#CG120: Quem nunca improvisou churrasqueira não entende mania campo-grandense que ajuda até a vender casa

Sextou? Então tem churrasco: até locais de trabalho ganham churrasqueiras improvisadas para queimar uma carne entre amigos

Pensando em reunir os amigos no feriado do dia 26 de agosto, com previsão do tempo de clima quente, você logo pensa em quê? Churrasco! A tão amada carne assada na churrasqueira se tornou essencial na vida do campo-grandense e é feita até de forma improvisada, usando tijolos e latão montada na beira do rio ou no quintal de casa e até mesmo utilizando um fogão velho. Qualquer momento é desculpa para o churrasco, até motivo para relaxar depois de um dia corrido.

Churrasqueira improvisada na beira do rio. (Arquivo Pessoal)

O torneiro mecânico Marlon Luiz Oliveira, de 34 anos, aprendeu a fazer churrasco com o pai, que também não abria mão de reunir os amigos para confraternizar em volta da churrasqueira. Marlon pegou gosto e sempre se reúne com os amigos para assar carne, seja em casa ou na pescaria.“Sempre tem que ter. Seja no final de semana ou até mesmo depois do trabalho cai bem”.

Marlon faz até churrasco para relaxar. “Vai bem até depois de um dia corrido de trabalho. Com os amigos, cada um contribui um pouco e a gente sempre consegue armar um churrasco”, pontua.

O torneiro conta que tem um grupo de amigos que sempre se reúne para pescar. “Fizemos um rateio e compramos toda a traía necessária para pescaria e inclusive uma churrasqueira. Temos o kit churrasco pronto para pescaria”

O prestador de serviços, Cláudio de Jesus Soares, de 54 anos, foi nomeado pelos amigos e família como churrasqueiro oficial. Ele já fez churrasco improvisando até um fogão velho. “Desmontei a parte superior e usei o forno pra acender o carvão e a parte superior deixei aberta pra colocar espetos”, conta.

Cláudio (de boné), foi eleito o churrasqueiro da família. (Arquivo Pessoal)

Como gosta de cozinhar, qualquer reunião, segundo ele, é motivo para um bom churrasco. “Em média eu faço churrasco duas vezes no mês ou para a família ou a convite dos amigos porque eles sabem do meu gosto pela arte de assar carne”.

Ele descobriu a paixão em casa, quando se aventurou na churrasqueira e não parou mais. “A família aprovou meu churrasco e não parei mais de fazer, principalmente porque, com a sobra de carne, eu faço um carreteiro”.

Inovação no mercado imobiliário

Essa rotina na vida dos campo-grandenses fez o mercado imobiliário de apartamentos mudar na Capital e incluir churrasqueiras na sacada dos imóveis. A ideia foi tão bem aceita pela população que fez sucesso até no Chile, onde a Plaenge também tem empreendimento.

O diretor regional da Plaenge, Edison Holzmann, teve a ideia de incluir churrasqueira na sacada do apartamento, quando transitava pela rua Paraíba, durante horário de almoço, em 1992. Ele relata que passava de carro pelo bairro e descendo a rua, viu todas as casas com fumaça saindo das chaminés. “A cidade não tinha muito a cultura de morar em apartamentos e eu percebi que precisávamos um produto que as pessoas gostassem. A ficha caiu um dia em que eu estava descendo a rua daquele bairro Bela Vista, Itanhangá, eu vi todas as casas quase todas soltando fumaça pela chaminé”, relembra.

Ideia de incluir churrasqueira em sacada surgiu em Campo Grande. (Renata Volpe, Midiamax)

Edison então pensou em como poderia ter sucesso vendendo apartamento sabendo que os campo-grandenses gostam de fazer seu próprio churrasco. Ele pediu aos arquitetos para desenharem uma varanda maior incluindo a churrasqueira. “Eu percebi na época, que aqui as pessoas gostam ainda mais de fazer o próprio churrasco, tanto que não tínhamos tantas churrascarias de qualidade na cidade. As pessoas gostam de fazer seu churrasco em casa. Eu pedi para nossos arquitetos desenharem um prédio diferente, que tivesse uma varanda maior proporcionalmente a área do apartamento e com churrasqueira”.

 

O primeiro prédio da Plaenge com essas características, foi construído na rua Bahia, região central de Campo Grande, o Central Park. “Foi um grande sucesso, pois nosso conceito foi pensando numa casa, integrado. Vendemos muito bem o empreendimento e a partir desse sucesso, experimentamos essa mesma proposta em outras cidades do Brasil como Campinas e Curitiba”.

Fábrica

O costume de fazer churrasco na família do Orlando Henrique Rosa dos Santos é tanto, que inclusive ele mudou de ramo de trabalho e montou uma fábrica de churrasqueiras em Campo Grande, cinco anos atrás.

Fabricação de churrasqueira fica pronta em 36 horas. (Marcos Ermínio, Midiamax)

Orlando vendia consórcios de carros quando decidiu voltar a trabalhar com o pai, no ramo da construção civil. Um dia, seu pai pediu para comprar uma churrasqueira, mas quando Orlando procurou na cidade, não encontrou nenhuma que atendesse sua necessidade e então, teve a ideia de montar a fábrica, sendo uma das pioneiras em fabricação do Estado.

“Resolvi arriscar, não sabia nada sobre a fabricação, mas fui em outras cidades para saber como eram feitas as churrasqueiras, entender o mercado. Fui em Cascavel comprar forma de churrasqueira para montar a fábrica”.

Orlando lembra que o comércio não deu certo duas vezes, mas não desistiu. “Quebrei duas vezes. Resolvi parar com a fabricação, mexer só com distribuição da churrasqueira. Eu comprava de fora e revendia. Mas de dois anos para cá, nossas vendam melhoraram tanto, que resolvi voltar a fabricar”.

Orlando teve a ideia de montar uma fábrica após não encontrar churrasqueira que atendesse sua necessidade. (Marcos Ermínio, Midiamax)

Além da fábrica, Orlando tem duas lojas na cidade, uma na Mascarenhas de Moraes e outra na Manoel da Costa Lima. “Vendemos de 150 a 200 churrasqueiras por mês. Os preços variam, mas a partir de R$ 599 o campo-grandense consegue comprar uma churrasqueira mais simples ou até mesmo as com forno”.