Deputado diz que reintegração de posse acabaria em ‘muito sangue’

Zeca do PT e outros políticos foram até Caarapó 

Com reintegração de posse prevista para ocorrer às 6h desta segunda-feira em Caarapó, a 273 km de Campo Grande, o deputado federal Zeca do PT esteve presente na cidade no sul do estado e previa conflitos. A ação, que seria executada pela PF (Polícia Federal) e pelo Batalhão de Choque da PM (Polícia Militar) foi suspensa pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

De acordo com Zeca, a visita foi motivada pela possibilidade do conflito, mas após a suspensão da decisão liminar, o deputado irá voltar para Campo Grande. “Estou em Caarapó na defesa do povo indígena. Foi suspensa a desocupação e estou retornando, mas estava bem tenso, iria ter muito sangue”, afirma. Zeca do PT afirma que no momento o clima da região é tranquilo e não há manifestações. Outros políticos estiveram presentes na terra de conflito, como os deputados Vander Loubet (PT) e João Grandão (PT).

De acordo com o missionário Flávio Vicente Machado, do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), o clima é de alívio entre os indígenas. “A comunidade está neste momento reunida, avaliando a situação e comemorando porque havia um grande efetivo da polícia”.

Segundo o missionário, os indígenas temiam violência por parte da polícia, mas não há conflito com os proprietários. “Os fazendeiros não se envolveram, era o cumprimento de uma decisão judicial”. O Jornal Midiamax tentou entrar em contato com o Sindicato Rural de Caarapó, mas ainda não obteve resposta.

Área de conflito

A ação seria executada pela Polícia Federal e Militar na Terra Indígena Dourados Amambaipegua I – onde o agente de saúde indígena Clodiodi Aquileu e Souza foi assassinado em 2016. De acordo com documento da Funai, a reintegração deveria ser suspensa por ser uma área de “extremamente conflituosa”.

Em documento oficial, a Funai pedia urgência ao STF para a “proteção da vida e segurança dos indígenas e das demais pessoas da região”. De acordo com o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), a Terra Indígena Dourados-Amambaipegua I, uma porção da área abarcada pelos acampamentos, é foco de um processo de demarcação com tramitação interrompida pelo governo. A área, vizinha à reserva Tey’i kue, teve seu relatório de identificação e delimitação publicado já em 2016. Segundo o Conselho, 18 ações de reintegração de posse e interditos proibitórios estão em curso na Justiça Federal de Dourados (MS) contra a comunidade indígena de Caarapó.

 

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