Ação humanitária leva ajuda e carinho à população carente e de rua no dia de Natal

Ação aconteceu na antiga rodoviária

A realidade de moradores de rua ou aqueles que não tem emprego, nem família foi aliviada em ação humanitária nesta segunda-feira de Natal (25) na antiga rodoviária, no Centro de Campo Grande. Mais que alimento, doações e cuidados de saúde e higiene, a atenção é o que mais beneficia os carentes. Para os voluntários, o amor envolvido leva a um grande aprendizado e à vontade de ajudar mais.

Adriana tem 33 anos e mora na rua desde os 8. Escolhendo as roupas disponíveis para doação, a moça se mostrava desembaraçada e animada. De início, ela não estava muito a vontade para conversar com uma jornalista e prestava mais atenção às peças apresentadas pelas voluntárias.

Perguntada sobre a parte mais difícil sobre não tem uma casa, ela se resigna: “a gente não tem lugar certo pra dormir, a polícia vem e acorda a gente, batendo”. Em seguida ela volta a se concentrar a outras peças de roupa. Adriana diz que o trabalho voluntário é um alento para ela. “Sempre dão atenção, roupa, coberta, alimento”, enumera. Regularmente grupos de voluntários fazem doações na antiga rodoviária.

A coordenação da ação denominada Natal de Rua espera atender mais de 200 pessoas nesta segunda. Mais de 100 voluntários se dividem no atendimento em três locais: na antiga rodoviária, no Cetremi e na Casa de Apoio a moradores de rua São Francisco de Assis. Cortes de cabelo, banhos, atendimentos de saúde, doação de roupas, preparação e distribuição de almoço de Natal estão entre alguns dos serviços oferecidos. Mas nenhum deles é mais importante que a atenção dispensada através da conversa com homens e mulheres de diversas idades.

Segundo Cláudio do Carmo, este é a quinta vez que diversos grupos voluntários realizam o Natal de Rua em Campo Grande. A ação tem o apoio da mesma equipe que irá trazer à Capital uma das maiores ações de formação de voluntariado espírita do mundo: a 62ª Concafras-PSE (Confraternização das Campanhas de Fraternidade Auta de Souza – Promoção Social Espírita).

“Como cristãos, entendemos que o amor ao próximo é a grande necessidade da humanidade. Nosso grupo pretende, ainda que parcialmente, levar nesta data tão simbólica um pouco de alegria e carinho àqueles que, muitas vezes, tornam-se invisíveis na nossa sociedade”, diz Cláudio.

Para a vendedora de cosméticos Marisa Saragoça, de 45 anos, uma das voluntárias, ajudar o próximo gera um sentimento de êxtase que leva à vontade de ajudar e fazer mais. “A cada conversa, a cada assunto, você sente que não tem problemas na sua vida. É um verdadeiro prazer poder ser útil. A gente aprende demais com eles. É muito amor envolvido”, relata.

Marisa realiza trabalho voluntário há 5 anos e faz parte da ação há 2. Pela sua profissão, conhece diversas cabeleireiras e passou a agrupá-las para ajudar os que precisam.

Além de moradores de rua, diversos homens que moram nas proximidades da rodoviária também participam da ação. Muitos deles sem emprego e sem família, vislumbraram uma oportunidade de confraternizar no Natal.

Os amigos Nerton Bueno, de 63 anos, e Jonny Lee Facão, de 60 anos, relataram morar em quartos de aluguel e dependem de ações como esta para sobreviverem. “Tem que continuar com essas coisas”, diz Nerton sobre a ação, “o Natal foi especial”, acrescenta.

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