Cadeirante tenta ir à audiência na Câmara de ônibus, mas encontra elevadores quebrados

Ele afirma que problemas no transporte de deficientes físicos são recorrentes

Se a situação dos ônibus em Campo Grande não está boa, para quem é deficiente físico, as dificuldades de se locomover com o transporte coletivo são ainda maiores. A prova da precariedade foi a saga que um idoso enfrentou para tentar chegar à audiência na Câmara Municipal na manhã desta segunda-feira (15). Por ele, passaram três ônibus com o elevador danificado.

João Faria Alves, de 71 anos, é presidente da Federação dos Deficientes Físicos e tentou sair do bairro Vespasiano Martins e chegar à Câmara utilizando o transporte público. Ele explica que três que passaram pelo ponto estavam com o elevador quebrado. Atrasado, ele desistiu da ideia e resolveu utilizar seu carro, que é adaptado.

Alves afirma que os problemas com ônibus quebrados sempre foram recorrentes e questiona por que nenhum órgão toma medidas para resolver a situação. Ele ressalta que mais de 20% da população tem deficiência física, mas estas pessoas continuam na invisibilidade. “Que caixa preta é esta que a gente não pode abrir?”, questiona.

Ele cita ainda que corredores de ônibus são necessários em Campo Grande, principalmente nas ruas Ernesto Geisel, 26 de Agosto, Maracaju, Pedro Celestino e Padre João Crippa. “Acho que não deve colocar corredor de ônibus na Afonso Pena”, opina.

Audiência Pública

O transporte público de Campo Grande é alvo de debate em audiência pública nesta segunda-feira (15) na Câmara de Vereadores. Reclamações de passageiros sobre atrasos, superlotação das linhas, valores da tarifa, condições dos terminais e dos ônibus estarão entre os temas discutidos. A discussão foi proposta para cobrar informações e respostas sobre problemas constatados, a exemplo dos ônibus que ficam parados próximos aos terminais, sem circular em determinados horários.

Foram chamados a participar da discussão o prefeito Marquinhos Trad (PSD), representantes da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos), Consórcio Guaicurus, Conselho de Usuários do Transporte Coletivo, Associação dos Usuários do Sistema Integrado de Transporte Urbano e Estadual Rodoviário e Ministério Público Estadual.

(Colaborou Richelieu Pereira)

Mais notícias