Em sete anos, número de usuários do transporte coletivo caiu 15 mil

Dado considera o número diário de pessoas nos ônibus

Levantamento feito pela Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) e divulgado no site da Assetur demonstra que, em 7 anos, o número de usuários do transporte coletivo em Campo Grande caiu em 6%. Foram quase 15 mil pessoas que desistiram de usar o serviço.

Enquanto que em 2008, 229.510 pessoas se descolocavam por meio do transporte coletivo em Campo Grande todos os dias, em 2014, 215.860 optavam pelo serviço diariamente. Treze mil e seiscentos e cinquenta pessoas desistiram dos ônibus. Uma das opções para quem precisa se deslocar é o uso da motocicleta, que fica mais barato e rápido.

Segundo os usuários ouvidos pela reportagem do Midiamax, são inúmeros o problemas que fazem desistir de usar o transporte público. Longos períodos de espera nos pontos de ônibus, que muitas vezes não têm abrigo e ficam expostos à chuva ou sol, superlotação, falta de higiene e segurança nos ônibus e nos terminais e custo levado da tarifa são alguns dos principais problemas relatados.

A doméstica Marilei Gamarra, de 54 anos, reclama da lotação dos ônibus e dos poucos veículos em horário de pico. “É impossível andar no ônibus no horário dos estudantes, temos que perder a primeira condução e esperar outra que demora demais, e mesmo assim vamos ‘embalados a vácuo’ de tanta gente”, diz.

“As pessoas parecem verdadeiras sardinhas enlatadas”, emenda Ludilene Araújo, de 39 anos. Ela, assim como a maioria dos usuários, acha um absurdo o preço da passagem, que atingiu R$ 3,25. “É muito caro, e o serviço oferecido é péssimo, uma das passagens mais caras do país para a gente ir assim desse jeito”, reclama.

Outra usuária descontente com os serviços oferecidos pelo Consórcio Guaicurus, que administra o transporte Público de Campo Grande, é a aposentada Nilce Maria, de 62 anos “É um absurdo, superlotado. Hoje ainda consegui sentar, mas geralmente não consigo. Se o valor pago fosse para ter um serviço bom, não me importaria. Mas, não é a realidade”, avalia.

Outro problema é o relato de assédio nos terminais e dentro dos ônibus coletivo. A operadora de caixa Ana Paula Freitas dos Santos, de 22 anos, afirma ter sido assediada dentro de um ônibus da linha 070. "Eu estava segurando e o moço veio atrás de mim e ficou se encostando e quanto mais eu me afastava dele, indo para frente, mais ele vinha para cima de mim. Teve que outro moço vir interferir. Perguntou se o cara estava me incomodando, eu disse que sim. Daí conversou com ele, meio que brigou com ele lá dentro do ônibus e ele parou”, relata.

Há poucas semanas, a estudante Ingrid Matzembacher, de 21 anos, publicou um vídeo no qual relata ter sido agredida verbalmente no Terminal Morenão enquanto aguardava o ônibus de volta para casa. Ela reclama da falta de segurança do local, onde deve ter dois guardas civis municipais.

Alternativa

Quem tem condições de comprar uma motocicleta tem aderido à alternativa. Quem anda de Biz, por exemplo, gasta em média R$ 10 por semana para um trajeto médio entre a casa e o trabalho. Ou seja, bem menos do que quem anda nos coletivos. Já quem opta pelo serviço público desembolsa R$ 6,50 por dia. Na semana, o gasto chega a R$ 39 e no mês, R$ 156.

A estudante Débora Cruz, 22 anos, paga a tarifa para ir e voltar do estágio. Para ela, o gasto é muito alto e não compensa. “Está muito caro andar de ônibus na cidade, principalmente depois do aumento da tarifa. Está compensando juntar o dinheiro para comprar uma moto do que andar de ônibus. E moto é ainda mais rápida e cômoda”, afirma.

Paulo Correia, de 24 anos, também paga o transporte coletivo todo dia para ir a faculdade. “Eu gasto R$ 6,50 todo dia e ainda por cima com um transporte ruim”, diz.

O preço da gasolina não está nada fácil para quem depende de moto e carro. No entanto, quem anda de moto, ainda sim, está gastando menos do que quem anda de ônibus, é o que dizem aqueles que andam de Biz na cidade.

Com a situação, Campo Grande segue na contramão das políticas públicas de mobilidade urbana do mundo todo, que tentam, justamente, tirar os passageiros dos veículos individuais, como a motocicleta, para usarem o transporte coletivo. Os efeitos imediatos são sentidos na qualidade do trânsito, do ar, e no número de vítimas de traumas causados por acidentes.

O número de acidentes envolvendo vítimas é grande em Campo Grande. Conforme levantamento anual do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito), mostra que em 2015 aconteceram 9.875 acidentes, sendo 48% envolvendo motos.

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