Famílias enfrentam chuva e ocupam área no Dom Antônio

Estão no local desde a sexta-feira 

Cerca de 50 famílias, que teriam sido deslocadas da antiga Cidade de Deus para o bairro Vespasiano Martins, ocuparam a área, que fica na região do bairro Dom Antônio Barbosa, na Capital, desde a sexta-feira (19), e já estariam reconstruindo os barracos.  A seis viaturas da GCM (Guarda Civil Municipal), duas da PM (Polícia Militar), um representante da Emha (Agência Municipal de Habitação) e um fiscal da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana) estão no local.

De acordo com os moradores eles estariam sem condições de pagar o aluguel, já que muitos deles ficaram sem emprego com o fechamento do lixão. E então se reuniram e decidiram limpar a área que estaria abandonada desde a desocupação e teria se tornado um depósito de lixo.

“As famílias estão passando por dificuldades. O local está sendo para descarte de lixo. Tiraram a gente daqui e deixaram o terreno abandonado”, disseram.

Segundo Guilherme Rodrigues, 28 anos, a intenção dos moradores seria limpar o terreno primeiro e depois começar a construir os barracos. “A gente tá aqui desde ontem, estamos limpando o terreno que tá cheio de lixo, para depois construir os barracos”, contou.

Guilherme ainda afirmou que na sexta-feira, policiais e guardas militares estiveram no local acompanhando a ocupação e que teriam informado que após a construção do barraco o dono do mesmo seria encaminhado para a delegacia de polícia.

“Eles na sexta disseram que ia levar quem construísse barraco para a polícia. Hoje, os guardas estão ameaçando derrubar os barracos”, disse.

Mãe de três filhos, dois com cinco e três anos e um bebê de cinco meses, Jéssica Souza Almeida, 27 anos, disse estar na lista de espera da Emha há 7 anos e que nunca conseguiu uma casa. “Eu estou na lista há 7 anos, nunca consegui tirar casa. O que a gente está pedindo não é material ou casa, a gente quer que o prefeito ceda o espaço. A gente mesmo constrói”, afirmou.

Ainda de acordo com os moradores, próximo ao local existe um buraco onde as pessoas estão fazendo o descarte de muito lixo. “O bairro tá cheio de doença. Hoje inclusive derrubaram um caminhão de abacaxi podre. Tem um petshop na região que tá jogando bicho morto. A situação é preocupante. A gente quer limpar o terreno”, concluíram.

A PM recomendou fossem desmontados os barracos, que por se tratar de um área de preservação daria problemas para eles.  Estariam agora tentando uma negociação para evitar conflito. 

 Emha

Segundo as informações da Emha, por se tratar de ocupação de área pública um representante foi encaminhado para o local para fazer um acompanhamento, já que se trata de um problema habitacional. Mas a área é de responsabilidade da Semadur.

A agência ainda ressaltou que invadir área pública é contravenção e por esse motivo os ocupantes ficam por pelo menos dois anos inabilitados de participarem do cadastro livre.

Semadur

Um fiscal da Semadur esteve no local avaliando a situação.

 

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