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Comparado a outras capitais, Consórcio Guaicurus cobra mais caro por menos ônibus

Cuiabá, Goiânia e Distrito Federal têm mais ônibus circulando por habitante

Os passageiros do transporte público de Campo Grande manifestaram reprovação com o aumento no preço do ‘passe de ônibus’, que foi de R$ 3,70 para R$ 3,95 desde segunda-feira (3). A reclamação pelo aumento se deve à falta de conforto nos ônibus, segurança e pontualidade. E não é à toa, pois comparado com outras capitais, o transporte público de Campo Grande fornecido pelo Consórcio Guaicurus acaba deixando a desejar na comparação entre preço e qualidade do serviço.

O Jornal Midiamax apurou informações sobre os transportes públicos de Cuiabá, Goiânia e Brasília, capitais próximas, e comparou com o serviço que é oferecido em Campo Grande na quantidade de ônibus para atender a população, preço da passagem. O resultado, além do valor, é a qualidade ofertada aos moradores.

A frota de ônibus na Capital sul-mato-grossense é de 598 veículos para atender 774 mil moradores. Um bom número, porém, muitos desses veículos acabam ficando nas garagens das viações na maior parte do tempo ou muitas vezes se quer circulam enquanto a população acaba contando com a sorte nos pontos de ônibus lotados.

Capital do Mato Grosso, Cuiabá, tem 607 mil pessoas e para atendê-los, a frota de ônibus é de 364 veículos ativos durante o dia, sendo 80 carros com ar condicionado disponibilizados aos passageiros. O número corresponde a 22% do total da frota. O passe, que também já teve reajuste, é de R$ 3,85. Com qualidade e conforto, os moradores aproveitam de um transporte que funciona, sem reclamações.

A ‘lavada’ acaba sendo ainda maior quando comparado com Brasília. A Capital do país tem população de 2,4 milhões de moradores que dispõem de 2,8 mil ônibus no transporte público. Do total, 213 são articulados, sendo 62 BRTs, e 251 veículos tem ar condicionado. Número proporcional? Sim. Mas acontece que o passe no Distrito Federal é de R$ 2,50, podendo chegar a, no máximo, R$ 5 para viagens até as cidades satélites.

Comparando com Campo Grande, não o preço, afinal, não há o que se comparar, mas com os veículos articulados. Apenas cinco BRTs rodam pela cidade enquanto os 18 articulados foram retirados das ruas em setembro deste ano. A retirada dos veículos foi anunciada logo depois da chegada dos 20 novos ônibus.

Outra capital que tem frota gigantesca de ônibus é Goiânia, que desfruta de 3 mil ônibus convencionais para atender população de 1 milhão de pessoas diariamente. A capital goiana passou dois anos sem ter reajuste na tarifa e, neste ano, passou de R$ 3,70 para R$ 4. Apesar do aumento, neste ano 60 carros novos chegaram na cidade e 11 novas linhas seriam inauguradas.

Poucos ônibus circulando

Nesta terça-feira (4), a reportagem conversou com Rosangela Alves, que veio, inclusive, de Goiás e garantiu que nunca viu tamanho descaso com o transporte público como na Capital de Mato Grosso do Sul. A promotora de merchandising contou que quando chega no ponto precisa esperar dois ou três ônibus até conseguir subir no coletivo.

“A babá da minha filha fica irritada porque eu me atraso, tenho hora para sair do trabalho e não consigo sair mais cedo. Veículo sempre lotado, sem ar condicionado, eu fico inconformada porque tenho que esperar diversos ônibus da (linha 080) até subir em um.”

‘Com ar compensaria o valor’

Se ao menos o transporte público oferecesse conforto aos passageiros, a situação poderia ser diferente. No último mês, a reportagem do Midiamax conversou com passageiros que afirmaram preferir os veículos climatizados, pois acredite se quiser, rola até briga para entrar nesses convencionais.

Para Edna Gonçalves, de 64 anos, disse que é mais confortável porque ‘pelo menos’ compensaria o valor da passagem. “Já andei nesses com ar algumas vezes no 061 [linha] e é realmente fresquinho. O calor com certeza faz as pessoas disputarem um lugarzinho neles porque já que é para pegar lotação no calor, que seja em um ônibus melhor”, disse.

‘Ruim, caro e atrasado’

Os campo-grandenses não escondem a insatisfação com o serviço de transporte público que é oferecido pela Prefeitura atualmente. O ‘passe de ônibus’, que antes era R$ 3,70, aumentou para R$ 3,95 nesta segunda-feira (3) e resultou em enxurrada de reclamações dos passageiros.

Para se ter uma ideia do que isso representa no orçamento, um passageiro que utiliza dois ônibus por dia, durante 30 dias, antes, gastava R$ 222 em um mês. Com o novo valor, serão gastos 237 no mesmo período.

O aumento de R$ 0,25 representa 6,75% de reajuste na tarifa do transporte, ou seja, dois pontos percentuais acima da inflação oficial, de 4,56% nos últimos 12 meses, conforme o IBGE.

 

 

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