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Há 1 mês, mãe busca forças e tenta driblar perguntas dos irmãos de Kauan

Além da tragédia, familiares enfrentam a ausência do corpo

Criança sente falta e pergunta mesmo. Na casa de Kauan Andrade, 9 anos, morto e jogado no Córrego Anhanduí na madrugada do último dia 26 de julho, não seria diferente. Não bastasse a dor de perder mais um filho, Janete dos Santos Andrade, 35 anos, busca forças para driblar as perguntas de irmãos mais novos sobre o paradeiro do familiar. Durante manifesto na Praça Ary Coelho, na tarde desta terça-feira (25), familiares do menino e mães de outras crianças do bairro pedem Justiça ‘Por nenhum Kauan a menos’.

Grupo de cerca de 30 pessoas se reuniu com cartazes para pedir Justiça e celeridade nas investigações sobre a morte e desaparecimento do corpo do garoto. Entre os participantes, a mãe, padrasto e avó de Kauan. Mães de outras crianças reforçaram o movimento por não se sentirem mais seguras em deixar os filhos brincarem pelas ruas do bairro onde o crime ocorreu.

Abalada, Janete falou rapidamente com a reportagem, e agradeceu o apoio que tem recebido dos familiares, conhecidos e até desconhecidos. Sem forças, até para acompanhar as buscas, Janete ressalta a dor de não poder contar o que houve com o filho para os irmãos mais novos do garoto.

“Estou sem forças, inclusive, para acompanhar as buscas. Os irmãos de 2, 3, 6 anos e até um bebê de 8 meses estão perguntando do Kauan, e, ainda, não falamos o que aconteceu realmente. Tenho que fingir que estou alegre por eles, porque eles também precisam de mim”

O padrasto Ismaile Ferreira Bastos, 29 anos, disse a reportagem que Kauan era como um filho, e relata a mudança da rotina da casa após a tragédia. “Ainda não sabemos o que se passa pelas nossas cabeças. Ainda não caiu a ficha”, disse.

A avó de Kauan, Nilza dos Santos Andrade, de 72 anos, lembra da alegria e obediência de Kauan. Segundo ela, a ‘falsa’ esperança de Kauan retornar também acompanha os familiares, que enfrentam, além da tragédia, a ausência do corpo de Kauan.

“Ele era muito obediente e não precisava falar duas vezes. Quando cai a noite parece que ele vai voltar. O videogame está lá esperando ele voltar”, finalizou.

Caso

Kauan desapareceu da casa da família, no Aero Rancho, no dia 25 de junho. O menino cuidava carros na região quando foi visto pela última vez. A família registrou boletim de ocorrência e as investigações foram realizadas pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente). Foram mais de 20 dias sem notícias até o último sábado (22), quando o caso foi esclarecido.

Durante as investigações do desaparecimento, um adolescente de 14 anos acabou apreendido por envolvimento no crime. Ele relatou à polícia que atraiu Kauan na noite do dia 25 de junho para a casa do pedófilo. A criança teria falecido enquanto era violentada.

Com Kauan inconsciente, não se sabe ainda se desmaiado ou já sem vida, os suspeitos colocaram o corpo do menino em saco plástico e ‘desovaram’ no Córrego Anhanduí, por volta da 1 hora do dia 26 de junho.

O suspeito de matar Kauan nega as acusações, mas de acordo com o delegado Paulo Sérgio Lauretto, o depoimento do adolescente e os fatos já confirmados pela perícia, na casa do revendedor de celulares, não deixam dúvidas da autoria.

Na casa do homem, que também já teria dado aulas de português em uma escola do Portal Caiobá, a polícia encontrou sangue na cama, no chão e no porta-malas do carro, além de material pornográfico no computado. Dois dos filmes apreendidos mostravam cenas com o próprio suspeito.

Sobre o local onde o corpo foi deixado, segundo a autoridade policial, o adolescente apresentou contradição. Ele afirma que entrou no carro do pedófilo, com o corpo no porta-malas, mas que não desceu do veículo para jogar o corpo. O criminoso teria ido sozinho às margens do córrego e permanecido por aproximadamente 30 minutos.

Assista o vídeo aqui.

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