Amigos e familiares lembram da paixão de Isaac de Oliveira pelas cores de MS

Artista faleceu na madrugada desta segunda-feira após passar mal em casa

Os amigos e familiares prestam suas homenagens ao artista plástico Isaac de Oliveira, na tarde desta segunda-feira (23), no Marco (Museu de Arte Contemporânea), onde está sendo realizado o velório. No local eles lembram da paixão do artista pelas cores de Mato Grosso do Sul, representadas em suas obras.

Isaac faleceu aos 66 anos na madrugada desta segunda-feira, após passar mal em casa e ser levado ao Hospital Unimed. Ele lutava contra um câncer de pulmão.

O artista teve como inspiração a flora sul-mato-grossense para dar vida e cores às suas telas. Para o amigo e escritor Ricardo Pieretti Câmara, Isaac conseguiu traduzir em sua arte as cores de Mato Grosso do Sul.

“Eu conheci Isaac na década de 90. Ele não era de sul-mato-grossense, mas conseguiu trazer na arte dele as cores do Estado. Ele trouxe exuberância, antes desconhecida por aqui e isso caiu no gosto do povo e ele conseguiu um feito que era se tornar popular”, disse.

Emocionada, os olhos da arquiteta Valéria Resende se enchem de lágrimas ao lembrar que a sala do amigo era a casa de todo mundo. “Antes dele ser um artista famoso ele era também um grande amigo, um rapaz doce, inteligente. A casa dele era a sala de todo mundo. A arte dele eu acredito que seja um desejo de consumo de outras pessoas. É um exemplo para as crianças, as escolas fazem releituras do trabalho dele. Isaac era alegre, carinhoso”, relata.

Para a filha de Isaac, Paola Cardenas e Oliveira, o trabalho do pai falava muito sobre a cor do Estado. “Meu pai veio para cá e abraçou Mato Grosso do Sul. Ele falava das cores, da luz, queria mostrar o Estado e o que tinha aqui. A arte do meu pai marcou esse Mato Grosso do Sul”, conclui.

Despedida

A despedida do artista ainda não tem horário para terminar. De acordo com os familiares, o velório no Marco deve ir até às 23h, retornando amanhã às 6h. O museu está localizado R. Antônio Maria Coelho, 6000 – Carandá Bosque, e ainda foi divulgado o local do sepultamento.

(Leonardo de França, Midiamax)

O artista

Nascido no ano de 1953, em Ilhéus, na Bahia morava há quase 40 anos em Campo Grande (MS). Isaac de Oliveira começou a pintar desde os 12 anos de idade e, recebeu incentivo desde muito cedo por sua professora. O artista e publicitário considerava muito importante o aprendizado clássico e teórico que recebeu; pintou desde “cachinhos de uva” a algo mais comercial como gibis.

Artista independente, Isaac partiu em busca de um estilo próprio, mas teve de passar por diversas fases até chegar ao estilo que o deu grande projeção. Segundo o próprio afirmou em entrevistas, suas telas traziam figuras bastante detalhadas, e o espaço que sobrava ao fundo (que era pequeno) era preenchido por “movimentos coloridos”. Movimentos que cresceram em suas telas e hoje ocupam parte muito importante, como uma marca registrada.

Ipês de Isaac de Oliveira (Marcos Ermínio, Midiamax)

O prédio do Sesc Cultura na avenida Afonso Pena, entre as ruas Rui Barbosa e 13 de Maio, e erguido em 1922, é o lar de uma das últimas obras do artista, os Ipês de Isaac de Oliveira, que estampam a estrutura do lado de fora. Isaac de Oliveira, ao lado dos artistas Almir Sater e Humberto Espíndola, recebeu da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul o Título de Doutor Honoris Causa em julho deste ano. (Com informações Carlos Yukio)

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