Ciclismo conquista moradores, mas ‘convivência’ com motoristas ainda preocupa

Campo Grande tem 66 km de ciclovias e atualmente tem, em média, 200 mil ciclistas

Com o aumento no preço do combustível, o número de moradores que optaram por se locomover de cresceu em Campo Grande. Com isso, tem sido muito comum ver os ciclistas transitando nas ciclofaixas e s pela cidade e número de pessoas que passaram a migrar na modalidade só cresce.

O número de ciclistas na Capital é de cerca de 200 mil moradores. Além disso, a cidade tem 66 km de ciclovias, 12 km de ciclofaixas, 1,8 km de calçadas compartilhadas.

Mas o trânsito da Capital tem condições de suportar o crescente número de ciclistas? Para o psicólogo especialista em trânsito, Renan Cunha Soares, não. O problema seria justamente a falta de estrutura oferecida ao ciclista e a falta de respeito dos motoristas.

“Independentemente do modo em que se utiliza trânsito, a gente tem algumas estruturas que são básicas e que boa parte da cidade não tem, como as s, ciclofaixas e bicicletários. Assim como a gente tem o decréscimo do transporte público, para o pedestre com a falta de estrutura, o ciclista também tem uma ausência de estrutura”, afirmou ao Jornal Midiamax.

A falta de condições no trânsito para os ciclistas acaba contribuindo no número de acidentes em que eles se envolvem. Segundo o Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito), em 2017 foram registrados 242 acidentes com ciclistas, sendo um resultando em morte. Em 2018, já aconteceram 157 acidentes.

O que dizem os ciclistas

Em ida rápida no Centro de Campo Grande, a reportagem do Midiamax encontrou e conversou com dois ciclistas que trafegavam da no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Avenida Calógeras.

Ciclismo conquista moradores, mas ‘convivência’ com motoristas ainda preocupa
Diego Dias da Silva | Foto: Minamar Júnior

Usando a como meio de transporte, o padeiro Diego Dias da Silva, contou que se sente seguro andando nas s apenas em algumas partes da cidade e que os motoristas e motociclistas estão longe de respeitar o espaço dos novos companheiros de trânsito.

“Tem algumas [regiões] que os motoristas não respeitam. Por isso procurar andar sempre pela , apesar de que tem poucas. Muitas das vezes eles [motoristas e motociclistas] não respeitam, mesmo a gente acenando”, disse Diego, que relatou nunca ter sofrido nenhum acidente.

Diferente de Maxwel de Souza, que revelou ter se acidentado duas vezes enquanto pedalava em Campo Grande.

Ciclismo conquista moradores, mas ‘convivência’ com motoristas ainda preocupa
Maxwel de Souza | Foto: Minamar Júnior

“O primeiro eu estava nas proximidades do Shopping Campo Grande aí eu estava descendo a rua e a mulher estava parando o carro. Ela abriu a porta do carro de repente e eu bati e quase entrei dentro do carro da mulher”, contou o cozinheiro.

O segundo acidente aconteceu também na região central, onde as s foram instaladas de ponta a ponta na Avenida Afonso Pena.

“Na segunda vez foi descendo a Praça do Rádio. Eu estava descendo e a motorista foi virar e não deu seta, no que ele foi virar na minha frente, não deu tempo de parar e eu bati na lateral do carro dela. Aí deu uma arranhada no carro e ela foi embora”, relatou o ciclista, que sequer recebeu socorro da motorista.

O morador, que já morou em várias cidades do Brasil, afirma que Campo Grande pode-se considerar como uma das cidades com mais s, no entanto, a educação no trânsito precisa melhorar para que mais usuários possam se sentir seguros ao optar pela modalidade.

“Não é certo essa falta de atenção [dos motoristas] ainda mais por causa dessa gasolina tão cara o ciclismo na cidade seria ideal. E também é uma questão de saúde. Mas tem aqueles que não respeitam, aí fica difícil”.

Bikes já dominam as ruas

Presidente da Associação dos Ciclistas e proprietário de uma das mais antigas lojas de s em MS, a Ciclo Ribeiro, Clemencio Ribeiro, de 64 anos, contou a reportagem que Campo Grande já tem, em média, 200 mil ciclistas amadores e as vendas de bikes cresceram 45% neste ano.

“Hoje as pessoas passaram a usar muito a em Campo Grande. Por mês chegamos a vender em torno de 150 s dos modelos tradicionais e, no geral, umas mil de diversos modelos”, relatou Ribeiro. O preço das s variam de R$ 150 a até R$ 8 mil.

Fã das pedaladas, o empresário chega a andar 20 km frequentemente de e de vez em quando, arrisca até cruzar a cidade pedalando. “Tem vez que eu pego desde lá do Indu Brasil e venho para cá. É uma questão de saúde, laser e esporte”, disse.

A paixão por s chega a reunir 60 ciclistas, em média, para passeio de 25 km todas as quartas-feiras. A largada sempre acontece em frente à loja matriz da Ciclo Ribeiro, localizada na Avenida das Bandeiras.

Respeito com o ciclista e cobrança

Para o psicólogo Renan Cunha Soares, a melhor forma que conseguir melhorias de s na cidade é pressionando as autoridades a investirem.

“O caminho para que essa estrutura necessária venha é pela pressão das pessoas que usam esse tipo de veículos. Levando ao poder público a necessidade de investir nessas formas alternativas de transporte que é uma das opções de mobilidade que temos aqui em Campo Grande”, pontou.

Finalizando, o professor universitário também orienta os motoristas e motociclistas que o espaço do ciclista também deve ser respeitado para evitar acidentes.

“Primeiro que as pessoas devem reduzir a velocidade, porque é um dos grandes problemas do trânsito hoje. Segundo, transita ao menos meio metro de distância dos ciclistas [nos casos em que os ciclistas andam na rua], mantiver uma distância considerável. Tem que ter esse cuidado por parte do motorista e evitar incidentes”.

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