#CG120: Com hortas cultivadas nos bairros, famílias fazem do quintal o próprio negócio

Com cara de interior, os campos de produções de hortaliças se contrastam com o arranha-céu de prédios do Centro

Comprar hortaliças fresquinhas parece até missão impossível para quem vive em cidade grande. As únicas alternativas são ficar de olho e torcer para encontrar verduras mais frescas possíveis em mercados e sacolões. Mas o que pouca gente sabe é que nos bairros mais afastados do Centro de Campo Grande existem famílias que cultivam e vendem verduras colhidas na hora e, no quintal de casa, fazem o seu próprio negócio.

(Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Há 27 anos, Raimundo Gomes da Silva, de 60, chegou na Capital cheio de esperanças de dar uma vida melhor para a família. Com a experiência de uma vida toda trabalhando com plantio, cultivo e colheita, ele decidiu que tentaria colher frutos, literalmente, das terras da Cidade Morena.

Começando com pequenos plantios no quintal de casa, o negócio cresceu e, depois de quase três décadas, o campo de produção é enorme. E para quem tem o privilégio de conhecer de perto a RV Mudas, no Bairro Parati, nota o quanto o ambiente se contrasta com o arranha-céu de prédios do Centro da cidade. A sensação é de estar no interior ou até mesmo em uma fazenda.

Raimundo conta que, quando chegou em Campo Grande, decidiu que cultivaria legumes, mas a ideia não deu muito certo e não foi para frente. Em seguida, viu que produzir hortaliças seria a melhor opção e investiu. 

“Quando eu cheguei, aqui era só quissassa, puro mato. Hoje a horta é a principal renda da família. Meus filhos cresceram aqui, meus netos foram criados aqui e agora já começam a se interessar pelo negócio”, comenta Raimundo.

As hortaliças são cultivadas de maneira agroecológicas, que é uma forma mais sustentável de manejo. Além das hortas tradicionais, plantadas na terra, a horta de seo Raimundo também conta com a hidroponia, que é uma técnica de cultivar plantas em água.

A geração de frutos na horta da família chamou atenção até de supermercados da Capital e comerciantes do interior. As mudas lavradas na horta também são transportadas diariamente para outras cidades. E se engana quem acha que o serviço é terceirizado, são os filhos de Raimundo que cuidam da administração e logística dos produtos até o interior. Mais de 200 mil plantas são colhidas diariamente da horta e são levadas em dois caminhões até as outras cidades.

(Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

A 8 km do Bairro Parati, existe outra horta, só que a produção é um pouco diferente, mas tão fresquinha quanto. Na ‘Horta Oceania’, de propriedade de Valter Nelman, de 49 anos, existe há uma década e cativa a clientela. Quem segue pela Avenida Oceania sentido centro-bairro logo se depara com a plantação em cerca de 1 hectare.

A história de Valter assemelha-se com a de Raimundo pois, como a vida toda o lavrador sempre trabalhou com agricultura, viu uma oportunidade de ganhar dinheiro no quintal da própria casa. “Há 11 anos saí da chácara e vim morar aqui nessa casa mesmo. Aí como eu já tinha a horta na chácara, resolvi que tentaria fazer uma horta aqui também. O resultado está aí, tem verduras frescas todos os dias durantes todos esses anos”, relatou.

O simples negócio no quintal de casa acabou se tornando a principal renda da família e hoje, as filhas e netas de Valter ajudam quando a clientela resolve aparecer. “O fluxo maior é de manhã e como eu fico aqui na cidade até às 10h, acaba que minhas filhas ajudam”, disse Valter à reportagem enquanto as duas filhas ajudavam nas vendas.

(Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

Vista do alto, pode-se notar o quanto a horta se contrasta com os prédios aos fundos e Valter revela quando chegou ali, não tinha ‘nada daquilo’, apenas o terreno aos fundos da sua casa permanece intocado.

Além da horta no Tiradentes, o lavrador também explica que tem uma horta na chácara, mas a mais importante é a plantão em Campo Grande. “As pessoas que sempre comprar da gente falam bem e tem até aqueles clientes que já são fidelizados”, afirmou. Desde que implantou a horta, o terreno é aberto, sem nem sequer um cercado de arame, sinal de que a confiança de Valter na região recebeu seu reconhecimento com os moradores que moram ali na região.

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