‘Super favela’: sobe para mil número de famílias que ocupam terreno da Homex

Aglomerado lembra a extinta Cidade de Deus

Subiu para cerca de mil o número de famílias que desde o último dia 3 ocupam o terreno que integrava o complexo de apartamentos da empresa mexicana , no Bairro Bairro Coelho Machado, na região sul de Campo Grande.  A favela, quase três vezes maior que a extinta Cidade de Deus impressiona pelo tamanho e é a segunda invasão que acontece na Capital em menos de um mês.

No local, fitas e barbantes são usados para demarcar os terrenos. Entre os moradores ficou decidido que cada um teria direito a uma área de 10X20 metros. Cada ocupante é responsável por limpar o terreno e construir o barraco para lhe servir de abrigo. Na pressa de demarcar o lugar, alguns moradores se uniram e contrataram uma patrola que fazia a limpeza de alguns terrenos na tarde deste domingo (15).

O cenário, antes composto basicamente pelo mato e ruínas das inacabadas construções da , deram espaço aos Pedaços de madeiras, telhas e lonas usados no alicerce dos barracos que aos poucos começam a surgir.

O perfil da maioria é quase o mesmo: pessoas que vivem de aluguel, estão na fila de programas habitacionais de Mato Grosso do Sul há mais de uma década e que se dizem  cansados de esperar. “Pra alguns isso aqui é a última saída já que não conseguimos ser sorteados com casas da Prefeitura. Não tem como ficar pagando aluguel porque precisamos comer, beber, vestir”, diz uma empregada doméstica, de 44 anos, que não quis se identificar.

De acordo com um morador que não quis se identificar, técnicos da Prefeitura estiveram no local e conversaram com os moradores. “Disseram que não era pra a gente ocupar a área da Avenida nem a área verde”, disse.

Primeira invasão

No bairro vizinho, o Los Angeles, o terreno de 18 hectares foi invadido no final do ano passado, e já ganhou forma de residencial; dezenas de casas de alvenaria já foram construídas. Os primeiros habitantes alegavam que o terreno foi escolhido porque estava abandonado há vários anos, e servia apenas de esconderijo de bandidos e ‘desova’ de corpos. A ocupação tem modo profissional, e os terrenos custam R$ 1,2 mil, e para a regularização dos lotes,  cada família irá pagar R$ 1 mil ao advogado. Por lá, o silêncio é a palavra de ordem.

A Prefeitura de Campo Grande informou por meio de sua assessoria de imprensa que, um fiscal da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) irá ao local nesta quarta-feira para checar se o terreno pertence, de fato, ao município. Se confirmada a informação de que a área é bem público, os moradores serão notificados e ‘convidados’ a se retirar e caso permaneçam na invasão, o município deve pedir na Justiça a reintegração de posse.

De acordo com a Constituição Federal de 1988, é proibido que as áreas públicas sejam usucapidas. Cabe analisar, então, a possibilidade de se ter indenizadas as benfeitorias feitas nessas áreas.

Abandono

Em 2013 a empresa mexicana abandonou a obra de construção das moradias, que começou a ser erguido em 2011. Á época, a empresa informou que estava passando por dificuldades financeiras, e para dar conta de concluir as 272 unidades que a empresa não conseguiu entregar, a e Caixa Econômica Federal foi acionada para assumir a finalização dos apartamentos.  Dezenas de apartamentos não foram terminados e estavam em estado de abandono.

Eram previstos ainda a construção de mais blocos, que começaram a ser construídos, mas as obras foram interrompidas e estão abandonadas até hoje. Como esses imóveis ainda não estavam vendidos, segundo a financeira, não havia necessidade de ser concluído.

Até o começo deste ano, moradores que deram início ao financiamento dos imóveis ainda aguardavam a entrega das chaves. A promessa da era de que os apartamentos seriam entregues aos consumidores em 2012. A proposta da empresa era de construir 3,2 mil unidades, mas só 770 foram erguidas.

 

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