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Família protesta contra suposto erro médico após morte por leucemia

Hospital relatou não ter agulha para fazer exame 

Quando deu entrada no posto do bairro Coronel Antonino, Maura Nogueira de Alcântara, 36 anos, relatava sentir apenas tonturas e dores de cabeça. Quinze dias depois, ela veio a óbito no Hospital Regional, diagnosticada com leucemia.

Familiares de Maura, formada em Administração e prestes a começar um curso de Enfermagem, acusam o Hospital de negligência. Eles organizaram uma passeata na manhã deste sábado (14), na Av. Salgado Filho.

O presidente da AVEM-MS (Associação de Vítimas de Erros Médicos de MS), Valdemar Morais, afirma que, apesar da suspeita de leucemia ter sido apontada desde a entrada de Maura no posto de saúde, um exame para confirmar a doença não foi realizado.Associação auxiliou família em protesto

“Falaram em gripe, em leishmaniose, em pequenas infecções, mas não constatavam nada”, explica Morais. No posto de saúde, Maura teve uma piora e foi internada, mas liberada pouco tempo depois.

Em casa, a paciente foi informada da abertura de uma vaga no Hospital Regional, e voltou a ser internada. No local, Maura teria passado por novos exames, porém um exame de medula óssea, que constataria a leucemia, não foi feito pois o Hospital não tinha a agulha coleta necessária ao procedimento.

Hospital negou transferência, diz mãe

“Eles não deixaram a gente fazer o exame particular, pois diziam que não seria aceito pelo SUS”, relata a mãe de Maura, Cleuza Nogueira, 48 anos. A paciente faleceu deixando uma filha de 7 anos aos cuidados do pai, seu marido.

“O quadro dela de exames nunca era fechado”, explica Cleuza. “Nós tentamos transferir ela para outro lugar mas não deixaram. Falaram assim, ‘se sair daqui, não pode voltar mais. Minha filha falava, ‘mãe, eu não vou aguentar, me tira daqui’”, conta a mãe, emocionada

Cleuza diz que filha pediu por transferênciaSegundo ela, por duas vezes uma tentativa de exames de medula óssea foram adiadas. “De repente”, diz Cleuza, “chegaram com um exame falando que ela tinha leucemia, e no mesmo dia levaram ela pra fazer a quimioterapia”.

No dia 9 de fevereiro, às 6h da manhã, Maura teria sido submetida à quimioterapia. Já debilitada pelo quadro avançado da doença e cansada dos exames, a paciente não resistiu ao procedimento e teve de ser entubada. Maura faleceu às 3h10 da madrugada seguinte, menos de 24h depois da sessão de quimio.

“Eu não quero que outras mães passem pelo que eu passei. Se outras mães tivessem protestado, talvez eu não tivesse que estar aqui hoje. Por isso eu não posso me calar”, diz Cleuza.

Cleuza, assim como seus familiares e o presidente da AVEM-MS, acreditam que se a leucemia tivesse sido constatada anteriormente, o óbito de Maura poderia ter sido evitado. “Uma senhora que teve o mesmo problema da minha filha me disse que só sobreviveu porque não ficou lá [no Hospital Regional]”, diz a mãe.

Associação estuda acionar MP

Segundo o presidente da AVEM-MS, Valdemar Nogueira, um boletim de ocorrência foi registrado após o falecimento de Maura, acusando o Hospital Regional de cometer erro médico.Associação relata outros erros no HR

Agora, a Associação pretende acionar o MP-MS (Ministério Público Estadual) para pedir que fiscalizações sejam feitas no Hospital para evitar novos supostos casos de negligência e erros médicos.

“Nós tivemos outros casos de mortes no HR que aconteceram que suspeitamos que tenham sido por erros médicos”, diz Morais. Ele relata o caso de uma idosa que teria falecido depois de ter tido seu aparelho cardiorrespiratório desligado, o que o Hospital nega.

O Jornal Midiamax tentou entrar em contato com o Hospital Regional. Por meio de sua assessoria, o Hospital alegou que “a paciente foi internada em 24 de janeiro permanecendo internada até 10 de fevereiro vindo a óbito”.

O hospital ressalta que Maura “tinha diagnóstico de leucemia e estava sendo assistida pelo setor de onco-hematologia”, e que “as demais informações serão apuradas”.

(matéria editada às 15h42 para acréscimo de informações)

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