Fake News sobre vacinas fazem doenças erradicadas ressurgirem no país

Em Campo Grande, campanha contra poliomielite e sarampo foi intensificada

Doenças que pareciam estar sob o controle e até mesmo erradicadas no Brasil voltaram a despertar preocupação das autoridades em saúde. Isso porque, mesmo após décadas sem notificações, elas voltaram a constar no quadro epidemiológico de algumas regiões do país.

Para o Ministério da Saúde, por trás desse novo fenômeno estão as fake news, as notícias falsas que são frequentemente disseminadas em redes sociais e comunicadores como Facebook e WhatsApp. Sem checar a veracidade, os usuários das redes acabam compartilhando o conteúdo falso, e, consequentemente, despertando temor na população.

Dentre as doenças que ressurgiram, estão o sarampo e a poliomielite, cuja campanha de imunização gratuita segue em andamento até o próximo dia 31 de agosto. Ao mesmo tempo em que órgãos de saúde passaram a notar forte queda nos índices de procura pela vacina, a campanha também em sido alvo de fake news desde seu início.

Em Campo Grande, por exemplo, a meta de 95% de imunização está longe de ser alcançada. Até esta quarta-feira (29), somente 52% de cobertura vacinal foi observada pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Para o poder público, portanto, as fake news podem ter tido grande influência.

“É uma situação muito grave, na qual pessoas podem ter grandes consequências na saúde e até morrer por conta dos boatos maldosos. É uma situação desastrosa para a saúde, porque leva os pais acreditarem que a vacina em vez de fazer bem, faz mal. E com isso, as crianças ficam expostas a contrair uma dessas enfermidades”, destaca a titular da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica da Sesau, Mariah Barros.

Segundo a coordenadora, a pasta já tem observado a influência negativa de fake news desde outras campanhas, como a imunização contra a influenza, HPV e febre amarela. “Não é de agora, já tem um tempo que observamos o desinteresse em receber as vacinas. Só que em relação ao sarampo e poliomielite temos um quadro mais grave”, destaca.

Desconhecimento

Ao centro, a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesau, Mariah Barros (Foto: Divulgação | PMCG)

A coordenadora defende que uma das razões que possibilitam a crença nas fake news está a falta de conhecimento sobre as doenças que foram erradicadas, mas que ressurgiram.

“A partir da década de 1980 houve grandes avanços em relação a cobertura vacinal no país. Só que essa geração de agora não viu a doença, não sabe as consequências. Elas podem até acreditar que as doenças não existem aqui, mas ignoram que há países que as exportam”, pontuam.

De fato, Venezuela, na América do Sul, e até mesmo países da Europa têm enfrentado surtos de sarampo e poliomielite – nestes países, campanhas anti-vacinais ou deficiência nos serviços de saúde costumam ser mais fortes.

Fronteiras e aeroportos são, portanto, portas de entrada das doenças. E quando a imunização não atinge toda a população, cria-se uma janela para o contágio. “É criminoso fazer isso com as crianças. Estão tirando o direito delas serem imunizadas por ignorância. Não podemos acreditar em tudo que nos mandam pela internet”, afirma Mariah Barros

Ministério lança serviço

Pelo serviço on-line, notícias receberão selos de verdadeiro ou falso (Foto: Reprodução | Midiamax)

O próprio Ministério da Saúde lançou, nesta semana, uma campanha para disponibilizar profissionais do setor à disposição da população a fim de checar a veracidade de notícias disseminadas em redes sociais.

Para tanto, pessoas que se depararem com notícias duvidosas, principalmente que relacionem mortes às campanhas de imunização, podem adicionar o número (61) 99289-4640 aos contatos da agenda do celular e enviar uma mensagem, pelo WhatsApp, a fim de saber se o conteúdo é real ou falso.

De acordo com o Ministério da Saúde, o conteúdo é apurado junto às áreas técnicas do órgão e devolvido ao cidadão com um carimbo que informa se é fake news ou não (veja vídeo promocional abaixo). O conteúdo analisado também será disponibilizado no portal do Ministério, que pode ser acessado em http://portalms.saude.gov.br/fakenews.

Vale lembrar que o canal é exclusivo para o recebimento de fake news. Demais serviços relacionados ao Ministério da Saúde podem ser obtidos pelo número 136, ou nas secretarias municipais e estaduais de saúde.

Imunização reforçada

Lançada no último dia 6 de agosto, a campanha de imunização contra Sarampo e Poliomielite chega ao fim no próximo dia 31. Todavia, por conta dos baixos índices de cobertura obtidos até o momento, todos os postos de saúde da Capital ofertarão a imunização até sexta-feira.

No sábado e domingo, os CRS (Centros Regionais de Saúde) atuarão em regime de plantão, com equipe reforçada, para atingir a meta de 95% de alcance vacinal. A intensificação da campanha também será realizada nos demais municípios de Mato Grosso do Sul.

“Pedimos que os pais levem seus filhos na unidade de saúde mais próxima de casa, para garantir que os filhos não fiquem expostos a essas doenças, que podem ter fortes consequências na vida delas”, conclui Mariah Barros.

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