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Após massacre em Suzano, influência de games violentos divide lojistas em Campo Grande

Todos são unânimes sobre a importância do acompanhamento dos pais

Associado aos jogos de violência, não só pelo perfil do atirador, mas também através de comentários na internet, o massacre desta quarta-feira (13), em Suzano no interior de São Paulo, chocou o país. Não só este, mas também outros atentados semelhantes passaram pela mesma crítica relacionada aos games. Mas afinal eles influenciam ou não?

A opinião fica dividida entre quem trabalha diretamente com o público fã de videogames. Mas os empresários são unânimes ao dizer que é preciso um acompanhamento mais próximo dos pais.

Dono de uma loja de vendas e locação de jogos, e também professor por formação, Rafael Roberto Messias, 36 anos acredita que exista a influência e é preciso um cuidado. Ao Jornal Midiamax, ele explicou que a personalidade da criança é formada entre os 3 e 6 anos de idade, depois vem a formação do caráter e esse precisa ser observado.

Rafael Roberto, trabalha com venda e locação de jogos. (Foto: Gabriel Torres)

“A cabeça do jovem já vem com a personalidade formada, isso acontece entre os 3 e 6 anos, mas o caráter vem sendo moldado com o passar dos anos. E os jogos influenciam nisso também. Se ele é um jovem sem paciência, um jovem que quer tudo do jeito e na hora dele, se ele jogar um jogo um pouquinho mais violento pode influenciar um pouco mais”, disse.

“A realidade dos jogos hoje é muito próxima a realidade do jovem. Então tem jogo que você não precisa de um personagem, você pode ser você mesmo. Eu até pergunto aos pais que vem locar ou comprar um jogo para o filho se ele tem o conhecimento da tratativa do jogo. Por exemplo o GTA em resume, você tem que roubar e matar. Mas tem pai que diz que o filho já joga faz tempo, então está ok. Mas tem pai que prefere um jogo mais tranquilo”, contou.

Ele ressalta também, que existe também a opção de escolha. “Hoje em dia é difícil um jogo de ação sem violência, você precisa escolher um Lego por exemplo para fugir disso. Mas muitos jogos te dão a opção de escolha. Você pode querer ser o ‘salvador’, o cara que faz o bem. São dois ou três jogos que são de plena violência, a maioria tem os dois lados, você escolhe”.

Rafael trabalha apenas com venda e locação de games, e acredita ser essencial o acompanhamento dos pais. “Aqui na loja para adquirir qualquer jogo precisa ser maior de idade, a gente faz um cadastro e explica sempre para o pai o tema do jogo escolhido. É importante esse acompanhamento”, afirmou.

Já Renato Costa Gomes, 31 anos dono de uma loja que trabalha apenas com jogos online é importante analisar todo o contexto da vida daquele adolescente, não só os jogos. “Eu trabalho mais com um público adulto aqui. Até por ser uma loja de jogo online, são poucos adolescentes que chegam aqui. Mas eu mesmo cresci com jogos online, muito mais violentos dos que existem hoje, nunca fui influenciado. Das pessoas que eu conheço que cresceram com jogos que eram carnificina total, tipo o Doom, o próprio GTA, nenhuma tiveram problema com isso”, contou.

Renato Gomes, trabalha com jogos onlines. (Foto: Gabriel Torres)

“Mas o que eu vejo muito hoje, principalmente nos finais de semana que é quando os adolescentes vêm, muito do perfil da rebeldia estão relacionados também com a criação. Pode estar relacionado ao jogo, mas muito vem da estrutura familiar. Tem criança que xinga, grita, tem uma personalidade mais agressiva, já tem as que são mais tranquilas. Muito pai vem e joga com o filho e vira a referência, companheiro um do outro”, explica.

Ele conta que os adolescentes que enfrentam em casa o limite muito rígido, ou até mesmo a proibição do jogo, são geralmente os mais agressivos. “O pai precisa acompanhar, precisa ponderar. Tem pai que vem jogar com o filho e o filho é tranquilo. Já os que são proibidos em casa, geralmente apresentam um comportamento mais perturbado, mais agressivo, vem para matar mesmo. Nós temos uma geração muito esperta, ela já sabe diferenciar o real do virtual. Alguns jogos de tiro mesmo já estão bem mais tranquilos, ‘cartunizados’, sem sangue. Mas acredito sim, que em um misto de educação e jogo, pode influenciar sim. A criança que vê violência em casa. O jogo por si só não influencia, precisa existir um contexto maior”, afirmou.

Trabalhando há 20 anos na venda de jogos e jornalista, Antônio Carlos Camargo Falcão, 45 anos, não acredita de forma alguma na influência dos jogos. “Existem filmes extremamente violentos. Nos jornais a gente vê violência, e isso não influencia diretamente ninguém, porque o jogo vai influenciar? ”, contou.

Antônio Carlos, trabalha apenas com a venda dos jogos. (Foto: Gabriel Torres)

Falcão ressalta que em todos os anos nunca conheceu relatos de clientes que tenham passado por problemas de violência relacionada aos jogos. Mas também acredita no acompanhamento familiar. “Eu tenho muito cliente que traz o neto aqui para comprar jogo, e esse vô já era meu cliente. A criação, como você cria seu filho influencia. O acompanhamento do pai junto ao filho é importante”, afirmou.

“Os jogos têm classificação indicativa, os que são proibidos nós nem vendemos para menores de 18 anos, e o pai precisa observar isso também. Cabe a ele inspecionar. Tem pai que compra o GTA para o filho, e quando o filho vem sozinho a gente não vende. Então cabe ao pai definir o jogo que o filho vai jogar. Mas não acredito que o jogo tenha essa influência. Tem o contexto, bullying, criação. Se o pai observa um comportamento diferente no filho, vê a necessidade, ele deve procurar ajuda psicológica, mas não podemos culpar os jogos”, concluiu.

 

 

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