Cenipa vistoria Aeroporto de Campo Grande após avião atropelar capivara

A aeronave perdeu o controle da direção com o impacto

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) realiza nesta quarta-feira (11) uma vistoria para verificar as condições de segurança do Aeroporto Internacional de Campo Grande e  possíveis irregularidades que possam ter ocasionado o acidente. A equipe de investigação chegou ao local por volta das 10h e ainda não há informações sobre os resultados da perícia.

Em nota, a o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica informou que o objetivo da investigação é prevenir novos acidentes com a mesma característica e que ainda não há informações conclusivas. “A Ação Inicial é o começo do processo de investigação e possui o objetivo de coletar dados: fotografar cenas, retirar partes da aeronave para análise, reunir documentos e ouvir relatos de pessoas que possam ter observado a sequência de eventos”.

Na noite desta quarta-feira (11), uma capivara foi atropelada por uma aeronave de instrução na pista principal do Aeroporto. No momento do acidente, uma aluna e seu instrutor faziam aulas práticas e perderam o controle da aeronave, mas não se feriram. De acordo com o advogado da escola de aviação Fly Company, Humberto Figueiró, o acidente poderia resultar em vítimas fatais. “Não estamos falando de uma pista no interior do estado, é um aeroporto internacional com muitos passageiros. Se fosse um voo comercial, poderia causar uma tragédia”.

Figueiró ainda afirma que a capivara não deveria ter sido retirada do local antes da realização da investigação e que o ocorrido deveria ter sido evitado. “Este foi um acidente completamente previsível, por ser uma cidade onde há grande população de capivaras”. Segundo informações obtidas pela reportagem, a Infraero e a Base Aérea de Campo Grande seriam os responsáveis pelo monitoramento e pela fiscalização do grupo de animais próximos ao Aeroporto. 

Em nota, a Infraero informou ao Jornal Midiamax que está auxiliando os trabalhos de investigações do Cenipa e que periodicamente realiza trabalhos de vistorias para impedir invasão de animais no aeroporto. “A Infraero informa que o Aeroporto de Campo Grande conta com medidas visando à prevenção e mitigação de ocorrências com fauna, realizadas por meio de seu Programa de Gerenciamento do Risco da Fauna (PGRF), que estabelece procedimentos permanentes, sazonais e eventuais, incorporados à rotina operacional do aeroporto.”

Por fim, disse que todas ocorrências relacionadas à fauna são reportadas ao Cenipa e, quando observada a presença ou aglomeração de animais em áreas externas ao aeroporto, que possam causar interferência nas operações do aeroporto, a Infraero comunica os órgãos locais responsáveis para a adoção das ações necessárias.

O acidente

A diretora da escola de aviação Fly Company, Delci Tasinato, conta que a aluna já estava em fase final das aulas, quando praticava voos noturnos. “Quando o aluno sai da instrução, tem aulas noturnas. O instrutor estava decolando, já havia tirado a roda do chão quando pegou na capivara”.

A diretora da escola afirma que o animal morreu na hora e os integrantes do voo não se machucaram, foi apenas um susto. “Na hora, eles nem sabiam o que era. O avião desgovernou, foi para o lado, para a pista auxiliar e deslizou na grama até parar. O trem de pouso quebrou e a asa do avião bateu no chão”. Segundo Delci, o avião era de pequeno porte, do modelo Cessna 250.

A escola de aviação acredita que o Aeroporto deva ser responsabilizado, por ser o responsável pela segurança no local e o prejuízo com a aeronave é calculado em torno dos R$ 80 mil. “Temos este prejuízo material, mas também o psicológico. Uma pessoa que passa por um susto destes deve ter acompanhamento profissional”, diz o advogado Figueiró.

*Matéria atualizada às 13h para acréscimo de informação

​*Colaborou: Mariane Chianezi

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