#CG120: Comércio nos bairros atrai novos empreendedores que se inspiram nos ‘experientes’

Muita gente troca shoppings e lojas do centro por comércio nos bairros

Os comércios nos bairros de Campo Grande passaram a ser a ‘alma’ de cada região e por esta razão, viraram soluções para o dia-a-dia dos moradores que preferem a praticidade e comodidade ao tempo de deslocamento até um shopping ou Centro. O bairro das Moreninhas é o precursor deste padrão e foi seguido por muitos outros da cidade, mesmo que em proporções diferentes.

Neste segmento, o bairro Aero Rancho acaba se destacando em quase todos os quesitos por deixar a população bem servida e evitar que precisem sair de suas casas e deslocarem para o centro ou até mesmo para os três shoppings instalados na cidade.

Há 16 anos morando na região, a jornalista Nathalia Oliveira não gasta seu tempo se deslocando para os centros para tentar resolver o que precisa. Ir ao centro ou shoppings, só por lazer mesmo. “É o principal serviço e facilita, é o prático. Eu cresci junto com o bairro, vi fazerem o asfalto. Moro entre o Parati e o Parque Ayrton Senna e os dois bairros se complementam. No terminal dá para resolver as questões da conta de água e luz”, destacou Nathalia.

O bairro cresceu, é verdade, e junto trouxe enormes benefícios para os moradores. Terminal para transporte público, posto de saúde, clínica da família, parques, comércios e demais benefícios que estão alocados em 7 setores, dando indicativos de serem uma das regiões mais populosas de Campo Grande.

“Acho que tem mais de 30 mil pessoas morando no Aero Rancho, é um dos maiores bairros de Campo Grande”, lembra a jornalista.

Loja de roupas virou atração no Aero Rancho, um dos mais populosos da cidade. (Divulgação, Felipe Sidy)

Microempreendedor no bairro

Felipe Sidy é novato e está apenas com pouco mais de um ano no comércio. Ele decidiu investir no ramo dos vestuários e se consolidou rapidamente por aproveitar a necessidade em ter algo deste porte no bairro Aero Rancho. Na sua visão, a necessidade de criar uma loja no local e a vontade do negócio próprio foram os principais motivadores para a abertura do negócio.

“No quarteirão em que estou atualmente, não tinha nenhuma loja que trabalhasse somente com roupas. Resolvi arriscar e graças a Deus o movimento vem só crescendo no tempo em que estou aqui”, disse o novo microempreendedor.

A ideia dele partiu da percepção de que abrindo a loja de roupas, pouparia tempo das pessoas em quererem se deslocar para um lugar extremamente longe da sua casa e ter pouco tempo para tomar decisões na hora da compra. “Grande parte das lojas de bairros oferecem os produtos com um preço bom, sem que as pessoas se desloquem até o centro da cidade. Não precisa pegar ônibus ou pagar estacionamento”, explica.

E a concorrência? Para Felipe, esse é só um mero detalhe e que com as demais lojas ao seu redor, seja de vários segmentos como autopeças, mercearia, conveniência, salão de beleza, isso vira um aliado para que as pessoas optem pelo bairro ao invés do centro. “Um puxa o outro. As pessoas vão se conhecendo, indicando e comprando, viram até clientes fixos e a primeira opção sempre vai ser onde eles gostam de ir”, finaliza.

Velha guarda é referência

Osvaldo é comerciante e toca casa de açougue que era do avô, construído há 25 anos. (Leonardo de França, Midiamax)

O bairro Tiradentes segue no mesmo ritmo para virar uma referência no âmbito comercial para facilitar os moradores. Com posto de saúde, supermercados e lojas dos mais variados tipos para ajudar a clientela, a Marquês de Lavradio é uma das ruas referência do bairro.

Tocar um ramo alternativo não é muito fácil, mas já parou para pensar como é tocar um comércio que começou há 25 anos e segue sendo referência no Tiradentes? Essa é a vida de Osvaldo Garcia, microempreendedor no ramo do açougue e que facilita a vida de pessoas que não são adeptas ao uso do supermercado, que correm das filas e que na necessidade de última hora, encontram o que precisam no bairro.

O comerciante viu seu avô dar ideia e colocar a mão na massa para ser referência no ramo das carnes e não só isso, viu também o crescimento do bairro, que teve como influência o ente querido. Na visão de Osvaldo, o bairro melhorou bastante e em vista do que era antes, segue sendo um dos locais de mais visibilidade para quem quer iniciar seu negócio, seja em qual segmento for.

O microempreendedor acredita na região, já que está no ramo com a família há anos, e espera que parte do bairro se transforme em ‘rua gastronômica’, algo muito semelhante ao que acontece na avenida Bom Pastor, em Campo Grande. “Esse bairro expandiu bastante e não tem como negar. Parte deste bairro, pelo que a gente pode ter de visão de futuro, quer se tornar como parte da gastronomia”.

Com tanto tempo no comércio, Osvaldo acredita que possa ser uma referência para os novos microempreendedores que estão querendo dar o pontapé para criar seu próprio negócio. “Eu acho que sim e todo mundo que vem aqui, pergunta. Acho bacana e acha legal a questão de o comércio envolver a família e acho que influencia sim”.

E a pretensão não para por aí. Os 25 anos de existência do comércio da família deve ser repassado para seu filho que o acompanha nas jornadas de trabalho e aumentar ainda mais a longevidade do estabelecimento. “Então, a ideia é essa. Meu filho sempre está comigo nos meus horários e trago ele para ajudar”.

Foto: Leonardo de França, Midiamax

 

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