#CG120: A poucos minutos da cidade, campo é refúgio para vida tranquila

Segurança, sossego e paz são algumas das vantagens e benefícios que não têm preço

Campo Grande está ficando cada vez mais populosa e vem crescendo muito nos últimos anos, em cada quadra há comércios e casas em construções, isso é o resultado da modernização dos centros urbanos. Ao contrário da área urbana, a poucos minutos dali, nos campos mais afastados encontramos pessoas que buscam escapar dessas agitações e que preferem o ar fresco, o cheirinho de mato e viver em meio a natureza e os animais.

O vento, o verde, a segurança e uma paz que não tem preço. Essas são as definições de lugar perfeito para morar, segundo Kristiano Mendez, de 39 anos, dono de um rancho a 30 km do Centro de Campo Grande.

O amor pelo campo é passado de geração em geração. Tudo começou quando o avô de Kristiano chegou na Capital no final dos anos 80, depois seu pai e agora ele que também transmite seus conhecimentos e paixão pela área rural aos filhos.

“Morar mais afastado traz qualidade de vida, segurança e tranquilidade. Aqui minha casa fica de porta e janela aberta, quando eu saio não tenho preocupação nenhuma. Na cidade eu já não tenho esse privilégio, lá qualquer pessoa é suspeita, parece que tem sempre alguém pensando em fazer o mal”, conta.

A rotina dele começa bem cedo: levanta entre 4 e 5 horas da manhã, vai tratar dos cavalos, da horta que tem para consumo próprio, cortar o capim, rastelar a área e segue o dia. Mas quando o cansaço bate, então ele prepara o tereré, pega uma cadeira e passa o dia apreciando a maravilha que tem: o campo. “Esse lugar aqui é o paraíso, é o Texas sul-mato-grossense”, diz.

O que tem no campo que na cidade não tem: sossego

A 30 km do centro, vive a dona Wilma Naves da Silva, de 70 anos, e seu esposo Jorge Torres, 72 anos. O casal, sem filhos, mora há sete anos em um assentamento, na saída para Rochedo, e transparecem felicidade por estarem no cantinho deles, longe da cidade.

Eles levantam às 6h da manhã, tomam o café e vão cuidar dos bichos. Depois ele vai pegar leite e limpar o terreno. Ela vai fazer os serviços de casa, preparar o almoço, produzir queijos e doces que depois comercializa, e em seguida segue com as atividades sociais que presta à comunidade.

Morar no campo está no sangue da família da dona Wilma. E tudo o que ela precisa já está na casa dela. “Temos televisão, luz, água encanada, telefone, internet que é lenta, mas tem. Temos tudo que o pessoal da cidade tem e mais: temos sossego. Aqui amanhece e a porta pode ficar aberta, o ar é puro, estamos longe do barulho e do perigo de assaltos”, explica.

Dificuldades e a tecnologia

Do assentamento ao centro, eles levam 40 minutos e a única dificuldade que o casal encontra morando longe da urbanização é o acesso a saúde. Na comunidade não há posto e nem medicamentos e para conseguir só indo até a cidade.

Morar longe da região urbana para Kristiano não é nenhum problema e não vê dificuldades. O que ele precisa tem no rancho e quando falta em 30 minutos é possível ter acesso ao bairro Moreninhas que, para ele, já é um centro da cidade, pois encontra de tudo ali.

Dona Wilma tem um Smartphone simples que usa para se comunicar com os parentes que moram na cidade. Jorge usa um aparelho bem a moda antiga, sem tela digital, com teclado que é número e letra junto, daqueles que cabe na palma da mão. Para ela, ter essas tecnologias é apenas por necessidade.

“A gente acaba adquirindo porque os outros têm. Por mim não teria nada disso [televisão, internet e celular] em casa, mas só assim conseguimos ter notícias da família de maneira mais rápida. Eu não sei usar a internet e nem mexer em tudo que tem de função no WhatsApp, eu só sei ligar e mandar mensagem”, conta.

Kristiano tem quatro filhos. Ter os filhos no campo é uma realização e ensina-os a viver sem serem dependentes da tecnologia. “Meus meninos me ajudam muito e eu tento traze-los para o mesmo caminho, prefiro eles aqui do que na cidade. Graças a Deus onde eu estou eles fazem questão de estarem. Eu falo pra eles não ficarem 24 horas conectados no celular, seja no WhatsApp ou em um jogo, os avanços tecnológicos fazem com que as pessoas percam seus princípios e raízes, são poucos os jovens que sentem orgulho do passado, a gurizada de hoje tem vergonha de contar sua história”.

Números

O Censo 2010 registrou que 29.852.986 pessoas vivem em área rural no país, o que representa 15,65% da população, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A população urbana soma 160.879.708 (84,35%) pessoas.

No Centro-Oeste do país, 12,4 milhões (88,8%) estão na região urbana e 1,5 milhão (11,1%), em área rural. Em Mato Grosso do Sul são 2.097.238 que habitam os centros urbanos e 351.786 no campo. E na Capital, 776.242 moram na área urbana e 10.555 pessoas estão na zona rural.

Viva o campo

O Kristiano e dona Wilma são suspeitos em falar, pois moram no campo, mas deixam um recado especial para os leitores que ainda não conhecem as zonas rurais da cidade.

“Venha para o campo, sinta o mato. Não diga nada antes de conhecer, que seja um dia ou uma noite em um lugar sossegado desse e aí você me diz qual a diferença e as vantagens”, diz ele.

“Procure conhecer o campo, aqui é um lugar tranquilo e temos muita coisa boa, não julgue sem antes ter a experiência de passar um dia no campo”, finaliza Wilma.

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