarez Espíndola dos Santos, ambos de 15 anos, falam que ficam chateados quando alguém critica Campo Grande. “Porque eu gosto muito, é uma cidade maravilhosa”. A pouca idade faz com que a visão de mundo seja mais bonita, mas não impede também que aspectos não tão bons sejam percebidos.

“Eu espero que todas as ruas sejam asfaltadas”, diz Gabriel. Como quem toma nota do aprendizado de sala de aula, o estudante lembra que a cidade não foi projetada, desde a fundação, para ser capital. “Mas foi se adaptando e hoje está muito boa”, avalia. Além do asfalto, os dois amigos querem também que o cabeamento da iluminação seja subterrâneo em todos os lugares, deixando a cidade ainda mais bonita.

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